{"id":13684,"date":"2022-10-29T04:26:14","date_gmt":"2022-10-29T04:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/29\/palco-da-final-da-libertadores-guayaquil-no-equador-vive-aumento-da-violencia-relacionado-ao-narcotrafico\/"},"modified":"2022-10-29T04:26:14","modified_gmt":"2022-10-29T04:26:14","slug":"palco-da-final-da-libertadores-guayaquil-no-equador-vive-aumento-da-violencia-relacionado-ao-narcotrafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/29\/palco-da-final-da-libertadores-guayaquil-no-equador-vive-aumento-da-violencia-relacionado-ao-narcotrafico\/","title":{"rendered":"Palco da final da Libertadores, Guayaquil, no Equador,  vive aumento da viol\u00eancia relacionado ao narcotr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/y7eGY6BSEgE0V3pLRV2x9pSO1Vo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/E\/M\/kwBNvIQZmnsLZhldyoKQ\/000-32m63f7.jpg\"><br \/>   Em 2022, at\u00e9 agora, foram 1.200 homic\u00eddios, 60% a mais que no mesmo per\u00edodo do ano passado, segundo dados oficiais. Cidade tamb\u00e9m sofre com massacres frequentes em pris\u00f5es da regi\u00e3o. A pol\u00edcia guarda os arredores do est\u00e1dio Monumental, onde acontecer\u00e1 a final da Libertadores, em Guayaquil, Equador, em outubro de 2022<br \/>\nGERARDO MENOSCAL \/ AFP<br \/>\nBairros tomados por gangues, massacres em pres\u00eddios e uma pol\u00edcia subjugada pelo poder de fogo dos criminosos: o tr\u00e1fico de drogas transformou Guayaquil, no Equador, em mais uma capital do crime na Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nA cidade de 2,8 milh\u00f5es de habitantes, que sediar\u00e1 neste s\u00e1bado (29) a final entre Flamengo e Athletico Paranaense da Copa Libertadores 2022, enfrenta uma viol\u00eancia que nasce nas ruas e se reproduz nos pres\u00eddios com corpos baleados, queimados e mutilados.<br \/>\nEm 2022, at\u00e9 agora, foram 1.200 homic\u00eddios, 60% a mais que no mesmo per\u00edodo do ano passado, segundo dados oficiais. Foi tamb\u00e9m em Guayaquil que ocorreu a maior parte das 392 mortes de presidi\u00e1rios em massacres registrados desde 2021.<br \/>\nNessa espiral de viol\u00eancia, um promotor foi morto por pistoleiros e houve ataques com carros-bomba e explosivos, como o ocorrido em agosto, que matou cinco pessoas em frente a um restaurante popular.<br \/>\nDesde o in\u00edcio do ano, na comunidade de Socio Vivienda II, foram registrados 252 homic\u00eddios contra 66 em 2021, enquanto em Samborond\u00f3n, um bairro murado e rico, foram 14 casos. Esses n\u00fameros revelam uma viol\u00eancia t\u00e3o desigual quanto a pr\u00f3pria Guayaquil, onde 26% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza.<br \/>\nNo \u00faltimo fim de semana, 21 pessoas foram mortas na cidade equatoriana, a maioria por pistoleiros. Desde ent\u00e3o, governo do conservador Guillermo Lasso, presidente do Equador, mobilizou tropas, refor\u00e7ou a pol\u00edcia e iniciou opera\u00e7\u00f5es para desmantelar as organiza\u00e7\u00f5es criminosas. O tr\u00e1fico continua de p\u00e9.<br \/>\nCotidiano entre drogas e armas<br \/>\nLocalizado entre Col\u00f4mbia e Peru, os maiores produtores mundiais de coca\u00edna, o Equador j\u00e1 era rota de tr\u00e2nsito das drogas para os portos. O tr\u00e1fico de drogas se instalou \u00e0 vontade, criou um mercado interno e, do porto de Guayaquil, envia centenas de toneladas para a Europa e para os Estados Unidos.<br \/>\nEm 2021, as autoridades apreenderam 210 toneladas de drogas e, este ano, j\u00e1 foram 160.<br \/>\nSoldados revistam moradores durante opera\u00e7\u00e3o militar no Socio Vivienda 2, bairro em Guayaquil, Equador, em outubro de 2022<br \/>\nMARCOS PIN \/ AFP<br \/>\nFor\u00e7as militares e policiais ocupam a entrada de Socio Vivienda II, que \u00e9 a vizinhan\u00e7a mais perigosa de &#8220;Guayakill&#8221; \u2014 o neologismo se popularizou nas redes, pois &#8220;kill&#8221; significa &#8220;matar&#8221; em ingl\u00eas. Na favela, 20 homens uniformizados de preto, com coletes \u00e0 prova de balas, balaclavas e pistolas, andam de motocicleta.<br \/>\nCerca de 24.000 pessoas vivem ali. As disputas entre gangues, que come\u00e7aram em 2019, s\u00e3o mais frequentes e for\u00e7aram o fechamento tempor\u00e1rio de escolas no \u00faltimo m\u00eas e meio.<br \/>\nAntes eram conhecidos como gangues, mas depois &#8220;come\u00e7aram a se identificar como Lobos e Tiguerones, e a situa\u00e7\u00e3o piorou&#8221;, diz uma l\u00edder comunit\u00e1ria de 45 anos que preferiu n\u00e3o se identificar. &#8220;O grupo dos \u00c1guilas opera mais acima, no morro.&#8221;<br \/>\n&#8220;As quadrilhas criminosas est\u00e3o mais armadas do que a pr\u00f3pria pol\u00edcia&#8221;, afirma o major Robinson S\u00e1nchez, chefe de opera\u00e7\u00f5es do setor. \u00c9 uma &#8220;guerra&#8221; de pistolas contra fuzis.<br \/>\nQuando eclodiu a disputa pelo controle territorial, as fam\u00edlias ergueram port\u00f5es de metal em cada extremidade das ruas para impedir a entrada de criminosos, mas a pol\u00edcia os derrubou em suas interven\u00e7\u00f5es. Agora, conta a l\u00edder, as balas zumbem de um canto para o outro.<br \/>\nDurante uma patrulha, os agentes param em frente a uma casa e entram \u00e0 for\u00e7a. N\u00e3o encontram armas, nem drogas, apenas tr\u00eas jovens com tatuagens nos bra\u00e7os com o nome &#8220;Tiguer\u00f3n&#8221; em letra cursiva, mas isso \u00e9 insuficiente para det\u00ea-los.<br \/>\nO crime organizado usa crian\u00e7as de 10, 12 anos como sentinelas, ou informantes. \u00c0 medida que &#8220;crescem&#8221; na organiza\u00e7\u00e3o, ganham o direito \u00e0 tatuagem \u2014 mas n\u00e3o sem antes ter cometido um crime.<br \/>\nAqui e ali, v\u00ea-se os chamados &#8220;zumbis&#8221;, ou consumidores de H, um res\u00edduo de hero\u00edna que \u00e9 vendido a 25 centavos de d\u00f3lar (1,34 real) por grama. E carros de luxo tamb\u00e9m entrem para carregar, ou deixar drogas, debaixo do nariz da pol\u00edcia, comenta a l\u00edder do bairro.<br \/>\nTemendo que seus filhos sejam recrutados, as fam\u00edlias abandonam suas casas e, assim que saem, as gangues &#8220;j\u00e1 se instalam&#8221; nelas, acrescenta.<br \/>\nMassacres frequentes nas pris\u00f5es<br \/>\nEm 29 de setembro de 2021, Tyrone Paredes, o filho mais velho dos quatro de Myrta Preciado, morreu no pior massacre j\u00e1 ocorrido em uma pris\u00e3o equatoriana. Estava detido h\u00e1 um ano por roubo na penitenci\u00e1ria de Guayas 1.<br \/>\nSeu corpo estava entre os 122 mortos em um confronto que durou horas.<br \/>\nMyrta Preciado, m\u00e3e de Tyrone Paredes, v\u00edtima de massacre em pris\u00e3o no Equador, chora durante entrevista \u00e0 AFP<br \/>\nMARCOS PIN \/ AFP<br \/>\nMyrta, uma dona de casa de 44 anos que mora na cidade de Dur\u00e1n, perto de Guayaquil, n\u00e3o imaginava que seu filho estivesse entre as v\u00edtimas, porque ele n\u00e3o fazia parte das &#8220;gangues&#8221;. O corpo do jovem de 27 anos foi um dos \u00faltimos a ser identificado: as pernas e a m\u00e3o esquerda foram mutiladas, e em partes ele tamb\u00e9m foi queimado.<br \/>\n&#8220;Meu filho n\u00e3o teve a cabe\u00e7a arrancada como os outros, e tinha uma cicatriz na sobrancelha e uma bola de carne atr\u00e1s da orelha&#8221;, conta a mulher. Esses sinais, mais um teste de DNA, confirmaram que era ele.<br \/>\nA m\u00e3e nunca recebeu explica\u00e7\u00f5es oficiais, ou mesmo ajuda psicol\u00f3gica. Sentada no sof\u00e1 de sua casa, Myrta estende uma foto colorida de Tyrone. &#8220;Filho, por que mataram voc\u00ea?&#8221;, pergunta-se.<br \/>\nPara as autoridades forenses, o desafio n\u00e3o \u00e9 pequeno. &#8220;Antes n\u00e3o enfrent\u00e1vamos a crueldade a desfigura\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas. V\u00edamos o uso de armas pequenas, rev\u00f3lveres. Mas agora enfrentamos fuzis, granadas, explosivos. A viol\u00eancia cresceu muito&#8221;, descreve o chefe da Medicina Legal, major de pol\u00edcia Luis Alfonso Merino.<br \/>\nQuando epis\u00f3dios como esse acontecem nas penitenci\u00e1rias, os presos notificam o que est\u00e1 para acontecer via WhatsApp, explica Billy Navarrete, da ONG Comit\u00ea de Defesa dos Direitos Humanos. &#8220;Finalmente chega o dia, e come\u00e7amos a ouvir tiros e detona\u00e7\u00f5es. Fam\u00edlias se re\u00fanem em frente \u00e0s pris\u00f5es \u2014 e a for\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o para os ataques entre um pavilh\u00e3o e outra&#8221;, afirma Navarrete. &#8220;L\u00e1 eles se matam.&#8221;<br \/>\nSegundo o ativista, os presos s\u00e3o &#8220;ref\u00e9ns das gangues&#8221; que tomaram as pris\u00f5es para transform\u00e1-las em centros de opera\u00e7\u00f5es &#8220;seguros&#8221;. Os detentos devem pagar entre US$ 400 e US$ 500 (R$ 2136 e R4 2670) por m\u00eas para essas organiza\u00e7\u00f5es. &#8220;Eles pagam pela vida, pela comida, pelos rem\u00e9dios, por tudo&#8221;, conta.<br \/>\nUma parente de um detento \u00e9 removida pela pol\u00edcia enquanto esperava not\u00edcias de seu ente querido, do lado de fora da Penitenci\u00e1ria do Litoral em Guayaquil, Equador, outubro de 2022<br \/>\nAP Photo\/Cesar Munoz<br \/>\nMesmo quando um deles \u00e9 morto, a fam\u00edlia deve continuar pagando a &#8220;d\u00edvida&#8221;. &#8220;O dinheiro \u00e9 depositado em uma conta, ou seja, entra no sistema financeiro, \u00e9 toda uma rede sem nenhuma investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Navarrete.<br \/>\nA ONG registra 600 presos assassinados desde 2019 e 3.000 menores e adolescentes \u00f3rf\u00e3os como resultado. A popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria chega a 32.400 pessoas em todo pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;O Estado n\u00e3o governa as pris\u00f5es&#8221;, diz o ativista. &#8220;[Os centros de deten\u00e7\u00e3o est\u00e3o sob o controle de] organiza\u00e7\u00f5es criminosas com a cumplicidade de agentes da for\u00e7a p\u00fablica que permitem, toleram e se enriquecem com o tr\u00e1fico de armas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2022, at\u00e9 agora, foram 1.200 homic\u00eddios, 60% a mais que no mesmo per\u00edodo do ano passado, segundo dados oficiais. Cidade tamb\u00e9m sofre com massacres frequentes em pris\u00f5es da regi\u00e3o. A pol\u00edcia guarda os arredores do est\u00e1dio Monumental, onde acontecer\u00e1 a final da Libertadores, em Guayaquil, Equador, em outubro de 2022 GERARDO MENOSCAL \/ AFP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13684","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13684\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}