{"id":17652,"date":"2022-11-14T02:12:31","date_gmt":"2022-11-14T02:12:31","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/pesquisador-e-liderancas-de-comunidades-tradicionais-do-maranhao-analisam-tema-da-redacao-do-enem-2022-visibilidade-aos-povos-que-ficam-na-invisibilidade\/"},"modified":"2022-11-14T02:12:31","modified_gmt":"2022-11-14T02:12:31","slug":"pesquisador-e-liderancas-de-comunidades-tradicionais-do-maranhao-analisam-tema-da-redacao-do-enem-2022-visibilidade-aos-povos-que-ficam-na-invisibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/14\/pesquisador-e-liderancas-de-comunidades-tradicionais-do-maranhao-analisam-tema-da-redacao-do-enem-2022-visibilidade-aos-povos-que-ficam-na-invisibilidade\/","title":{"rendered":"Pesquisador e lideran\u00e7as de comunidades tradicionais do Maranh\u00e3o analisam tema da reda\u00e7\u00e3o do Enem 2022: visibilidade aos povos que ficam na invisibilidade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/RBKAsooMP4Za9l2XyL_nZLWmzYA=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/V\/u\/H89BlAREmbnpeAoppHtQ\/28522-whatsapp-image-2021-03-08-at-12.48.061-4112285001751940166.jpeg\"><br \/>   Para o pesquisador Davi J\u00fanior, abordar essa tem\u00e1tica \u00e9 importante para chamar a aten\u00e7\u00e3o nesse momento t\u00e3o delicado que o pa\u00eds est\u00e1 passando, de desvaloriza\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais e de graves amea\u00e7as a esses povos. Quebradeiras de coco baba\u00e7u no Maranh\u00e3o.<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Governo do Maranh\u00e3o<br \/>\nA reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) 2022 trouxe como tema &#8220;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8221; e chamou a aten\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as, pesquisadores e defensores dos povos de comunidades tradicionais pelo pa\u00eds.<br \/>\n&#8216;Desde a invas\u00e3o em 1500 nossos direitos t\u00eam sido violados&#8217;, diz Sonia Guajajara sobre tema da reda\u00e7\u00e3o do Enem 2022<br \/>\nNo Maranh\u00e3o, em entrevista ao g1, o pesquisador, antrop\u00f3logo e lideran\u00e7a da comunidade de Itamatatiua, em Alc\u00e2ntara, Davi J\u00fanior, comentou sobre a escolha desse tema para edi\u00e7\u00e3o deste ano. O pesquisador considerou a escolha positiva, pois d\u00e1 visibilidade aos povos que ficam na invisibilidade e, tamb\u00e9m, \u00e9 uma forma de abrir espa\u00e7o para discutir a situa\u00e7\u00e3o dessas comunidades que sofrem com a falta de garantias de seus direitos constitucionais.<br \/>\nCompartilhe esta not\u00edcia no WhatsApp<br \/>\nCompartilhe esta not\u00edcia no Telegram<br \/>\nComunidades que s\u00e3o exemplo de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, pois trabalham com o uso racional dos recursos naturais, pensando nas gera\u00e7\u00f5es futuras.<br \/>\n\u201cEu penso que \u00e9 importante (o tema cair no Enem), porque traz \u00e0 discuss\u00e3o a luta de grupos sociais que est\u00e3o a\u00ed na invisibilidade, diante de uma parte da sociedade brasileira que finge que \u00e9 uma luta que n\u00e3o existe. A gente, infelizmente, n\u00e3o consegue que essa nossa luta tenha uma condi\u00e7\u00e3o mais hegem\u00f4nica, principalmente em termo midi\u00e1tico. \u00c9 importante ressaltar isso, porque a gente vive no contexto de muita press\u00e3o, principalmente com os conflitos envolvendo as disputas territoriais\u201d, destaca o antrop\u00f3logo.<br \/>\nDavi J\u00fanior analisa, ainda, que o Estado brasileiro, apesar de ter um conjunto de leis que garantem direitos territoriais, principalmente para povos de comunidades tradicionais, n\u00e3o tem a preocupa\u00e7\u00e3o em cumprir as obriga\u00e7\u00f5es constitucionais, principalmente de titular os territ\u00f3rios. O pesquisador avalia que, a \u00fanica possibilidade de planejar o futuro desses povos \u00e9 por meio da seguridade territorial.<br \/>\n\u201cEnquanto a gente n\u00e3o tiver a seguran\u00e7a do territ\u00f3rio, da titula\u00e7\u00e3o, a gente vive, infelizmente, sem direito de planejar nosso futuro. Para os povos de comunidades tradicionais \u00e9 uma importante parte da hist\u00f3ria do Brasil, da constru\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, tanto da preserva\u00e7\u00e3o, como dos saberes, da epistemologia territorial, e, por isso, eu penso que estar no Enem abre uma possibilidade de colocar em discuss\u00e3o com a sociedade brasileira\u201d.<br \/>\nLeia tamb\u00e9m:<br \/>\nEnem 2022: tema da reda\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8216;Desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil&#8217;<br \/>\n&#8216;Caiu no Enem 2022&#8217;: prova tem &#8216;fadinha&#8217; Rayssa, Chico Science e n\u00e3o reconhecimento de resultado eleitoral<br \/>\nGente do campo: descubra quais s\u00e3o os 28 povos e comunidades tradicionais do Brasil<br \/>\nO antrop\u00f3logo tamb\u00e9m afirma que viu como uma boa surpresa o tema cair na reda\u00e7\u00e3o do Enem e que isso representa um ganho, deixando o assunto em evid\u00eancia.<br \/>\n\u201cO Enem tem essa caracter\u00edstica de colocar para debate temas importantes. E os povos de comunidades tradicionais \u00e9 um tema importante. Tem sido feito um tema importante, gra\u00e7as ao processo de luta que as lideran\u00e7as dos povos de comunidade em geral t\u00eam enfrentado. A luta pelo direito de exist\u00eancia, a luta pelo direito a perman\u00eancia, a luta de escolher permanecer em seu territ\u00f3rio, de reproduzir sua cultura, economia\u201d, destaca.<br \/>\nAinda segundo Davi J\u00fanior, abordar essa tem\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 importante para chamar a aten\u00e7\u00e3o nesse momento t\u00e3o delicado que o pa\u00eds est\u00e1 passando, de desvaloriza\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais e de graves amea\u00e7as a esses povos.<br \/>\n\u201cNos \u00faltimos anos a gente tem que conviver, infelizmente, com o assassinato de uma s\u00e9rie de lideran\u00e7as de povos de comunidades tradicionais. Como o que aconteceu em Jacarezinho, perto de Caxias, onde a lideran\u00e7a foi assassinada, ou o caso de Anajatuba. O caso dos ind\u00edgenas, dos quilombolas, o caso das amea\u00e7as com a quebradeira de coco. Ent\u00e3o a gente vive em um processo de press\u00e3o e opress\u00e3o muito severo. E com o Enem, abre a possibilidade de discutir, tamb\u00e9m, esses tipos de quest\u00f5es\u201d, avaliou Davi J\u00fanior.<br \/>\nAs amea\u00e7as citadas pelo antrop\u00f3logo s\u00e3o bem conhecidas de Valda, lideran\u00e7a da comunidade agr\u00edcola Estiva do Cangati, em Urbano Santos. Em entrevista ao g1, ela destacou a luta de sua comunidade para sobreviver aos ataques dos que se dizem donos das terras onde sua comunidade vive h\u00e1 mais de cem anos. Valda afirma que tem medo at\u00e9 de falar sobre o assunto, pois as amea\u00e7as s\u00e3o constantes e j\u00e1 duram anos.<br \/>\n\u201cO que vive acontecendo aqui na nossa comunidade, acontece h\u00e1 muito tempo. Tem muito tempo que a gente vive nessa situa\u00e7\u00e3o de conflito de terra, desde o primeiro que se dizia dono da comunidade. O problema veio piorar depois que ele repassou para um ga\u00facho, a\u00ed a situa\u00e7\u00e3o piorou na nossa comunidade. A gente vivia \u00e0 base da amea\u00e7a, a gente n\u00e3o dormia, n\u00e3o comia. Teve tentativa de homic\u00eddio na nossa comunidade, teve queima de casas. Um menino ainda ficou deficiente dos tiros que pegou nas pernas. Foi mesmo uma trag\u00e9dia aqui, n\u00f3s sofremos muitas amea\u00e7as mesmo, amea\u00e7as de verdade\u201d, relata a lideran\u00e7a da comunidade.<br \/>\nSegundo Valda, al\u00e9m das amea\u00e7as de morte por causas das terras, os supostos donos do lugar tamb\u00e9m j\u00e1 chegaram com m\u00e1quinas para amea\u00e7ar destruir as planta\u00e7\u00f5es dos moradores, que vivem da lavoura.<br \/>\n\u201cN\u00f3s somos lavradores, \u00e9 de ro\u00e7a que n\u00f3s vivemos. A\u00ed a gente vive com medo, porque a gente ouve tiros demais. Tem gente que t\u00e1 doente, tem gente que est\u00e1 com depress\u00e3o, tem que gente que t\u00e1 com medo de sair\u201d, destaca Valda.<br \/>\nA comunidade recebeu uma liminar da Justi\u00e7a garantindo aos moradores do local a posse das terras, mas essa liminar foi derrubada pelos supostos donos do territ\u00f3rio. Enquanto isso, a comunidade que vive na regi\u00e3o n\u00e3o consegue ter a liberdade de construir suas casas de forma digna, pois vive com medo.<br \/>\nRelat\u00f3rios apontam crescimento de conflitos de terra no Maranh\u00e3o em 2022<br \/>\nIsmael tamb\u00e9m \u00e9 lideran\u00e7a de uma comunidade de agricultores familiares, o territ\u00f3rio campestre, que h\u00e1 quase 30 anos luta pela regulariza\u00e7\u00e3o de seu direito \u00e0 terra no munic\u00edpio de Timbiras, no Leste do Maranh\u00e3o.<br \/>\nOs povos que vivem nessa regi\u00e3o j\u00e1 enfrentaram expuls\u00e3o de suas terras por grileiros, latifundi\u00e1rios e fazendeiros, mas resistem \u00e0s amea\u00e7as, assim como tantos outros povos de territ\u00f3rios de comunidades tradicionais no Maranh\u00e3o.<br \/>\nPara Ismael, saber que o Enem 2022 abordou os desafios para a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades e povos tradicionais no Brasil, foi algo importante, que contribui com a valoriza\u00e7\u00e3o das comunidades.<br \/>\n\u201cPra gente que convive em sociedade sempre ser\u00e1 bom quando \u00e9 discutido, principalmente no Enem. E esse tema n\u00e3o deve ser discutido s\u00f3 no Enem, mas em v\u00e1rios lugares, nas universidades, em outros pontos de ensino, que possam estar educando os nossos filhos, nosso futuro que vem pela frente\u201d, destacou.<br \/>\nIsmael tamb\u00e9m analisou a situa\u00e7\u00e3o do governo federal, na atualidade. Segundo ele, os \u00faltimos anos foram marcados por um governo \u2018desarticulador\u2019.<br \/>\n\u201cNesses \u00faltimos seis anos foi muito ruim para o povo, muito fraco, um governo muito desarticulador. Um governo que s\u00f3 tratou de diminuir as comunidades tradicionais, os povos organizados, a sociedade civil. Um governo que pouco fez pelo bem da sociedade\u201d, afirmou.<br \/>\nO tema da reda\u00e7\u00e3o foi elogiado nas redes sociais, em que internautas lembraram a pol\u00edtica do presidente Jair Bolsonaro (PL) para a \u00e1rea. Em tempo de COP 27 e transi\u00e7\u00e3o de governo, nas redes sociais, pessoas de diferentes perfis apontaram que o momento atual \u00e9 oportuno para debater o legado negativo do governo de Jair Bolsonaro (PL) no assunto. \u2013 veja a repercuss\u00e3o.<br \/>\nProva de reda\u00e7\u00e3o do Enem 2022 usou textos de reportagens do g1<br \/>\nPara desenvolver um texto dissertativo-argumentativo, os candidatos do Enem tiveram material de apoio para consulta e leitura sobre o tema.<br \/>\nDos quatro itens que constavam como refer\u00eancia para os candidatos na prova, dois foram extra\u00eddos do g1. O primeiro era um trecho da reportagem &#8220;Gente do campo: descubra quais s\u00e3o os 28 povos e comunidades tradicionais do Brasil&#8221;, da rep\u00f3rter Vivian Souza, e o segundo era uma adapta\u00e7\u00e3o de infogr\u00e1fico de outra reportagem sobre o mesmo assunto. Veja abaixo:<br \/>\nEm cada grupo, veja os tr\u00eas estados com a maior concentra\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias tradicionais.<br \/>\nRodrigo Sanches\/G1<br \/>\nA reportagem da qual o gr\u00e1fico foi extra\u00eddo tem o t\u00edtulo: &#8220;650 mil fam\u00edlias se declaram &#8216;povos tradicionais&#8217; no Brasil; conhe\u00e7a os kalungas, do maior quilombo do pa\u00eds&#8221;. O texto teve autoria da rep\u00f3rter Paula Paiva Paulo, com capta\u00e7\u00e3o de imagens de F\u00e1bio Tito e gr\u00e1ficos elaborados por Rodrigo Sanches.<br \/>\nO texto de Paula Paiva foi um dos finalistas do Pr\u00eamio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2020. No g1, ele integrou uma s\u00e9rie batizada de &#8220;Desafio Natureza&#8221;, que foi publicada ao longo de um ano e teve 12 cap\u00edtulos, cada um deles dedicado a um dos problemas ambientais enfrentados pelo Brasil dentro das prioridades de a\u00e7\u00e3o definidas pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). A s\u00e9rie de reportagens foi idealizada e coordenada pelo jornalista Ardilhes Moreira, editor da \u00e1rea de Meio Ambiente no g1.<br \/>\nJ\u00e1 a reportagem de Vivian Souza integra uma s\u00e9rie de textos batizada de &#8220;Gente do Campo&#8221;, que trata da realidade e da trajet\u00f3ria de pessoas que &#8220;fazem o agro do Brasil&#8221;. O projeto tem a coordena\u00e7\u00e3o da jornalista Luciana Oliveira, respons\u00e1vel pela cobertura de Agroneg\u00f3cios no g1.<br \/>\nKalunga, maior territ\u00f3rio quilombola do pa\u00eds, preserva o cerrado em Goi\u00e1s<br \/>\nO que s\u00e3o povos e comunidades tradicionais?<br \/>\nPor defini\u00e7\u00e3o, &#8220;povo ou comunidade tradicional&#8221; s\u00e3o n\u00facleos que t\u00eam nos territ\u00f3rios em que vivem e nos recursos naturais que utilizam a condi\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia e de sua identifica\u00e7\u00e3o como um grupo culturalmente diferenciado.<br \/>\nEntre eles est\u00e3o ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores artesanais, extrativistas, ribeirinhos, ciganos e pertencentes a comunidades de terreiro, entre outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o pesquisador Davi J\u00fanior, abordar essa tem\u00e1tica \u00e9 importante para chamar a aten\u00e7\u00e3o nesse momento t\u00e3o delicado que o pa\u00eds est\u00e1 passando, de desvaloriza\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais e de graves amea\u00e7as a esses povos. Quebradeiras de coco baba\u00e7u no Maranh\u00e3o. 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