{"id":17684,"date":"2022-11-14T05:10:46","date_gmt":"2022-11-14T05:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/lideranca-indigena-no-ac-comemora-tema-da-redacao-do-enem-e-fala-sobre-desafios-temos-sofrido-grandes-ameacas\/"},"modified":"2022-11-14T05:10:46","modified_gmt":"2022-11-14T05:10:46","slug":"lideranca-indigena-no-ac-comemora-tema-da-redacao-do-enem-e-fala-sobre-desafios-temos-sofrido-grandes-ameacas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/lideranca-indigena-no-ac-comemora-tema-da-redacao-do-enem-e-fala-sobre-desafios-temos-sofrido-grandes-ameacas\/","title":{"rendered":"Lideran\u00e7a ind\u00edgena no AC comemora tema da reda\u00e7\u00e3o do Enem e fala sobre desafios: &#8216;temos sofrido grandes amea\u00e7as&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/NM40gjtv6UhmNszpYZaZE9TYgoM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/x\/l\/RAEXhlSrqLcFhJ9mHu2Q\/256604991-937529123591205-359001369688183409-n-1-.jpg\"><br \/>   Instituto respons\u00e1vel pelo Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) escolheu o tema &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8221;. &#8216;Temos sofrido grandes amea\u00e7as de direitos que foram conquistados por tantas vidas que se dedicaram para que fosse respeitado o direito da nossa terra&#8217;, disse.<br \/>\n Nedina Yawanawa, lideran\u00e7a ind\u00edgena no Acre, diz que povos tradicionais sofrem amea\u00e7as violentas atualmente<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nO tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) 2022 \u00e9 &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8221;. A escolha de um tema que permite tratar da quest\u00e3o dos ind\u00edgenas no Brasil ganhou elogios de professores, alunos e personalidades. E no Acre, a coordenadora da Organiza\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rond\u00f4nia (SITOAKORE), Nedina Yawanawa, voz ativa do movimento no estado disse que o debate \u00e9 de extrema import\u00e2ncia.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\nMais de 22 mil inscritos devem fazer provas do Enem 2022 neste domingo (13); port\u00f5es abrem \u00e0s 10h no Acre<br \/>\nAcre registrou seis assassinatos de ind\u00edgenas em 2021 e estado \u00e9 o 3\u00ba com mais invas\u00f5es nessas terras<br \/>\nEnem 2022: tema da reda\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8216;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8217;<br \/>\nTema da reda\u00e7\u00e3o do Enem 2022 sobre povos tradicionais ganha elogios e faz Bolsonaro ser alvo nas redes sociais<br \/>\nPara os acreanos, o tema \u00e9 recorrente, isso pela grande popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena existente no estado. Segundo dados da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Pol\u00edticas Ind\u00edgenas do Acre (Semapi), nos \u00faltimos 30 anos, j\u00e1 foram reconhecidas 35 Terras Ind\u00edgenas destinadas a quatorze povos. Essas correspondem a 2.390.112 hectares equivalente a 14,55 % da \u00e1rea do estado com uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 18 mil \u00edndios.<br \/>\nNedina Yawanawa \u00e9 uma lideran\u00e7a ativa no estado. Sempre presente em manifesta\u00e7\u00f5es para que os direitos dos povos tradicionais sejam respeitados, ela comemorou o tema escolhido e disse que os povos tradicionais t\u00eam sofrido amea\u00e7as violentas e que isso \u00e9 resultados da postura do governo atual, segundo ela.<br \/>\n\u201cUma realidade muito triste que estamos vivendo nesse momento e um dos principais desafios enfrentados \u00e9 a quest\u00e3o dos respeitos aos direitos que j\u00e1 foram conquistados ao longo dos anos pelas lutas e movimentos ind\u00edgenas, ent\u00e3o esse \u00e9 um dos maiores desafios que as comunidades ind\u00edgenas t\u00eam enfrentado. Porque quando n\u00e3o respeita os direitos, automaticamente as comunidades ficam expostas, vulner\u00e1veis, sem prote\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o n\u00e3o respeito dos \u00f3rg\u00e3os federais, do pr\u00f3prio governo, tanto federal, como estadual, gera tudo isso\u201d, destaca.<br \/>\nEla tamb\u00e9m fez refer\u00eancia ao Projeto de Lei 6.024, apresentado pela deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC), que tira a prote\u00e7\u00e3o integral da Serra do Divisor no Vale do Juru\u00e1, no interior do Acre, e altera os limites da Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex). Ele segue parado na C\u00e2mara Federal.<br \/>\n\u201cAmea\u00e7a a prote\u00e7\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o da floresta, dos povos que vivem nela, tanto ind\u00edgena como n\u00e3o ind\u00edgena, comunidades tradicionais, ribeirinhos, extrativista, parques. Todos esses lugares s\u00e3o muito importantes e precisam ser preservados e valorizados. Para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, os nosso direitos nos \u00faltimos anos t\u00eam sido violados, temos sofrido grandes amea\u00e7as de direitos que foram conquistados por tantas vidas que se dedicaram para que fosse respeitado o direito da nossa terra, da nossa cultura, da nossa identidade e hoje parece que a sociedade n\u00e3o avan\u00e7ou nesse quesito, pelo contr\u00e1rio, regrediu de uma forma muito violenta.&#8221;<br \/>\nRespeitar a cultura ind\u00edgena, para Nedina, \u00e9 uma forma de preservar a tradi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Ela tamb\u00e9m refor\u00e7ou que antes de qualquer coisa, os ind\u00edgenas j\u00e1 ocupam as terras do Brasil.<br \/>\n\u201cA gente percebe que no fundo parte da sociedade ainda n\u00e3o aprendeu a respeitar os povos ind\u00edgenas, os povos que sempre estiveram aqui e que foram determinantes para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, ent\u00e3o \u00e9 preciso respeitar a vida, a floresta, o diferente. \u00c9 preciso olhar e respeitar a vida de verdade\u201d, finaliza.<br \/>\nRelat\u00f3rio do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) traz dados de viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas em 2021<br \/>\nArquivo\/Cimi<br \/>\nAmea\u00e7as no estado<br \/>\nSeis ind\u00edgenas foram assassinados no Acre em 2021. Isso \u00e9 o que aponta o Relat\u00f3rio Viol\u00eancia Contra os Povos Ind\u00edgenas no Brasil divulgado pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi). Entre as v\u00edtimas assassinadas nas terras ind\u00edgenas do estado est\u00e3o duas crian\u00e7as de 12 anos.<br \/>\nO relat\u00f3rio traz ainda n\u00famero de invas\u00f5es possess\u00f3rias, explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrim\u00f4nio nas terras ind\u00edgenas. De acordo com o relat\u00f3rio, em 2021, o n\u00famero de invas\u00f5es das Terras Ind\u00edgenas (TIs) chegou a 33 no Acre, deixando, assim, o estado em terceiro lugar entre as federa\u00e7\u00f5es com mais invas\u00f5es.<br \/>\nO documento \u00e9 resultado de uma apura\u00e7\u00e3o feita com as entidades e associa\u00e7\u00f5es dos povos sobre a situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas no Brasil, e mostra que, no ano passado, foram registrados 355 casos de viol\u00eancia contra os ind\u00edgenas, entre assassinatos, abuso de poder, racismo e outros. Em 2020, foram 304 ocorr\u00eancias.<br \/>\nPL quer mudar a classifica\u00e7\u00e3o do Parque Nacional da Serra do Divisor<br \/>\nArquivo Sebrae<br \/>\nO que \u00e9 o PL 6.024?<br \/>\nCom a aprova\u00e7\u00e3o do projeto, o Parque Nacional da Serra do Divisor, criado h\u00e1 mais de 30 anos, passaria a ser classificado e denominado como \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) da Serra do Divisor. A medida tira a prote\u00e7\u00e3o integra\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<br \/>\n\u201cA classifica\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o como parque nacional, do grupo de prote\u00e7\u00e3o integral, impede qualquer tipo de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das riquezas ali presentes. Entendemos que isso vai de encontro aos interesses e necessidades do povo acreano. Reclassificar a unidade como \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental propiciar\u00e1 a jun\u00e7\u00e3o de dois interesses importantes: a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o desenvolvimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o\u201d, justifica o PL.<br \/>\nNo texto diz ainda que a reclassifica\u00e7\u00e3o da unidade de conserva\u00e7\u00e3o vai ser importante para \u201calavancar\u201d a constru\u00e7\u00e3o do trecho da BR-364 que vai at\u00e9 o Peru. A constru\u00e7\u00e3o da estrada \u00e9 alvo de investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF-AC) ap\u00f3s pedido da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidad\u00e3o (PRCD).<br \/>\nNo caso da \u00e1rea da Resex, localizada nos munic\u00edpios de Assis Brasil, Brasileia, Capixaba, Epitaciol\u00e2ndia, Rio Branco e Sena Madureira, seria reduzida em quase 8 mil hectares. A \u00e1rea, segundo o PL, \u00e9 habitada por fam\u00edlias de agricultores rurais que j\u00e1 moravam no local antes da cria\u00e7\u00e3o da reserva, em 1990, e vivem do cultivo de pequenas planta\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00e3o de rebanhos de gado.<br \/>\nV\u00cdDEOS: Acre Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instituto respons\u00e1vel pelo Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) escolheu o tema &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8221;. &#8216;Temos sofrido grandes amea\u00e7as de direitos que foram conquistados por tantas vidas que se dedicaram para que fosse respeitado o direito da nossa terra&#8217;, disse. 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