{"id":18599,"date":"2022-11-17T15:13:39","date_gmt":"2022-11-17T15:13:39","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/17\/frequencia-a-pre-escola-em-sao-paulo-so-retomou-patamar-pre-pandemia-no-2o-trimestre-de-2022\/"},"modified":"2022-11-17T15:13:39","modified_gmt":"2022-11-17T15:13:39","slug":"frequencia-a-pre-escola-em-sao-paulo-so-retomou-patamar-pre-pandemia-no-2o-trimestre-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/17\/frequencia-a-pre-escola-em-sao-paulo-so-retomou-patamar-pre-pandemia-no-2o-trimestre-de-2022\/","title":{"rendered":"Frequ\u00eancia \u00e0 pr\u00e9-escola em S\u00e3o Paulo s\u00f3 retomou patamar pr\u00e9-pandemia no 2\u00ba trimestre de 2022"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/yHvBxAFt5KONJ1Po9XTqnOssN40=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/u\/j\/kNmklyTmCaUzpGrMmoFw\/foto.png\"><br \/>   Especial do SP1 discute os desafios da pandemia na educa\u00e7\u00e3o infantil. No segundo cap\u00edtulo, dados da Pnad Cont\u00ednua Trimestral mostram que, em 2021, estado chegou a ter uma em cada cinco crian\u00e7as de 5 e 6 anos fora da pr\u00e9-escola, etapa obrigat\u00f3ria de ensino. Quando a pandemia foi decretada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a pequena Celina, de Moema, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, tinha pouco mais de um ano de vida. O Antonio, de Osasco, na Regi\u00e3o Metropolitana, j\u00e1 tinha completado dois, e a Rute, do Butant\u00e3, na Zona Oeste, fez tr\u00eas anos naquele mesmo m\u00eas de mar\u00e7o de 2020. Mas a trajet\u00f3ria escolar das tr\u00eas crian\u00e7as seguiu caminhos bem diferentes desde ent\u00e3o.<br \/>\nO Antonio, por exemplo, s\u00f3 voltou a frequentar as aulas presenciais neste ano, depois que a vacina contra a Covid-19 foi liberada para ele.<br \/>\n\u201cO dia que ele tomou a vacina foi um dia mais importante da nossa vida, depois do nascimento dos filhos, \u00e9 claro\u201d, explicou a m\u00e3e, a ge\u00f3grafa Michelle Palhuca, sobre 2 de fevereiro de 2022.<br \/>\nESPECIAL EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL<br \/>\nCap\u00edtulo 1: Como a quarentena afetou o fechamento de mais de 500 escolas infantis em SP e tirou 16 mil vagas s\u00f3 na capital<br \/>\nAntonio Palhuca, de 5 anos, deixou o ensino presencial em mar\u00e7o de 2020 e s\u00f3 retornou dois anos depois, ap\u00f3s tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19<br \/>\nH\u00e9lio de Oliveira\/TV Globo<br \/>\nDados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), indicam que a fam\u00edlia do Antonio n\u00e3o esteve sozinha na decis\u00e3o de desmatricular as crian\u00e7as de educa\u00e7\u00e3o infantil.<br \/>\nEntre o segundo e o terceiro trimestre de 2020, a porcentagem de crian\u00e7as de 5 e 6 anos que n\u00e3o frequentavam a pr\u00e9-escola dobrou de 7% para 14%. A taxa continuou aumentando trimestre a trimestre at\u00e9 chegar a 20% entre janeiro e mar\u00e7o de 2021. Isso quer dizer que, com a incerteza crescente sobre a dura\u00e7\u00e3o da quarentena, uma a cada cinco crian\u00e7as dessa faixa et\u00e1ria deixou de acompanhar as aulas no primeiro trimestre de 2021.<br \/>\nNo trimestre seguinte, entre abril e junho de 2021, a porcentagem caiu pela primeira vez, para 16%, mas ainda era quatro vezes mais alta do que os 4% registrados no mesmo per\u00edodo de 2019.<br \/>\nNo in\u00edcio de 2022, ela ainda seguia na casa dos dois d\u00edgitos, com 11% das crian\u00e7as fora da escola.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 retomou o patamar de antes da pandemia no trimestre com os dados mais recentes dispon\u00edveis, entre abril e junho deste ano, meses ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da vacina pedi\u00e1trica, para crian\u00e7as a partir de 5 anos de idade.<br \/>\nAo contr\u00e1rio da creche, que tem matr\u00edcula facultativa, a pr\u00e9-escola \u00e9 uma etapa obrigat\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Desde 2016, todas as crian\u00e7as e adolescentes de 4 a 17 anos precisam frequentar as aulas regulares.<br \/>\nA regra e o prazo foram inclu\u00eddos nas 20 metas do Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (PNE) atual, mas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), respons\u00e1vel pelo monitoramento das metas, dados preliminares j\u00e1 indicam que a pandemia provocou um retrocesso na universaliza\u00e7\u00e3o do ensino para as crian\u00e7as de 5 anos.<br \/>\n&#8220;A cobertura no atendimento de crian\u00e7as de 5 anos caiu dramaticamente, chegando a 84,9% em 2021, patamar muito inferior ao estimado em 2019 (97,2%) e abaixo da linha de base do PNE em 2013 (90,9%)&#8221;, afirmou o instituto sobre o atendimento nacional em junho deste ano.<br \/>\nA matr\u00edcula escolas de crian\u00e7as de 4 e 5 anos \u00e9 obrigat\u00f3ria em todo o Brasil desde 2016<br \/>\nH\u00e9lio de Oliveira\/TV Globo<br \/>\nVacina x frequ\u00eancia escolar<br \/>\nRetirar os dois filhos da escola enquanto eles n\u00e3o estivessem protegidos contra o novo coronav\u00edrus foi uma decis\u00e3o que Michelle tomou porque ela viu de perto o sofrimento que a doen\u00e7a pode causar. Em outubro de 2021, Antonio e o irm\u00e3o, Ernesto, foram infectados pelo Sars-CoV-2.<br \/>\n\u201cVer o filho doente n\u00e3o foi f\u00e1cil\u201d, explicou ela ao perceber que as crian\u00e7as estavam com sintomas. \u201cPedi para meu marido levar no pronto-socorro. (&#8230;) A m\u00e9dica mandou ele voltar para casa sem testagem porque ela falou que crian\u00e7a n\u00e3o pegava Covid. Nesse mesmo dia ele piorou bastante, a febre aumentou muito r\u00e1pido e ele estava dormindo. Eu acordei ele, dei um banho gelado, s\u00f3 que a febre n\u00e3o baixava. A\u00ed eu entrei em p\u00e2nico, porque vi que ele estava desmaiado, em processo de convuls\u00e3o.\u201d<br \/>\nMichele diz que o levou de volta ao hospital, mas que a testagem s\u00f3 foi feita no dia seguinte, porque ela pagou. O resultado veio positivo. \u201cEle ficou muito doente com todos os sintomas. Febre, diarreia, v\u00f4mito, calafrio, n\u00e3o conseguia se alimentar por conta da garganta que estava doendo\u201d, lembra ela.<br \/>\nNo total, Antonio passou cinco dias mal, e inclusive perdeu peso por causa da doen\u00e7a.<br \/>\nComo Antonio teve quadro grave de Covid-19, a ge\u00f3grafa Michelle decidiu esperar pela vacina pedi\u00e1trica antes de lev\u00e1-lo de volta \u00e0 escola infantil<br \/>\nH\u00e9lio de Oliveira e Juan Silva\/TV Globo e G1<br \/>\nIntera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento<br \/>\nNa casa de Celina, a situa\u00e7\u00e3o foi diferente. Mesmo tendo ficado sem emprego por alguns meses a partir de abril de 2020, a m\u00e3e dela, Camila Santiago, decidiu manter a beb\u00ea na escolinha do bairro em que moram, em Moema, na Zona Sul de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nCamila conta que tr\u00eas motivos a levaram a optar por esse caminho: o desenvolvimento da filha, o foco dos pais no trabalho e a vontade de n\u00e3o contribuir com a fal\u00eancia da escola.<br \/>\n\u201cNos dias em que ela precisou ficar em casa, a gente tinha que deixar [a filha] na frente da televis\u00e3o, porque tinha limita\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o para fazer as outras atividades. (&#8230;) Ent\u00e3o, pra mim, a creche tinha essa op\u00e7\u00e3o de ela interagir com outras crian\u00e7as, ter atividades direcionadas.\u201d (Camila Santiago, m\u00e3e da Celina)<br \/>\nA pequena Celina Santiago, de 4 anos, viveu pouco a experi\u00eancia do ensino remoto, e retomou a frequ\u00eancia na creche privada em que estudava desde beb\u00ea ainda em 2020, quando o governo come\u00e7ou a retomar o ensino presencial<br \/>\nH\u00e9lio de Oliveira\/TV Globo<br \/>\nAnna Helena Altenfelder, presidente da ONG Cenpec Educa\u00e7\u00e3o, explica que, apesar de n\u00e3o ser uma etapa obrigat\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o, a creche n\u00e3o \u00e9 apenas um lugar onde a crian\u00e7a recebe cuidados.<br \/>\n\u201c[A creche] \u00e9 um espa\u00e7o educativo, onde educadores que se formaram, que se especializaram, t\u00eam uma intencionalidade pedag\u00f3gica. N\u00f3s chamamos de intencionalidade pedag\u00f3gica aquele conhecimento que o profissional tem de que atividades, que a\u00e7\u00f5es ela vai propor para as crian\u00e7as, respeitando os seus direitos de brincar, de explorar, de se relacionar e de se movimentar\u201d, diz.<br \/>\nPara Fernando Padula, secret\u00e1rio municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, a brincadeira, o est\u00edmulo \u00e0 leitura e a intera\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais nessa faixa et\u00e1ria. \u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as creches t\u00eam professores, pedagogos, justamente para trabalhar o desenvolvimento dessas crian\u00e7as.\u201d<br \/>\nEfeitos do isolamento<br \/>\nNo in\u00edcio da quarentena, os pais de Celina acreditavam que o isolamento duraria pouco, e chegaram inclusive a passar uma temporada em um s\u00edtio no Interior para garantir mais espa\u00e7o para a filha.<br \/>\nCelina chegou a participar de algumas atividades escolares remotas, para rever os colegas e professoras, e matar as saudades.<br \/>\n\u201cMas conforme foi aumentando o tempo de pandemia, eu vi que os neg\u00f3cios estavam assim, com problemas de presen\u00e7a de pessoas. E eu n\u00e3o queria ser mais uma a deixar a escola na m\u00e3o\u201d, lembra ela. A solu\u00e7\u00e3o foi aproveitar a redu\u00e7\u00e3o de gastos porque a fam\u00edlia passou menos tempo fora de casa, e negociar um desconto com a escola. \u201cA gente teve uma conversa para poder reduzir do lado deles, o que desse, em custos vari\u00e1veis. E a gente conseguiu manter, para que a escola n\u00e3o fechasse.\u201d<br \/>\nAssim que o governo autorizou, Celina j\u00e1 estava de volta \u00e0s aulas presenciais e, segundo a m\u00e3e, mostra poucos sinais de que a quarentena tenha afetado seu desenvolvimento. Mas uma coisa mudou: a rela\u00e7\u00e3o da pequena com a tecnologia, principalmente o tablet \u00e0 qual ela ficou habituada quando ficou confinada em casa com os pais trabalhando. \u201c[O tablet] \u00e9 o que tenho que ter mais aten\u00e7\u00e3o. Se deixar ela fica o tempo inteiro. Foi um mal necess\u00e1rio mesmo.\u201d<br \/>\nCamila Santiago, que trabalha com vendas, explica que a filha sofreu poucos efeitos do isolamento; o pior, segundo ela, foi criar o h\u00e1bito de usar o tablet<br \/>\nH\u00e9lio de Oliveira e Juan Silva\/TV Globo e G1<br \/>\nMigra\u00e7\u00e3o da rede privada para a p\u00fablica<br \/>\nA Rute, hoje com cinco anos, tamb\u00e9m continuou matriculada durante toda a pandemia, mas acabou tendo que trocar de escola, entra outras mudan\u00e7as familiares. Com a nova din\u00e2mica da conviv\u00eancia dos quatro membros confinados na mesma casa (a m\u00e3e, o pai, a irm\u00e3o mais velha e a ca\u00e7ula Rute), o casamento dos pais se desfez. Al\u00e9m disso, seu pai, Carlos Eduardo da Silva, perdeu em junho de 2020 o emprego de gestor de uma academia esportiva.<br \/>\nCom o aperto nas finan\u00e7as, ele e a m\u00e3e tiveram que tomar a decis\u00e3o de transferir a pequena e a filha mais velha, Esther Eduarda, de 10 anos, da rede particular para escolas municipais.<br \/>\nO objetivo era cortar os gastos educacionais de R$ 3 mil por m\u00eas, em m\u00e9dia.<br \/>\n\u201cPrimeiramente a gente fez as planilhas. E n\u00e3o estava fechando. E a\u00ed come\u00e7aram as d\u00edvidas. E a\u00ed a gente entendeu que precisava se equilibrar. E a\u00ed, pra poder equilibrar, teria que mexer na escola, porque o valor era alto. N\u00e3o poderia tirar um plano de sa\u00fade pra poder deixar na escola.\u201d (Carlos Eduardo da Silva, pai da Rute e da Esther)<br \/>\nSegundo ele, hoje ambas j\u00e1 est\u00e3o adaptadas, e a mais velha, que entende e aceita a explica\u00e7\u00e3o de que a mudan\u00e7a \u00e9 um sacrif\u00edcio tempor\u00e1rio, at\u00e9 que a fam\u00edlia volte a ter condi\u00e7\u00f5es financeiras.<br \/>\nCarlos Eduardo da Silva perdeu o emprego e precisou cortar do or\u00e7amento os gastos de cerca de R$ 3 mil com a escola particular das duas filhas<br \/>\nDavid Faria e Juan Silva\/TV Globo e G1<br \/>\nTurmas maiores e participa\u00e7\u00e3o menor<br \/>\nAs duas maiores diferen\u00e7as sentidas por ele, que j\u00e1 trabalhou na rede p\u00fablica como professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, s\u00e3o a grande quantidade de alunos por professora, e a baixa participa\u00e7\u00e3o dos pais no processo educacional.<br \/>\n\u201cSenti um impacto muito forte, como sinto at\u00e9 hoje. A grande maioria [dos pais] n\u00e3o participa, pra saber como t\u00e1 o andamento, da evolu\u00e7\u00e3o do aluno, ent\u00e3o isso eu sinto bastante\u201d, explica ele.<br \/>\nO pai lembra que Rute, quando mudou para a rede p\u00fablica em 2021, conseguiu a vaga em apenas duas semanas, mas passou a estudar em uma turma com 40 crian\u00e7as para uma professora. \u201cE 20% das crian\u00e7as n\u00e3o sabiam ler ou escrever\u201d, ressalta ele. \u201cA\u00ed foi onde eu questionava: como a professora consegue ajudar nesse processo de aprender a ler e escrever, e os outros darem continuidade no processo de aprendizagem? Ent\u00e3o a gente percebeu a\u00ed uma dificuldade muito grande do sistema. Chegou fevereiro, mar\u00e7o, abril, a maioria [dos professores] j\u00e1 tinha sa\u00eddo de licen\u00e7a.\u201d<br \/>\nCarlos Eduardo com as filhas Esther, de 10 anos, e Rute, de 5<br \/>\nArquivo pessoal\/Carlos Eduardo da Silva<br \/>\nA m\u00e3e das duas manteve o emprego, mas o pai, aos 45 anos, precisou mudar de carreira, e hoje trabalha como aut\u00f4nomo.<br \/>\nO plano, agora, \u00e9 manter as duas crian\u00e7as na rede p\u00fablica de ensino no ano que vem, mas retorn\u00e1-las \u00e0 escola particular a partir de 2024. \u201cEsse ano a gente meio que conseguiu dar uma estabilizada. A gente vai permanecer ano que vem para que no pr\u00f3ximo a gente possa estar com um suporte financeiro pra seguir [na rede particular] at\u00e9 a faculdade.\u201d<br \/>\n&#8216;Novo normal&#8217; no comportamento e no desenvolvimento<br \/>\nEnquanto isso, a fam\u00edlia tenta lidar com os diversos impactos trazidos pela pandemia, que incluem aumento da ansiedade, de peso e dos atritos entre as irm\u00e3s. \u201cA gente est\u00e1 fazendo v\u00e1rios trabalhos com psic\u00f3logos, pela sa\u00fade delas\u201d, explicou.<br \/>\nPadula, da SME-SP, ressalta que o retorno dos estudantes \u00e0s aulas presenciais tamb\u00e9m vem demonstrando um impacto do isolamento no desenvolvimento de habilidades, inclusive das crian\u00e7as menores que n\u00e3o frequentaram a creche nos dois primeiros anos da pandemia.<br \/>\n\u201c\u00c9 claro que ela n\u00e3o vai estar ali sendo alfabetizada ou aprendendo portugu\u00eas, matem\u00e1tica\u201d, diz o secret\u00e1rio. \u201cMas essa crian\u00e7a precisa ter intera\u00e7\u00e3o. Muitas vezes ela ficou sozinha. Ela precisa brincar, precisa que leiam pra ela.\u201d<br \/>\nOutras habilidades, como amarrar o cadar\u00e7o e compartilhar brinquedos, est\u00e3o entre as que costumavam j\u00e1 ser ensinadas na creche, e agora exigiram dedica\u00e7\u00e3o extra dos professores da pr\u00e9-escola para lidar com grupos heterog\u00eaneos.<br \/>\n\u201cEles v\u00e3o chegar em diferentes est\u00e1gios na educa\u00e7\u00e3o infantil. N\u00e3o s\u00e3o todos rob\u00f4s que aprendem ao mesmo tempo, com a mesma velocidade. \u00c9 preciso dar um passo atr\u00e1s e voltar eventualmente alguma abordagem que n\u00e3o seria normalmente daquela etapa. Recuar um pouquinho para que todos estejam no mesmo patamar e tenham as mesmas condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento.\u201d<br \/>\nAnna Helena Altenfelder, do Cenpec, ressalta, por\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 o caso de se falar em uma gera\u00e7\u00e3o perdida.  \u201cTemos uma situa\u00e7\u00e3o grave. \u00c9 preciso recuperar, \u00e9 preciso recompor as aprendizagens, e isto \u00e9 poss\u00edvel com medidas de curto prazo e com medidas de m\u00e9dio e longo prazo\u201d, explicou.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o imediata, segundo ela, \u00e9 \u201cbuscar todos as crian\u00e7as e trazer para a escola\u201d e articular com a sa\u00fade e a assist\u00eancia social um espa\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental. Depois, reorganizar o curr\u00edculo para desenhar \u201cestrat\u00e9gias de recomposi\u00e7\u00e3o de aprendizagem\u201d. Por fim, oferecer \u201cum apoio grande, seja do ponto de vista emocional ou t\u00e9cnico-pedag\u00f3gico, de condi\u00e7\u00e3o de trabalho para os professores. Os professores devem ser a prioridade.\u201d<br \/>\n*H\u00e9lio de Olivera, David Faria e Edgar Rocha (imagens), Kayan Albertin, Elcio Horiuchi, Juan Silva e Wil Nogueira (infografia e arte), Amanda Ferreira (edi\u00e7\u00e3o de texto) e F\u00e1bio Rodrigues e Glauber Sousa (edi\u00e7\u00e3o de imagem)<br \/>\nInitial plugin text<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especial do SP1 discute os desafios da pandemia na educa\u00e7\u00e3o infantil. No segundo cap\u00edtulo, dados da Pnad Cont\u00ednua Trimestral mostram que, em 2021, estado chegou a ter uma em cada cinco crian\u00e7as de 5 e 6 anos fora da pr\u00e9-escola, etapa obrigat\u00f3ria de ensino. 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