{"id":17997,"date":"2022-11-15T09:17:21","date_gmt":"2022-11-15T09:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/15\/trabalhadores-pretos-ganham-402-menos-do-que-brancos-por-hora-trabalhada\/"},"modified":"2022-11-15T09:17:21","modified_gmt":"2022-11-15T09:17:21","slug":"trabalhadores-pretos-ganham-402-menos-do-que-brancos-por-hora-trabalhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/15\/trabalhadores-pretos-ganham-402-menos-do-que-brancos-por-hora-trabalhada\/","title":{"rendered":"Trabalhadores pretos ganham 40,2% menos do que brancos por hora trabalhada"},"content":{"rendered":"<p>Diferen\u00e7a salarial \u00e9 praticamente a mesma h\u00e1 10 anos, mostrando que n\u00e3o houve avan\u00e7os desde 2012. Trabalhadores pretos ganham em m\u00e9dia muito menos do que brancos por uma hora de trabalho: a hora de trabalho de uma pessoa preta valeu 40,2% menos que a de um branco no pa\u00eds entre abril e junho deste ano. No caso dos pardos, o valor foi 38,4% menor que o recebido pelos brancos.<br \/>\nOs dados s\u00e3o da \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua), divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), com informa\u00e7\u00f5es referentes ao segundo trimestre do ano.<br \/>\nEm m\u00e9dia, a hora de trabalho do brasileiro vale R$ 15,23.<br \/>\nPor cor, os valores m\u00e9dios s\u00e3o:<br \/>\nBrancos ganham R$ 19,22;<br \/>\nPretos, R$ 11,49;<br \/>\nE pardos, R$ 11,84.<br \/>\nIsso implica que pretos e pardos precisem trabalhar mais horas para conseguir ganhar, no fim do m\u00eas, o mesmo valor que brancos. Considerando o rendimento m\u00e9dio por hora, para chegar ao valor de R$ 1.212, equivalente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo:<br \/>\nUm trabalhador branco precisaria trabalhar 63 horas;<br \/>\nJ\u00e1 um preto levaria quase 105,5 horas.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\n63% das mulheres negras j\u00e1 sofreram preconceito em sele\u00e7\u00f5es de emprego<br \/>\nNegros na lideran\u00e7a: debates sobre desigualdade racial crescem, mas falta de refer\u00eancias ainda \u00e9 barreira para profissionais<br \/>\nUma d\u00e9cada de estagna\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm uma d\u00e9cada, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o evoluiu. No mesmo per\u00edodo de 2012, o valor pago por hora a uma pessoa preta era 42,8% menor do que o pago a uma pessoa branca.<br \/>\nA falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior \u00e9 um dos fatores que influenciam na diferen\u00e7a de renda. Segundo um documento do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) divulgado em 2021, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas 65,1% dos cargos de n\u00edvel superior eram ocupados por pessoas brancas. J\u00e1 pretos e pardos preenchiam 27,3% dessas vagas.<br \/>\nOutros fatores que entram na conta s\u00e3o o tamanho do mercado de trabalho informal e a discrimina\u00e7\u00e3o indireta, segundo o diretor do N\u00facleo de Estudos Raciais do Insper Michael Fran\u00e7a.<br \/>\nCapital da desigualdade<br \/>\nO Distrito Federal \u00e9 a unidade da Federa\u00e7\u00e3o com a maior discrep\u00e2ncia entre os rendimentos: pretos ganham 51% menos do que brancos por hora trabalhada. De acordo com os economistas Raul Velloso e Michael Fran\u00e7a, a presen\u00e7a massiva de cargos p\u00fablicos com sal\u00e1rios altos na capital federal, os quais tendem a ser preenchidos por brancos, ajuda a explicar essa disparidade.<br \/>\nDados do Minist\u00e9rio do Planejamento mostram que 48,1% dos servidores p\u00fablicos s\u00e3o brancos, enquanto apenas 4,2% s\u00e3o pretos. Pardos s\u00e3o 24%. O percentual restante \u00e9 de amarelos, ind\u00edgenas e outras etnias.<br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel ver que h\u00e1 uma sub-representa\u00e7\u00e3o de pretos e pardos no servi\u00e7o p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o a sua presen\u00e7a na for\u00e7a de trabalho: 7,7% dos trabalhadores do Distrito Federal s\u00e3o pretos e 43,9%, pardos.<br \/>\nConquistas pernambucanas<br \/>\nPernambuco \u00e9 o estado com menor disparidade de valor por hora trabalhada entre brancos e pretos no pa\u00eds. Em 2012, a diferen\u00e7a salarial por hora entre brancos e pretos era de 45,7%. Em 2022, esse n\u00famero diminuiu 26 pontos percentuais, para 19,4%.<br \/>\nDe acordo com o pernambucano Hugo Melo, economista do Observat\u00f3rio da Ind\u00fastria, possivelmente a popula\u00e7\u00e3o reagiu a incentivos de novas pol\u00edticas p\u00fablicas. Uma delas \u00e9 a pol\u00edtica de cotas, que forneceu oportunidade de adentrar no mercado de trabalho com qualifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA maioria da popula\u00e7\u00e3o do estado \u00e9 composta por pretos e pardos, enquanto os brancos comp\u00f5em apenas 36% da popula\u00e7\u00e3o. Isso faz com que o impacto da qualifica\u00e7\u00e3o por meio das pol\u00edticas de cotas e da inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho fiquem mais evidentes.<br \/>\nPara o economista, al\u00e9m da pol\u00edtica federal, programas estaduais foram fundamentais para a diminui\u00e7\u00e3o dessa disparidade. Alguns exemplos s\u00e3o a amplia\u00e7\u00e3o do ensino integrado das escolas e o Programa Ganha Mundo, no qual jovens de escola p\u00fablica do ensino m\u00e9dio ganham bolsas para estudar em diversos pa\u00edses, como Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Portugal, Inglaterra e Espanha.<br \/>\nEntre 2007 e 2014, o PIB de Pernambuco cresceu acima da m\u00e9dia dos outros estados, com a chegada de ind\u00fastrias como a refinaria da Fiat e o estaleiro Atl\u00e2ntico Sul. Para Hugo, o aumento do PIB, a chegada de polos industriais e as pol\u00edticas de inser\u00e7\u00e3o social podem ter influenciado na diminui\u00e7\u00e3o de disparidades.<br \/>\n*Agradecimentos a Ananda Ridart, Jos\u00e9 Luiz Florentino, Luana Nova e Luize Sampaio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferen\u00e7a salarial \u00e9 praticamente a mesma h\u00e1 10 anos, mostrando que n\u00e3o houve avan\u00e7os desde 2012. 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