{"id":17900,"date":"2022-11-14T22:12:15","date_gmt":"2022-11-14T22:12:15","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/o-que-acontecera-se-encontrarmos-vida-inteligente-no-universo\/"},"modified":"2022-11-14T22:12:15","modified_gmt":"2022-11-14T22:12:15","slug":"o-que-acontecera-se-encontrarmos-vida-inteligente-no-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/o-que-acontecera-se-encontrarmos-vida-inteligente-no-universo\/","title":{"rendered":"O que acontecer\u00e1 se encontrarmos vida inteligente no Universo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/wDn9icHatXnigN8wErFpyqlx_Jk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/T\/v\/x0lrplQtAAeeLOdePZHw\/visao-artistica-de-plantas-alienigenas-em-um-exoplaneta.jpg\"><br \/>   Os seres humanos ainda procuram sinais de vida inteligente em outros planetas \u2013 mas qual seria a nossa rea\u00e7\u00e3o se, algum dia, fiz\u00e9ssemos o primeiro contato? Vis\u00e3o art\u00edstica de plantas alien\u00edgenas em um exoplaneta<br \/>\nMark Garlick\/Science Photo Library\/Getty Images<br \/>\nDiversas refer\u00eancias culturais indicam que s\u00f3 haveria uma alternativa se, algum dia, extraterrestres viessem fazer um passeio c\u00f3smico ao nosso planeta: disparar com artilharia pesada.<br \/>\nMudan\u00e7as clim\u00e1ticas: por que &#8216;brilho&#8217; da Terra est\u00e1 diminuindo, segundo cientistas<br \/>\nLula ter\u00e1 que &#8216;reconstruir&#8217; minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e reverter bloqueio de fundo que pode causar &#8216;apag\u00e3o&#8217;, avaliam especialistas<br \/>\nMas, do leve cl\u00e1ssico de 1980 ET &#8211; O Extraterrestre, passando pelas d\u00e9cadas de epis\u00f3dios de Star Trek at\u00e9 os livros de Isaac Asimov e Ursula K. Le Guin, os escritores e roteiristas de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica v\u00eam se debatendo h\u00e1 muito tempo com esta quest\u00e3o: como n\u00f3s tratar\u00edamos os extraterrestres na realidade?<br \/>\n Na cultura popular, os extraterrestres, muitas vezes, s\u00e3o apresentados como cidad\u00e3os de segunda classe, abaixo dos seres humanos.<br \/>\nN\u00e3o fosse pela interven\u00e7\u00e3o do amigo humano de ET, o corpo do alien\u00edgena protagonista teria sido aberto em uma mesa de cirurgia. J\u00e1 no filme Distrito 9, de 2009, milh\u00f5es de extraterrestres s\u00e3o confinados em favelas sul-africanas \u2014 uma alegoria da intoler\u00e2ncia e da crueldade da vida real.<br \/>\nAinda n\u00e3o foram encontradas provas de vida extraterrestre, mas certamente estamos procurando. De qualquer forma, nossas eventuais descobertas no futuro pr\u00f3ximo muito provavelmente ser\u00e3o sinais de vida microbiana que, um dia, ter\u00e1 existido em Marte \u2014 o que est\u00e1 longe dos humanoides ilustrados nos filmes e programas de TV.<br \/>\nMas existe a equa\u00e7\u00e3o de Drake, que indica que h\u00e1 uma possibilidade real, estatisticamente falando, de que existam extraterrestres inteligentes em algum lugar, mesmo se as estrelas precisarem se alinhar para nos encontrarmos e fazermos contato, devido \u00e0 vastid\u00e3o da gal\u00e1xia e \u00e0 enorme dist\u00e2ncia entre os planetas.<br \/>\n&#8220;Encontrar vida ou fazer contato sempre ser\u00e1 muito improv\u00e1vel at\u00e9 o dia em que isso aconte\u00e7a&#8221;, segundo John Zarnecki, professor em\u00e9rito de ci\u00eancias espaciais da Universidade Aberta, no Reino Unido.<br \/>\n&#8220;Isso me lembra os exoplanetas&#8221;, afirma ele. &#8220;Quando era um jovem pesquisador, n\u00f3s fal\u00e1vamos sobre esse tema e todos suspeit\u00e1vamos que os exoplanetas existiam, mas n\u00e3o havia forma de encontr\u00e1-los porque tecnicamente era muito mais dif\u00edcil.&#8221;<br \/>\nAgora sabemos que os exoplanetas existem e alguns s\u00e3o at\u00e9 poss\u00edveis candidatos para abrigar vida, j\u00e1 que existe \u00e1gua neles.<br \/>\nPor isso, com a nossa busca cont\u00ednua por vida alien\u00edgena e a possibilidade de encontr\u00e1-la, n\u00e3o \u00e9 fora de prop\u00f3sito imaginar como reagir\u00edamos se, algum dia, fiz\u00e9ssemos contato \u2014 especialmente considerando que as esp\u00e9cies alien\u00edgenas inteligentes provavelmente ser\u00e3o muito diferentes da nossa forma humana.<br \/>\nA equa\u00e7\u00e3o de Drake<br \/>\nEm 1961, o astrof\u00edsico americano Frank Drake criou uma f\u00f3rmula para estimar o n\u00famero aproximado (N) de civiliza\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas que provavelmente existem na Via L\u00e1ctea e podem ser encontradas:<br \/>\nN = R* x fp x ne x fe x fi x fc x L, em que:<br \/>\nR* = taxa de forma\u00e7\u00e3o de estrelas na Via L\u00e1ctea<br \/>\nfp = fra\u00e7\u00e3o dessas estrelas com sistemas planet\u00e1rios<br \/>\nne = n\u00famero m\u00e9dio de planetas em cada sistema planet\u00e1rio que podem potencialmente permitir o desenvolvimento da vida<br \/>\nfe = fra\u00e7\u00e3o de planetas com potencial de desenvolvimento da vida que realmente t\u00eam vida<br \/>\nfi = fra\u00e7\u00e3o de planetas com vida que desenvolvem vida inteligente\/civiliza\u00e7\u00f5es<br \/>\nfc = fra\u00e7\u00e3o dessas civiliza\u00e7\u00f5es que desenvolvem tecnologias com sinais detect\u00e1veis no espa\u00e7o<br \/>\nL = per\u00edodo de tempo em que essas civiliza\u00e7\u00f5es emitem sinais detect\u00e1veis para o espa\u00e7o<br \/>\nDireitos dos n\u00e3o humanos<br \/>\nOs escritores n\u00e3o parecem ter muita esperan\u00e7a de que os seres humanos tratariam muito bem os alien\u00edgenas, talvez porque o nosso registro hist\u00f3rico de oferecer direitos aos habitantes deste planeta, humanos ou n\u00e3o, tem sido muito ruim ao longo da hist\u00f3ria, apesar das conven\u00e7\u00f5es legais internacionais que supostamente os protegem.<br \/>\nA concess\u00e3o de direitos universais inalien\u00e1veis \u2014 ou seja, os direitos garantidos para todas as pessoas, independentemente de qualquer fator \u2014 foi consagrada em lei pela comunidade internacional apenas em 1948, com a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial.<br \/>\nMas, a n\u00e3o ser por san\u00e7\u00f5es, os meios de fazer valer esses direitos, mesmo para os seres humanos, s\u00e3o limitados. Embora as leis determinem que as pessoas devem ter direitos como \u00e0 liberdade e pro\u00edbam a escravid\u00e3o, e que esses direitos s\u00e3o nossos desde o nascimento at\u00e9 a morte, alguns fil\u00f3sofos pol\u00edticos indicaram que, na pr\u00e1tica, eles s\u00f3 existem no papel.<br \/>\nN\u00e3o fosse a interven\u00e7\u00e3o do amigo humano de ET, o protagonista alien\u00edgena teria sido aberto em uma mesa de cirurgia<br \/>\nFlixpix\/Universal Pictures\/Alamy\/via BBC<br \/>\nUma indica\u00e7\u00e3o de como tratar\u00edamos os alien\u00edgenas se eles entrassem em contato conosco pode estar nos direitos que concedemos \u00e0s esp\u00e9cies n\u00e3o humanas no nosso pr\u00f3prio planeta.Uma indica\u00e7\u00e3o de como tratar\u00edamos os alien\u00edgenas se eles entrassem em contato conosco pode estar nos direitos que concedemos \u00e0s esp\u00e9cies n\u00e3o humanas no nosso pr\u00f3prio planeta.<br \/>\nMuitos pa\u00edses agora reconhecem os animais como seres sencientes, desde os gorilas at\u00e9 os corvos, mas apenas recentemente os grupos de direitos animais conseguiram alguns avan\u00e7os legais na concess\u00e3o de &#8220;direitos&#8221; aos animais com base nessa senci\u00eancia \u2014 definida vagamente como sua capacidade de experimentar conforto ou sofrimento.<br \/>\nEspecialistas em \u00e9tica j\u00e1 est\u00e3o analisando como os direitos de uma esp\u00e9cie alien\u00edgena totalmente desconhecida se enquadrariam em nossas estruturas legais e \u00e9ticas. Mas tem havido poucas discuss\u00f5es internacionais abertas sobre os extraterrestres.<br \/>\nO ent\u00e3o primeiro-ministro de Granada, Eric M. Gairy, levantou uma quest\u00e3o a este respeito em uma sess\u00e3o da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1977. Ele acreditava que os avistamentos de \u00f3vnis podem ser sinais de vida extraterrestre hostil no nosso planeta.<br \/>\nGairy sugeriu a forma\u00e7\u00e3o de um organismo oficial de investiga\u00e7\u00e3o nas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Mas nenhuma pol\u00edtica foi adotada e ele foi pressionado por diplomatas brit\u00e2nicos a abandonar este tema. Gairy governou Granada at\u00e9 ser deposto por um golpe de Estado no ano seguinte.<br \/>\nMas alguns governos est\u00e3o retomaram o interesse. Em 1999, a jornalista Leslie Kean recebeu o vazamento de um dossi\u00ea franc\u00eas sobre os \u00f3vnis, que demonstra que generais e almirantes acreditavam que os fen\u00f4menos n\u00e3o explicados poderiam ser extraterrestres.<br \/>\nE, no in\u00edcio de 2022, pela primeira vez em d\u00e9cadas, o Congresso americano debateu em p\u00fablico o que fazer com esses objetos voadores misteriosos, embora n\u00e3o haja evid\u00eancias de que eles sejam de origem extraterrestre.<br \/>\nJill Stuart, especialista em direito espacial da London School of Economics, n\u00e3o acredita que viveremos o suficiente at\u00e9 que os seres humanos fa\u00e7am contato com seres extraterrestres. Mas ela ainda acha que vale a pena examinar o que far\u00edamos nesta situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;N\u00f3s pesquisamos o universo para encontrar a n\u00f3s mesmos, porque ele nos for\u00e7a a refletir sobre como nos relacionamos entre n\u00f3s, como nos relacionamos com o nosso meio ambiente e como nos relacionamos com outras esp\u00e9cies e as pessoas&#8221;, afirma ela. &#8220;Esses cen\u00e1rios voltados para o futuro podem nunca acontecer, mas todo o processo tem valor por si pr\u00f3prio.&#8221;<br \/>\n A falta de um plano<br \/>\nN\u00e3o existem acordos, nem mecanismos internacionais sobre como a humanidade lidaria com um encontro com intelig\u00eancia extraterrestre, segundo Niklas Hedman, diretor-executivo do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Assuntos do Espa\u00e7o Exterior (Unoosa, na sigla em ingl\u00eas).<br \/>\nMas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o pode ser criada uma estrutura. A ONU, como a &#8220;principal organiza\u00e7\u00e3o global intergovernamental&#8221;, seria uma solu\u00e7\u00e3o para esses mecanismos, acrescenta Hedman, mas as a\u00e7\u00f5es e debates, em \u00faltima an\u00e1lise, &#8220;resumem-se \u00e0 vontade dos Estados-membros&#8221;.<br \/>\nAtualmente, todo o direito espacial internacional refere-se \u00e0 atividade humana, segundo Hedman.<br \/>\nO primeiro Tratado sobre o Espa\u00e7o Exterior foi assinado nas Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1967, pelo Reino Unido, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os Estados Unidos, em resposta ao desenvolvimento dos m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais, que poderiam atingir alvos no espa\u00e7o.<br \/>\nEle serve de base para todo o direito espacial existente, que se desenvolveu ao longo do tempo enquanto surgiam novas possibilidades e preocupa\u00e7\u00f5es sobre o espa\u00e7o sideral.<br \/>\nTodos os cinco principais tratados sobre o espa\u00e7o \u2014 que, agora, cobrem desde a proibi\u00e7\u00e3o de armas at\u00e9 a responsabilidade por danos e fragmentos de na\u00e7\u00f5es exploradoras \u2014 concentram-se nas atividades humanas no espa\u00e7o e como elas afetam outros seres humanos.<br \/>\nO grupo de Busca por Intelig\u00eancia Extraterrestre da Academia Internacional de Astron\u00e1utica adotou, em 2010, uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios p\u00f3s-detec\u00e7\u00e3o, com base em d\u00e9cadas de discuss\u00f5es anteriores.<br \/>\nNo caso de detec\u00e7\u00e3o de qualquer sinal de vida extraterrestre inteligente, o protocolo recomenda a cria\u00e7\u00e3o de um f\u00f3rum de coordena\u00e7\u00e3o internacional por meio das Na\u00e7\u00f5es Unidas e do seu Comit\u00ea para o Uso Pac\u00edfico do Espa\u00e7o Exterior (Copuos, na sigla em ingl\u00eas).<br \/>\nStuart acredita que \u00e9 improv\u00e1vel que qualquer ordenamento internacionalmente aceito seja desenvolvido antes do necess\u00e1rio. Isso porque as pessoas gostam de ter cen\u00e1rios reais e concretos para considerar e transformar novas ideias em legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe o contato acontecer, \u00e9 poss\u00edvel que as estruturas legais existentes, que regem os direitos humanos, possam ser estendidas e adaptadas aos direitos dos alien\u00edgenas.<br \/>\nUma considera\u00e7\u00e3o importante neste caso seria a inten\u00e7\u00e3o dos extraterrestres &#8211; ou seja, se eles s\u00e3o bem intencionados ou hostis. Isso, segundo Stuart, alimenta o debate se devemos tentar ativamente fazer contato com os extraterrestres ou observar passivamente os sinais da sua exist\u00eancia \u2014 uma quest\u00e3o que causa cont\u00ednuas controv\u00e9rsias entre os especialistas no espa\u00e7o.<br \/>\nO que aconteceria se um disco voador subitamente aterrissasse em algum ponto da Terra? N\u00e3o existe protocolo definido e nem mesmo sugerido. Mas, hipoteticamente, \u00e9 poss\u00edvel que o pa\u00eds onde ele aterrissasse precisasse liderar as primeiras discuss\u00f5es sobre como reagir, segundo Stuart.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o haveria nenhum precedente ou jurisprud\u00eancia para que houvesse responsabilidade&#8221;, afirma ele. Mas Stuart acrescenta que, se um \u00f3vni for derrubado e cair em um pa\u00eds-membro, pode ocorrer que o pa\u00eds precise assumir a responsabilidade pela queda.<br \/>\nEm um documento para a Royal Society de Londres sobre &#8220;assuntos supraterrestres&#8221;, em 2011, a ex-diretora da Unoosa Mazlan Othman prop\u00f4s que o interesse dos pa\u00edses no combate aos riscos dos objetos pr\u00f3ximos da Terra (ou seja, asteroides) pode oferecer um modelo de coopera\u00e7\u00e3o internacional caso se chegue a determinar a exist\u00eancia de vida ou intelig\u00eancia extraterrestre.<br \/>\nCom poucos avan\u00e7os em termos de defini\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios sobre como tratar\u00edamos coletivamente eventuais extraterrestres que possamos encontrar, uma possibilidade seria simplesmente aplicar os direitos concedidos aos seres humanos. Stuart afirma que faria sentido aplicar isso \u00e0 estrutura legal existente.<br \/>\n\u00c9 uma conclus\u00e3o razo\u00e1vel que qualquer esp\u00e9cie que pudesse viajar para a Terra teria alto n\u00edvel de intelig\u00eancia e senci\u00eancia e, portanto, deveria ser tratada de forma similar aos seres humanos. Isso poderia apoiar o argumento de que os &#8220;direitos humanos&#8221; deveriam evoluir para tornar-se &#8220;direitos dos sencientes&#8221;.<br \/>\nTamb\u00e9m precisar\u00edamos levar em conta os diversos tipos poss\u00edveis de intelig\u00eancia e senci\u00eancia. Mesmo no nosso planeta, existe todo tipo de intelig\u00eancia que s\u00f3 agora estamos come\u00e7ando a reconhecer.<br \/>\nUm exemplo \u00e9 o debate se os polvos, famosos h\u00e1 tempos pela sua intelig\u00eancia, tamb\u00e9m t\u00eam consci\u00eancia e podem sentir dor. Da mesma forma, a pr\u00e1tica crescente da micologia \u2014 a \u00e1rea da biologia que estuda os fungos \u2014 indica que alguns desses organismos exibem aspectos de intelig\u00eancia, como a capacidade de aprender e tomar decis\u00f5es.<br \/>\n &#8220;Quando o assunto s\u00e3o os alien\u00edgenas, precisamos perguntar: que tipo de intelig\u00eancia eles t\u00eam?&#8221;, segundo a escritora Susan Blackmore, professora visitante da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, que pesquisa a consci\u00eancia.<br \/>\n&#8220;Por que eles t\u00eam [essa intelig\u00eancia]? Acho que precisamos considerar que os extraterrestres teriam evolu\u00eddo pelos processos evolutivos darwinianos, j\u00e1 que \u00e9 o \u00fanico processo que conhecemos que produziria seres vivos inteligentes.&#8221;<br \/>\nSenci\u00eancia alien\u00edgena<br \/>\nAo relembrar o famoso incidente do &#8220;ET de Varginha&#8221; (MG), ocorrido em 1996, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado document\u00e1rio norte-americano Momento do Contato \u2014 O Caso Varginha conta a hist\u00f3ria de como uma criatura misteriosa teria sido encontrada perto do suposto local de colis\u00e3o, claramente com algum tipo de dor f\u00edsica.<br \/>\nIndependentemente do que se acredite sobre o caso, a capacidade de sentir dor e sofrimento pode ser o melhor fator a nos orientar sobre o reconhecimento de direitos a qualquer visitante de outro planeta.<br \/>\n&#8220;Os alien\u00edgenas conseguem sentir sofrimento?&#8221;, pergunta Blackmore. &#8220;Se puderem, dever\u00edamos ter alguma obriga\u00e7\u00e3o moral com rela\u00e7\u00e3o [a eles] e talvez elaborar um arcabou\u00e7o jur\u00eddico com base [nisso].&#8221;<br \/>\nO especialista em \u00e9tica Peter Singer, que escreveu sobre o tema dos direitos inalien\u00e1veis dos extraterrestres e dos animais, afirma que a senci\u00eancia seria a principal considera\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Considerando que o ser extraterrestre seja senciente, no sentido de que ele \u00e9 capaz de experimentar dor e prazer e ter outros desejos e interesses que podemos levar mais tempo para determinar, o princ\u00edpio \u00e9tico fundamental que devemos aplicar \u00e9 a igual considera\u00e7\u00e3o de interesses similares&#8221;, afirma ele.<br \/>\nEste princ\u00edpio, baseado em um conceito definido por Singer em 1979, indica que todos os seres capazes de ter prazer ou sofrimento merecem ter seus interesses considerados igualmente em qualquer decis\u00e3o moral que os afete. &#8220;Em outras palavras, a dor de um alien\u00edgena conta tanto quanto a dor de um terr\u00e1queo.&#8221;<br \/>\nA dificuldade nesta quest\u00e3o, segundo ele, seria determinar quais seriam os interesses dos alien\u00edgenas.<br \/>\n&#8220;Muito dependeria das capacidades cognitivas dos extraterrestres, que podem ser muito mais avan\u00e7adas que as dos golfinhos ou dos seres humanos. E, se forem muito mais avan\u00e7adas do que as nossas, podemos ser incapazes de compreender o que eles s\u00e3o.&#8221;<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o norte-americana Projeto dos Direitos dos N\u00e3o Humanos, que pretende garantir direitos para animais n\u00e3o humanos, acredita que o ponto inicial desses direitos \u00e9 a autonomia, um conceito valorizado pelos tribunais dos Estados Unidos, que indica que o indiv\u00edduo tem a capacidade de escolher o que fazer, aonde ir e como agir, al\u00e9m da mem\u00f3ria dos eventos que ocorreram anteriormente.<br \/>\nJ\u00e1 a consci\u00eancia \u00e9 uma categoria ampla demais para servir de crit\u00e9rio legal para os direitos, pois n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o que o que ela seja na realidade.<br \/>\n&#8220;Atualmente, pelo menos nos Estados Unidos, todo ser humano nasce com o direito inalien\u00e1vel \u00e0 liberdade, mas nem sempre todos os seres humanos tiveram esse direito&#8221;, afirma o advogado Jake Davis, do Projeto dos Direitos dos N\u00e3o Humanos.<br \/>\n&#8220;Foram necess\u00e1rios muitos anos, foi preciso ter uma guerra civil, al\u00e9m de imensas lutas, para que todos os seres humanos fossem colocados em p\u00e9 de igualdade, com rela\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 integridade e liberdade individual&#8221;, explica ele.<br \/>\nNa fic\u00e7\u00e3o de &#8216;Jornada nas Estrelas&#8217;, a Primeira Diretriz pro\u00edbe a interfer\u00eancia com o desenvolvimento natural de civiliza\u00e7\u00f5es alien\u00edgenas<br \/>\nParamount\/Allstar\/Alamy\/via BBC<br \/>\n&#8220;Meu desejo \u00e9 que, se uma esp\u00e9cie extraterrestre chegasse at\u00e9 n\u00f3s e n\u00e3o fosse hostil, n\u00f3s n\u00e3o consider\u00e1ssemos simplesmente que eles s\u00e3o como animais n\u00e3o humanos \u2014 coisas com as quais poder\u00edamos fazer o que quis\u00e9ssemos, porque n\u00f3s somos humanos e eles n\u00e3o s\u00e3o&#8221;, afirma Davis. &#8220;Meu desejo seria que o mundo os considerasse como iguais, desde que eles demonstrassem essas capacidades [como autonomia], como ponto de partida.&#8221;<br \/>\nSegundo Lori Marino, ex-diretora do Projeto para os Direitos dos N\u00e3o Humanos, a pr\u00f3pria intelig\u00eancia e a senci\u00eancia s\u00e3o conceitos de dif\u00edcil defini\u00e7\u00e3o entre os especialistas.<br \/>\n&#8220;Ambos s\u00e3o conceitos obscuros&#8221;, segundo ela. &#8220;Mas eu teria confian\u00e7a em afirmar que a intelig\u00eancia \u00e9 como algu\u00e9m processa informa\u00e7\u00f5es e a senci\u00eancia \u00e9 a capacidade de sentir e ter consci\u00eancia dos sentimentos.&#8221;<br \/>\nCaso sejam descobertos organismos multicelulares em outro planeta, considerando que eles se movam, ela argumenta que h\u00e1 uma boa possibilidade de que eles sejam inteligentes e sencientes. E eles precisariam de alguma forma de intelig\u00eancia at\u00e9 mesmo para existir, indica ela.<br \/>\n&#8220;Dever\u00edamos partir do pressuposto de que eles s\u00e3o sencientes &#8211; e, portanto, s\u00e3o capazes de sofrer &#8211; e deix\u00e1-los em paz&#8221;, afirma Marino. &#8220;\u00c9 claro que n\u00e3o sou ing\u00eanua a ponto de pensar que faremos isso, mas, moralmente, \u00e9 o que dever\u00edamos fazer.&#8221;<br \/>\nA ideia de que os seres humanos deveriam evitar interferir com o desenvolvimento natural de civiliza\u00e7\u00f5es alien\u00edgenas tem uma longa hist\u00f3ria na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, incluindo a &#8220;Primeira Diretriz&#8221; de Star Trek. Mas, naquele mundo da fic\u00e7\u00e3o, a diretriz pode ser ignorada se a esp\u00e9cie alien\u00edgena for considerada muito perigosa.<br \/>\nIdeias similares a essa j\u00e1 s\u00e3o consideradas no nosso mundo atual. O Escrit\u00f3rio de Prote\u00e7\u00e3o Planet\u00e1ria da Nasa, por exemplo, pretende proteger tanto a Terra quanto os planetas explorados.<br \/>\nMas, se os alien\u00edgenas puderem chegar ao nosso planeta, talvez os direitos deles n\u00e3o devam ser nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO astr\u00f4nomo Seth Shostak, do Instituto Seti \u2014 organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que pretende compreender e explicar a origem e a natureza da vida no universo \u2014 tem otimismo sobre a perspectiva de observar algum tipo de contato durante sua vida.<br \/>\nMas ele afirma que \u00e9 importante diferenciar entre dois tipos de contato. \u00c9 mais prov\u00e1vel que venhamos a receber sinais de civiliza\u00e7\u00f5es tecnologicamente avan\u00e7adas do que uma visita de extraterrestres.<br \/>\nSe recebermos sinais, n\u00e3o haveria grande urg\u00eancia, pois qualquer sinal que enviarmos levaria tanto tempo para chegar que ter\u00edamos muito tempo para decidir o que devemos responder. J\u00e1 uma visita alien\u00edgena significaria que a civiliza\u00e7\u00e3o extraterrestre tem acesso a tecnologia muito al\u00e9m das nossas capacidades.<br \/>\nQuando os amigos de ET v\u00eam buscar a infeliz criatura no final do filme de Spielberg, eles provavelmente poderiam ter desintegrado a Terra na sua volta &#8220;para casa&#8221;, se tivessem inclina\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-lo.<br \/>\n&#8220;Pessoalmente, se eles chegarem, vou comprar um estoque de pizza congelada e fugir para as montanhas&#8221;, afirma Shostak. &#8220;Se eles conseguirem chegar at\u00e9 aqui, em vez de transmitir uma mensagem, eles s\u00e3o enormemente mais avan\u00e7ados do que n\u00f3s.&#8221;<br \/>\nNeste caso, uma quest\u00e3o mais apropriada poder\u00e1 ser: os nossos novos senhores alien\u00edgenas conceder\u00e3o direitos para n\u00f3s?&#8221;<br \/>\n&#8220;O que vamos fazer se eles forem agressivos?&#8221;, pergunta Shostak. &#8220;Seria como os neandertais tentando enfrentar a For\u00e7a A\u00e9rea Americana. Os neandertais poderiam ser os melhores pol\u00edticos poss\u00edveis, mas isso n\u00e3o teria import\u00e2ncia.&#8221;<br \/>\nLeia a vers\u00e3o original desta reportagem (em ingl\u00eas) no site BBC Future.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-63629349<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os seres humanos ainda procuram sinais de vida inteligente em outros planetas \u2013 mas qual seria a nossa rea\u00e7\u00e3o se, algum dia, fiz\u00e9ssemos o primeiro contato? Vis\u00e3o art\u00edstica de plantas alien\u00edgenas em um exoplaneta Mark Garlick\/Science Photo Library\/Getty Images Diversas refer\u00eancias culturais indicam que s\u00f3 haveria uma alternativa se, algum dia, extraterrestres viessem fazer um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17901,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-17900","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17900"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17900\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}