{"id":15748,"date":"2022-11-07T11:11:53","date_gmt":"2022-11-07T11:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/07\/o-que-esperar-da-politica-externa-do-governo-lula\/"},"modified":"2022-11-07T11:11:53","modified_gmt":"2022-11-07T11:11:53","slug":"o-que-esperar-da-politica-externa-do-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/11\/07\/o-que-esperar-da-politica-externa-do-governo-lula\/","title":{"rendered":"O que esperar da pol\u00edtica externa do governo Lula"},"content":{"rendered":"<p>Segundo analistas, repetir alguns dos feitos de seus governos anteriores pode ser uma tarefa \u00e1rdua para o presidente eleito em um contexto internacional totalmente distinto Em seu primeiro discurso ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es de 30 de outubro, o agora presidente eleito Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) falou sobre as prioridades para seu futuro governo.<br \/>\nEntre os pontos destacados, Lula deu \u00eanfase ao seu desejo de &#8220;reconquistar a credibilidade, a previsibilidade e a estabilidade do pa\u00eds&#8221; diante do restante do mundo.<br \/>\n&#8220;Hoje n\u00f3s estamos dizendo ao mundo que o Brasil est\u00e1 de volta. Que o Brasil \u00e9 grande demais para ser relegado a esse triste papel de p\u00e1ria do mundo&#8221;, disse Lula em seu discurso ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o do resultado da vota\u00e7\u00e3o pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).<br \/>\n Durante seus dois mandatos anteriores (2003-2010), a pol\u00edtica externa chamou a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional. Em 2009, a revista brit\u00e2nica The Economist dedicou uma capa e um especial de 14 p\u00e1ginas ao Brasil, no qual afirmava que o pa\u00eds, de repente, havia estreado como ator relevante no cen\u00e1rio internacional.<br \/>\nMas agora, no terceiro mandato de Lula, segundo analistas consultados pela BBC News Brasil, o caminho do presidente eleito provavelmente ser\u00e1 mais dif\u00edcil \u2014 e repetir algumas das conquistas de 12 anos atr\u00e1s pode ser uma tarefa \u00e1rdua em um contexto internacional totalmente distinto.<br \/>\n &#8220;Lula n\u00e3o vai conseguir repetir a mesma pol\u00edtica externa que fez em 2003, mas pode tentar recuperar reconhecimento internacional do Brasil ap\u00f3s o governo de [Jair] Bolsonaro&#8221;, diz Guilherme Casar\u00f5es, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV).<br \/>\nO cientista pol\u00edtico ressalta que &#8220;reconhecimento internacional \u00e9 diferente de estatura&#8221; no cen\u00e1rio global.<br \/>\n&#8220;O contexto de hoje \u00e9 fundamentalmente diferente do de 2003. Naquela \u00e9poca havia um grande entusiasmo com a globaliza\u00e7\u00e3o, que sofreu v\u00e1rios reveses tanto em termos culturais, quanto pol\u00edticos e econ\u00f4micos desde ent\u00e3o.&#8221;<br \/>\n&#8220;Outra diferen\u00e7a importante \u00e9 que o mundo em que Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China se posicionavam como pa\u00edses emergentes \u2014 n\u00e3o s\u00f3 em termos econ\u00f4micos mas tamb\u00e9m geopol\u00edticos \u2014, n\u00e3o existe mais. Temos agora uma ordem internacional articulada em torno de China e Estados Unidos&#8221;, explica Casar\u00f5es.<br \/>\nPara Leticia de Abreu Pinheiro, professora do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), tamb\u00e9m vivemos em um mundo &#8220;completamente diferente&#8221; em termos de economia internacional.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o somente pelo t\u00e3o comentado boom das commodities ter acabado, mas porque ainda estamos em um momento de guerra na Ucr\u00e2nia, com um impacto muito negativo sobre a economia dos pa\u00edses europeus \u2014 que certamente reverbera no mundo todo e, portanto, no Brasil&#8221;, diz.<br \/>\nMas segundo os analistas, apesar das condi\u00e7\u00f5es distintas, \u00e9 poss\u00edvel prever que temas como meio ambiente, direitos humanos e coopera\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul ganhem mais relev\u00e2ncia nos pr\u00f3ximos quatro anos.<br \/>\nConfira a seguir alguns dos principais pontos da pol\u00edtica externa do futuro governo Lula, segundo seu plano de governo e a an\u00e1lise de especialistas no tema.<br \/>\nCoopera\u00e7\u00e3o e protagonismo<br \/>\nEm seu plano de governo, Lula destaca a inten\u00e7\u00e3o de &#8220;recuperar a pol\u00edtica externa ativa e altiva que nos al\u00e7ou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de protagonista global&#8221;.<br \/>\n&#8220;Nas minhas viagens internacionais, e nos contatos que tenho mantido com l\u00edderes de diversos pa\u00edses, o que mais escuto \u00e9 que o mundo sente saudade do Brasil. Saudade daquele Brasil soberano, que falava de igual para igual com os pa\u00edses mais ricos e poderosos. E que ao mesmo tempo contribu\u00eda para o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres&#8221;, disse ainda Lula em seu primeiro discurso ap\u00f3s a vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA proposta parte do pressuposto de que o pa\u00eds perdeu parte de seu protagonismo e tradi\u00e7\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o em pol\u00edtica externa desde o fim do governo do PT, em especial durante os quatro anos de mandato de Jair Bolsonaro (PL).<br \/>\n&#8220;Podemos esperar uma pol\u00edtica externa soberana, pragm\u00e1tica e realista para o governo Lula, em converg\u00eancia com a demanda do povo brasileiro&#8221;, diz Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard que colaborou informalmente com a campanha do ex-presidente como cientista pol\u00edtico convidado por lideran\u00e7as do PT.<br \/>\nDesde sua elei\u00e7\u00e3o, Lula j\u00e1 recebeu liga\u00e7\u00f5es e mensagens de v\u00e1rios l\u00edderes mundiais \u2014 entre eles do americano Joe Biden e do franc\u00eas Emmanuel Macron \u2014, em um sinal que muitos analistas entendem como de receptividade para tal plano.<br \/>\nMas para Leticia Pinheiro, o maior protagonismo do Brasil e o incentivo \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o global s\u00f3 vir\u00e3o &#8220;\u00e0s custas de muito trabalho&#8221;.<br \/>\n&#8220;Ser\u00e1 preciso reconduzir determinadas pol\u00edticas e corrigir um pouco decis\u00f5es equivocadas tomadas nos \u00faltimos anos. N\u00e3o vai ser f\u00e1cil, embora j\u00e1 haja uma receptividade no ambiente internacional para que o Brasil possa ter um papel mais ativo no di\u00e1logo internacional.&#8221;<br \/>\nA professora da Rela\u00e7\u00f5es Internacionais salienta tamb\u00e9m que h\u00e1 uma expectativa de que o aparato diplom\u00e1tico e o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores passe por uma reforma e ganhe mais relev\u00e2ncia nesse processo.<br \/>\nIntegra\u00e7\u00e3o regional<br \/>\nOutro tema que ganhou destaque nos planos do futuro governo Lula \u00e9 o fortalecimento dos la\u00e7os com pa\u00edses vizinhos na Am\u00e9rica do Sul e Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nO texto divulgado pela campanha do petista antes da elei\u00e7\u00e3o fala em &#8220;defender a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, com vistas a manter a seguran\u00e7a regional e a promo\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento integrado de nossa regi\u00e3o, com base em complementaridades produtivas potenciais entre nossos pa\u00edses&#8221; e em &#8220;fortalecer novamente o Mercosul, a Unasul, a Celac e os Brics&#8221; (blocos de pa\u00edses).<br \/>\nPara Guilherme Casar\u00f5es, iniciativas de natureza pol\u00edtica na regi\u00e3o foram &#8220;totalmente esvaziadas&#8221; durante o governo Bolsonaro. &#8220;Passamos quatro anos abertamente ignorando qualquer perspectiva de integra\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<br \/>\nMas segundo o pesquisador, o novo governo deve ter grandes oportunidades para reverter o cen\u00e1rio. Uma delas foi escancarada pela guerra da Ucr\u00e2nia, que apesar de desafiadora, abriu as portas para a Am\u00e9rica do Sul reorganizar suas cadeias produtivas e investir mais em uma regionaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;Percebeu-se que uma depend\u00eancia profunda de de locais muito distantes ou de uma cadeia muito complexa pode ser perigosa, pois se um elo se rompe existe risco de problemas de abastecimento, seguran\u00e7a alimentar ou escassez de energia&#8221;, diz.<br \/>\nA segunda grande oportunidade encontra-se na atual crise venezuelana. &#8220;O Lula est\u00e1 muito bem posicionado para estabelecer uma interlocu\u00e7\u00e3o com Nicol\u00e1s Maduro e com a oposi\u00e7\u00e3o na Venezuela e tentar usar o peso diplom\u00e1tico brasileiro para construir uma alternativa p\u00f3s-Maduro.&#8221;<br \/>\nO futuro presidente foi muito criticado durante a campanha por sua suposta liga\u00e7\u00e3o com governo autocr\u00e1ticos de esquerda na Am\u00e9rica Latina, como o da Venezuela e da Nicar\u00e1gua. A campanha bolsonarista explorou em especial a falta de uma cr\u00edtica dura de Lula e seu partido a abusos desses regimes.<br \/>\n O cientista pol\u00edtico Hussein Kalout, por\u00e9m, defende o di\u00e1logo pragm\u00e1tico na regi\u00e3o em prol do equil\u00edbrio geopol\u00edtico.<br \/>\n&#8220;Isolar esses pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 produtivo na Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 importante dialogar e com base no di\u00e1logo arrefecer os pontos de tens\u00e3o &#8211;  o que n\u00e3o quer dizer tamb\u00e9m concordar com o m\u00e9todo de governan\u00e7a&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>\nEUA e China<br \/>\nA atual rivalidade entre Washington e Pequim tamb\u00e9m pode representar um desafio para o Brasil de Lula.<br \/>\nNo passado, o ex-presidente conseguiu manter uma rela\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica com as duas pot\u00eancias &#8211; foi durante seu governo, ali\u00e1s, que a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, em 2009. Mas desde ent\u00e3o o antagonismo se acentuou e os EUA v\u00eam cobrando que seus aliados se posicionem de forma mais clara.<br \/>\nEm seu discurso p\u00f3s-vit\u00f3ria, Lula manifestou o desejo de &#8220;retomar nossas parcerias com os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia em novas bases&#8221;, ao mesmo tempo em que falou sobre fortalecer os Brics \u2014 alian\u00e7a formada por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul.<br \/>\nPara Leticia Pinheiro, da UERJ, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para o Brasil seria adotar uma &#8220;equidist\u00e2ncia pragm\u00e1tica&#8221; \u2014 o termo foi cunhado pelo historiador Gerson Moura em refer\u00eancia \u00e0 pol\u00edtica externa por Get\u00falio Vargas na rela\u00e7\u00e3o com EUA e Alemanha antes da 2\u00aa Guerra Mundial.<br \/>\n&#8220;Essas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisam ser de soma zero, uma em detrimento da outra&#8221;, diz.<br \/>\nE ao que tudo indica, esse deve ser exatamente o caminho do futuro governo. &#8220;Tradicionalmente o Brasil tem uma rara que \u00e9 conseguir transitar sem compromissos ideol\u00f3gicos entre grandes pot\u00eancias&#8221;, diz Guilherme Casar\u00f5es.<br \/>\n&#8220;Ao contr\u00e1rio do governo Bolsonaro que antagonizou o [presidente dos EUA, Joe] Biden e a China por muito tempo, Lula n\u00e3o tem raz\u00e3o nenhuma para fazer isso.&#8221;<br \/>\nPara Hussein Kalout, o presidente eleito deve ser capaz de manter uma rela\u00e7\u00e3o de respeito m\u00fatuo com os dois pa\u00edses, mas com independ\u00eancia.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 uma clara e manifesta disposi\u00e7\u00e3o, tanto do presidente Biden quanto de Lula, de fazer com que as rela\u00e7\u00f5es bilaterais sejam al\u00e7adas a uma rela\u00e7\u00e3o ao patamar de uma rela\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica&#8221;, disse sobre os v\u00ednculos com os EUA.<br \/>\nUma reelei\u00e7\u00e3o de Donald Trump em 2024, por\u00e9m, poderia dificultar essa rela\u00e7\u00e3o. &#8220;O Trump tem uma forma de jogar pol\u00edtica externa que \u00e9 muito baseada em um &#8216;toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1&#8217;. Ele barganha muito, ele exige muito e muitas lealdades&#8221;, diz Casar\u00f5es, da FGV.<br \/>\nMeio ambiente<br \/>\nA pauta ambiental teve grande destaque no plano de governo e nos discursos de Lula, assim como a coopera\u00e7\u00e3o internacional sobre o tema.<br \/>\nO presidente eleito falou que o Brasil &#8220;est\u00e1 pronto para retomar o protagonismo na luta contra a crise clim\u00e1tica&#8221; e que o pr\u00f3ximo governo vai &#8220;lutar pelo desmatamento zero na Amaz\u00f4nia&#8221;.<br \/>\n&#8220;Estamos abertos \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional para preservar a Amaz\u00f4nia, seja em forma de investimento ou pesquisa cient\u00edfica. Mas sempre sob a lideran\u00e7a do Brasil, sem jamais renunciarmos \u00e0 nossa soberania&#8221;, disse ainda o petista em seu discurso ap\u00f3s a vit\u00f3ria.<br \/>\nNos governos Lula, o Brasil consolidou uma posi\u00e7\u00e3o de destaque nas confer\u00eancias clim\u00e1ticas internacionais, que visam implementar a\u00e7\u00f5es globais de conten\u00e7\u00e3o do aquecimento global.<br \/>\nFoi num desses encontros que surgiu a proposta do Fundo Amaz\u00f4nia, implementado em 2008 com dinheiro da Noruega e da Alemanha para estimular projetos de combate ao desmatamento e uso sustent\u00e1vel da floresta.<br \/>\nAp\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o, diversos l\u00edderes mundiais manifestaram desejo de cooperar mais com o Brasil na \u00e1rea, em mais uma indica\u00e7\u00e3o de que o meio ambiente deve ganhar bastante espa\u00e7o na agenda de pol\u00edtica externa do pr\u00f3ximo governo.<br \/>\nO primeiro-ministro do Canad\u00e1, Justin Trudeau, falou em &#8220;fortalecer a parceria entre os pa\u00edses&#8221; e &#8220;avan\u00e7ar em prioridades compartilhadas \u2014 como proteger o meio ambiente&#8221;.<br \/>\nJosep Borrell, chefe da diplomacia da Uni\u00e3o Europeia, disse que o bloco est\u00e1 comprometido em &#8220;aprofundar e ampliar o relacionamento em todas as \u00e1reas de interesse m\u00fatuo, inclusive no com\u00e9rcio, no meio ambiente, nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e na agenda digital&#8221;.<br \/>\nJ\u00e1 Rishi Sunak, primeiro-ministro do Reino Unido, falou em &#8220;trabalhar juntos por quest\u00f5es que importam&#8221;, como &#8220;a prote\u00e7\u00e3o dos recursos naturais do planeta&#8221;.<br \/>\nPara Guilherme Casar\u00f5es, o maior investimento em diplomacia ambiental pode destravar um dos obst\u00e1culos que t\u00eam impedido a concretiza\u00e7\u00e3o do acordo entre Uni\u00e3o Europeia e Mercosul.<br \/>\n&#8220;A real viabilidade do acordo depende dos outros fatores, inclusive internos de pa\u00edses europeus que est\u00e3o fora do controle brasileiro, mas pelo menos o pretexto internacional mais \u00f3bvio que segurava sua assinatura \u2014 a quest\u00e3o ambiental \u2014 deve ser superado&#8221;, afirma.<br \/>\nDireitos humanos<br \/>\nPara a professora Leticia Pinheiro, o tema dos direitos humanos tamb\u00e9m deve ganhar mais espa\u00e7o na agenda externa do governo.<br \/>\n&#8220;Embora o Brasil tenha ficado um pouco isolado durante o governo Bolsonaro, o pa\u00eds teve um certo protagonismo na discuss\u00e3o sobre direitos humanos, no sentido de reverter decis\u00f5es anteriores e ir contra direitos e posi\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds j\u00e1 havia defendido no passado&#8221;, diz.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 uma expectativa de que esse protagonismo na dire\u00e7\u00e3o inversa dos direitos seja abandonado ou que o Brasil retome sua defesa por direitos relacionados \u00e0 quest\u00e3o reprodutiva e de g\u00eanero.&#8221;<br \/>\nPara a pesquisadora, isso deve ser feito dialogando com entidades da sociedade civil no Brasil, inclusive as religiosas, que t\u00eam ganhado um papel cada vez maior na pol\u00edtica nacional.<br \/>\nGuerra na Ucr\u00e2nia<br \/>\nApesar da dist\u00e2ncia f\u00edsica, \u00e9 inevit\u00e1vel que a guerra na Ucr\u00e2nia impacte a pol\u00edtica externa do governo Lula, pelo menos enquanto o conflito durar.<br \/>\nO presidente eleito recebeu muitas cr\u00edticas por uma entrevista dada em maio \u00e0 revista americana Time, em que afirmou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, \u00e9 t\u00e3o respons\u00e1vel quanto o presidente russo, Vladimir Putin, pelo conflito. &#8220;Porque numa guerra n\u00e3o tem apenas um culpado&#8221;, declarou.<br \/>\nApesar de em geral se manter neutro em confrontos como o que atinge o leste da Europa atualmente, o Brasil \u00e9 bastante dependente da R\u00fassia para a compra de fertilizantes \u2014 o pa\u00eds importa 85% dos fertilizantes que utiliza, e os russos respondem por 23% dessas importa\u00e7\u00f5es. Bras\u00edlia tamb\u00e9m mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas com Moscou por conta dos Brics.<br \/>\nAo mesmo tempo, o Brasil tamb\u00e9m tem interesse em aprofundar as suas rela\u00e7\u00f5es com a Europa \u2014 e grande parte dos pa\u00edses europeus est\u00e3o apoiando a Ucr\u00e2nia.<br \/>\nPara a professora Leticia Pinheiro, a tend\u00eancia \u00e9 que o pr\u00f3ximo governo mantenha uma estrat\u00e9gia semelhante \u00e0 adotada por Jair Bolsonaro nos \u00faltimos meses, tentando conciliar posi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8220;Ap\u00f3s algum tempo, o governo Bolsonaro conseguiu equilibrar seu papel com a R\u00fassia, condenando as a\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, mas chamando a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para as demandas de Moscou&#8221;, diz.<br \/>\nSegundo a especialista, a diplomacia brasileira tem larga experi\u00eancia em se relacionar com for\u00e7as em conflito \u2014 e deve manter sua tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-63522159<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo analistas, repetir alguns dos feitos de seus governos anteriores pode ser uma tarefa \u00e1rdua para o presidente eleito em um contexto internacional totalmente distinto Em seu primeiro discurso ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es de 30 de outubro, o agora presidente eleito Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) falou sobre as prioridades para<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15749,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-15748","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15748\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}