{"id":17366,"date":"2022-11-12T21:10:37","date_gmt":"2022-11-12T21:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/12\/trabalho-sob-50-graus-passaportes-confiscados-construtora-francesa-no-catar-entra-na-mira-da-justica\/"},"modified":"2022-11-12T21:10:37","modified_gmt":"2022-11-12T21:10:37","slug":"trabalho-sob-50-graus-passaportes-confiscados-construtora-francesa-no-catar-entra-na-mira-da-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/12\/trabalho-sob-50-graus-passaportes-confiscados-construtora-francesa-no-catar-entra-na-mira-da-justica\/","title":{"rendered":"Trabalho sob 50 graus, passaportes confiscados&#8230; construtora francesa no Catar entra na mira da Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/aDwyCkRE5AeQYFxL353jR-w8dM0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/o\/x\/gmvjVySHuuBXqceHSXIw\/000-32mz22j.jpg\"><br \/>   Ex-funcion\u00e1rios mencionam sal\u00e1rios muito baixos para semanas de trabalho de 66 a 77 horas, \u00e0s vezes sem folga, condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias e passaportes confiscados. Nesta foto de arquivo tirada em 24 de mar\u00e7o de 2015, funcion\u00e1rios da QDVC (Qatari Diar\/VINCI Construction Grands Projets), a filial do Catar da gigante francesa de constru\u00e7\u00e3o Vinci, trabalham em um canteiro de obras na capital Doha<br \/>\nKarim Jaafar \/ Al-Watan Doha \/ AFP<br \/>\nNa esteira de esc\u00e2ndalos envolvendo situa\u00e7\u00f5es de desrespeito aos direitos humanos a trabalhadores que atuaram nas obras das instala\u00e7\u00f5es para a Copa do Mundo no Catar, a Vinci Construction Grands Projets, subsidi\u00e1ria do grupo franc\u00eas Vinci, se soma agora \u00e0s empresas que entraram na mira da Justi\u00e7a, ap\u00f3s uma den\u00fancia da ONG Sherpa e de ex-funcion\u00e1rios por &#8220;redu\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0servid\u00e3o&#8221; nos canteiros de obras.<br \/>\nA Vinci Construction Grands Projets (VCGP) foi indiciada na \u00faltima quarta-feira (9), na Fran\u00e7a, por &#8220;submiss\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou alojamento incompat\u00edveis com a dignidade&#8221;, &#8220;obten\u00e7\u00e3o do fornecimento de pessoa em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ou depend\u00eancia de servi\u00e7os, com retribui\u00e7\u00e3o alheia&#8221; e &#8220;redu\u00e7\u00e3o \u00e0 servid\u00e3o&#8221;, termo do c\u00f3digo penal franc\u00eas para definir quando uma pessoa cuja vulnerabilidade ou estado de depend\u00eancia \u00e9 aparente ou conhecido do autor.<br \/>\nA decis\u00e3o acontece sete anos ap\u00f3s uma primeira reclama\u00e7\u00e3o apresentada pela Sherpa, denunciando o tratamento dado aos\u00a0funcion\u00e1rios em tr\u00eas canteiros de obras da empresa no Catar, entre 2011 e 2018.<br \/>\nSejam de soldadores, vigias, sejam de encanadores, mec\u00e2nicos ou pedreiros, os depoimentos s\u00e3o un\u00e2nimes. Colhidas em 2014 e 2018, e consultadas pela France 24, as declara\u00e7\u00f5es de 12 ex-funcion\u00e1rios mencionam sal\u00e1rios muito baixos para semanas de trabalho de 66 a 77 horas, \u00e0s vezes sem folga, condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias e passaportes confiscados.<br \/>\n&#8220;Eu trabalhava das 6h \u00e0s 18h, com uma hora de intervalo ao meio-dia&#8221;, testemunha um trabalhador indiano, empregado entre dezembro de 2012 e setembro de 2015. &#8220;Trabalh\u00e1vamos 8 horas e mais 3 horas extras por dia. E eu trabalhava duas sextas-feiras por m\u00eas, ent\u00e3o 7 dias por semana&#8221;, ele continua.<br \/>\nEsta carga hor\u00e1ria \u00e9 contr\u00e1ria mesmo \u00e0 lei do Catar, que j\u00e1 \u00e9 pouco protetiva e limita as horas extras semanais a 12 horas, contra os casos de 18h a 21h denunciados. A lei ainda prev\u00ea no m\u00ednimo um dia de descanso, \u00e0s sextas-feiras, de acordo com a ONG Sherpa.<br \/>\n&#8220;Eu n\u00e3o tinha problemas card\u00edacos antes de ir para o Catar&#8221;<br \/>\nUm outro empregado, que trabalhou at\u00e9 2017, explica que se demitiu ap\u00f3s desenvolver problemas card\u00edacos. Em Lusail, nova cidade que sediar\u00e1 a final da Copa do Mundo, ele trabalhava no bombeamento de \u00e1gua a 30 metros de profundidade no canteiro de obras do metr\u00f4, em que a \u00fanica ventila\u00e7\u00e3o era assegurada por &#8220;pequenos ventiladores de mesa&#8221;, e sem m\u00e1scara de oxig\u00eanio.<br \/>\n\u201cEu n\u00e3o tinha problemas card\u00edacos antes de ir para o Catar. Comecei a ter por causa dos gases, da fuma\u00e7a, do petr\u00f3leo\u201d, ele declara.<br \/>\nDe volta \u00e0 \u00cdndia, ele diz que n\u00e3o pode mais realizar trabalhos bra\u00e7ais.<br \/>\nAcusa\u00e7\u00f5es questionadas pelo advogado da Vinci, para quem esses depoimentos n\u00e3o constituem prova: \u201cOs fatos n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade. Cerca de 240 mil funcion\u00e1rios trabalharam nas obras da Vinci no Catar, e a ONG Sherpa encontrou 12 v\u00edtimas\u201d, aponta Ma\u00eetre Versini-Campinchi. \u201cEles voltaram ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato e trabalharam por seis anos. S\u00e3o adultos consentidos, \u00e9 dif\u00edcil falar de coa\u00e7\u00e3o nesse contexto\u201d, ele argumenta.<br \/>\nNo entanto, os funcion\u00e1rios, que s\u00e3o partes civis ao lado da Sherpa e do Comit\u00ea contra a Escravid\u00e3o Moderna (CCEM), mencionam o confisco de seus passaportes, at\u00e9 pelo menos 2015, associado \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de mudar de empregador no Catar.<br \/>\nTrabalho sob o sol e mais de 45\u00a0graus<br \/>\nMuitos ainda revelam que tiveram que pagar altas comiss\u00f5es junto \u00e0s ag\u00eancias de recrutamento em seus pa\u00edses de origem. Enquanto a Vinci alega t\u00ea-los reembolsado sistematicamente, um dos reclamantes afirma: &#8220;Paguei 85 mil r\u00fapias nepalesas (mais de R$ 3 mil) para vir [ao Catar]. A QDVC (filial da Vinci no Catar) nunca devolveu esse dinheiro&#8221;.<br \/>\nPor unanimidade, eles denunciam condi\u00e7\u00f5es de trabalho &#8220;muito duras&#8221;, muitas vezes diretamente sob o sol. Um supervisor, contratado at\u00e9 2017, fala de uma temperatura habitual de &#8220;45, \u00e0s vezes 50 graus&#8221;, associada a uma umidade elevada, causando &#8220;dificuldades respirat\u00f3rias&#8221;. \u201cVi pessoas ca\u00edrem\u201d, ele conta.<br \/>\nA den\u00fancia apresentada pela Sherpa tamb\u00e9m visa n\u00e3o somente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de vida dos funcion\u00e1rios, alojados pela empresa em acampamentos localizados no deserto, a uma hora de carro dos canteiros de obras. At\u00e9 pelo menos 2015, os quartos eram compartilhados por seis pessoas, e os banheiros, por 12 ou at\u00e9 15 pessoas.<br \/>\nDurante uma visita organizada pelo governo do Catar em 2015, o trabalhador imigrante Kuttamon Velayi, da \u00cdndia, fala com jornalistas enquanto est\u00e1 sentado em sua cama em um quarto que divide com outros sete trabalhadores indianos em Doha<br \/>\nMaya Alleruzzo\/AP<br \/>\nPadr\u00f5es de trabalho \u201cdiferentes\u201d<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 a Vinci quem decide sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida dos funcion\u00e1rios no local, mas a empresa do Catar, onde a subsidi\u00e1ria da Vinci \u00e9 minorit\u00e1ria\u201d, reage Versini-Campinchi, colocando a responsabilidade na construtora QDVC, que \u00e9 49% detida pela VCGP. \u201cE esses trabalhadores n\u00e3o foram maltratados, foram tratados de forma diferente da Fran\u00e7a. Os padr\u00f5es de trabalho no Catar n\u00e3o s\u00e3o os mesmos\u201d, alega.<br \/>\nA Sherpa espera, no entanto, que a responsabilidade criminal da multinacional seja mantida e que um &#8220;forte sinal&#8221; lhes seja enviado. \u201cAcreditamos que a VCGP tinha controle sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho dos funcion\u00e1rios\u201d, afirma Laura Bourgeois, advogada da ONG.<br \/>\n\u201cResulta dos elementos do processo que a elabora\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das regras relativas ao recrutamento, alojamento e condi\u00e7\u00f5es de trabalho pertenciam \u00e0 VCGP. Sem contar que o gerente geral da QDVC na \u00e9poca tamb\u00e9m era funcion\u00e1rio da VCGP. Esperamos que esta acusa\u00e7\u00e3o envie um sinal para as multinacionais de que agora \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil se esconder atr\u00e1s da ideia de que o que suas subsidi\u00e1rias fazem n\u00e3o \u00e9 da sua conta\u201d, relata Bourgeois.<br \/>\nCom isso, caber\u00e1 \u00e0 Justi\u00e7a averiguar, poucos dias antes da abertura da Copa do Mundo no Catar, onde morreram 6,5 mil trabalhadores migrantes, desde a decis\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o deste campeonato mundial pelo emirado, em 2010, de acordo cum uma investiga\u00e7\u00e3o do jornal brit\u00e2nico The Guardian.<br \/>\nJogadores australianos criticam condi\u00e7\u00f5es de trabalhadores no Catar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-funcion\u00e1rios mencionam sal\u00e1rios muito baixos para semanas de trabalho de 66 a 77 horas, \u00e0s vezes sem folga, condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias e passaportes confiscados. 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