{"id":13411,"date":"2022-10-28T09:10:53","date_gmt":"2022-10-28T09:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/28\/os-trabalhos-dos-sonhos-que-se-transformam-em-pesadelos\/"},"modified":"2022-10-28T09:10:53","modified_gmt":"2022-10-28T09:10:53","slug":"os-trabalhos-dos-sonhos-que-se-transformam-em-pesadelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/28\/os-trabalhos-dos-sonhos-que-se-transformam-em-pesadelos\/","title":{"rendered":"Os &#8216;trabalhos dos sonhos&#8217; que se transformam em pesadelos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/yc2JLWcNvDdqXHMRf0MmlujkjR8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/p\/N\/DIzBPtRa2eu8YGzTAbNw\/sf65d.jpg\"><br \/>   Ter um emprego e ser apaixonado por ele \u00e9 \u00f3timo, mas alguns profissionais est\u00e3o deixando os empregos dos seus sonhos, em busca de estabilidade e seguran\u00e7a. Geralmente, os profissionais sempre esperam conseguir um cargo que combine seus interesses e paix\u00f5es<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nCom 25 anos de idade, Andrew estava progredindo em sua carreira na \u00e1rea da culin\u00e1ria, como confeiteiro em um restaurante recomendado pelo guia Michelin na Esc\u00f3cia.<br \/>\nTodas as sobremesas deliciosas e os bolos finamente esculpidos na cozinha eram cria\u00e7\u00f5es dele. Ele finalmente ocupava um cargo que havia passado anos desejando e procurando.<br \/>\n Andrew havia atingido esse n\u00edvel depois de apenas seis anos no setor de hotelaria e alimenta\u00e7\u00e3o. Ele come\u00e7ou com 19 anos de idade, como auxiliar de cozinha, em um hotel na sua cidade-natal no oeste da Esc\u00f3cia, e rapidamente foi promovido para chef j\u00fanior.<br \/>\nCom 21 anos, ele foi aprendiz de chef em um premiado hotel da regi\u00e3o dos Lagos, no norte da Inglaterra. Ao mesmo tempo, Andrew estudava confeitaria obstinadamente nas horas vagas. Ele estava pronto para dedicar sua vida a aperfei\u00e7oar seus conhecimentos. &#8220;Era tudo o que me importava&#8221;, conta ele.<br \/>\nMas, no auge da carreira, trabalhando no emprego dos seus sonhos em um renomado restaurante, ele pediu demiss\u00e3o.<br \/>\nCom 26 anos de idade, ele voltou a estudar, desta vez em um curso de gradua\u00e7\u00e3o de quatro anos em desenvolvimento de software. Ele havia abandonado n\u00e3o s\u00f3 o emprego para o qual ele havia se dedicado tanto, mas o setor hoteleiro como um todo.<br \/>\nPara Andrew, a virada veio quando, depois de finalmente conseguir o cargo de destaque que tanto desejava, ele percebeu que o trabalho exaustivo que era necess\u00e1rio n\u00e3o valia a pena. &#8220;Dos 19 aos 25 anos, todo aquele per\u00edodo da minha vida, eu simplesmente me sacrifiquei&#8221;, ele conta. &#8220;Todos os outros estavam se divertindo e eu basicamente era um servo na cozinha.&#8221;<br \/>\nAndrew percebeu que, ao longo de toda a sua carreira, ele se sentiu sobrecarregado, subvalorizado e mal pago.<br \/>\n&#8220;Eu estava trabalhando 65 a 70 horas por semana e recebendo [um sal\u00e1rio de] 20 mil libras (cerca de R$ 123 mil) por ano&#8221;, afirma ele. &#8220;Eu era respons\u00e1vel pelo setor [de confeitaria]. Estava criando a maioria das sobremesas&#8230; por 5,95 libras (cerca de R$ 37) por hora. Eu comecei a pensar, &#8216;por t\u00e3o pouco dinheiro, o que estou fazendo com a minha vida? Como assim, fiquei maluco?&#8217;.&#8221;<br \/>\nGeralmente, os profissionais esperam conseguir um cargo que combine seus interesses e paix\u00f5es. Afinal, parece um \u00f3timo neg\u00f3cio trocar a rotina do escrit\u00f3rio por aquela sonhada padaria ou por um cargo divertido em uma empresa de videogames.<br \/>\nMas essa narrativa de &#8220;fazer o que voc\u00ea ama&#8221; traz desvantagens. Muitas pessoas percebem que o emprego dos sonhos exige mais trabalho, sob condi\u00e7\u00f5es piores. Outros descobrem que os setores que eles idolatram aproveitam-se das paix\u00f5es dos profissionais e pagam baixos sal\u00e1rios.<br \/>\nDiante dessas press\u00f5es, alguns profissionais est\u00e3o se perguntando se o emprego dos sonhos realmente vale a pena.<br \/>\nPaix\u00e3o x sal\u00e1rio<br \/>\nNos dias atuais, mais do que nunca, a ideia de que a felicidade e o sucesso dependem de trabalhar em um emprego &#8220;divertido&#8221; \u2014 um cargo pelo qual voc\u00ea \u00e9 apaixonado, em um ambiente de trabalho interessante e invej\u00e1vel \u2014 \u00e9 um consenso.<br \/>\n&#8220;Esse tipo de pensamento vem se manifestando h\u00e1 alguns anos, mas tornou-se realmente expl\u00edcito durante os lockdowns, sobre seguir sua paix\u00e3o e [buscar] o emprego dos sonhos&#8221;, afirma Eleanor Twedell, coach profissional e autora do livro Why Losing Your Job Could be the Best Thing that Ever Happened to You (&#8220;Por que perder seu emprego poder\u00e1 ser a melhor coisa que j\u00e1 aconteceu a voc\u00ea&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nSegundo uma pesquisa do portal americano de freelancers Fiverr no final de 2020, 59% dos 2 mil americanos pesquisados acreditam que a pandemia de covid-19 incentivou as pessoas a buscar os empregos dos seus sonhos.<br \/>\nE a maioria dos participantes (71%) viu-se buscando seu emprego dos sonhos algum dia, enquanto 45% acreditavam que era poss\u00edvel dedicar-se a ele em tempo integral.<br \/>\nMas os redirecionamentos de carreiras em busca do emprego dos sonhos nem sempre funcionam como as pessoas esperam, especialmente se os empregadores se aproveitarem da paix\u00e3o dos seus funcion\u00e1rios.<br \/>\n&#8220;Os funcion\u00e1rios que adoram seus empregos ou realmente valorizam seu trabalho est\u00e3o dispostos a suportar condi\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis do que outros, como hor\u00e1rios de trabalho fora do padr\u00e3o ou baixos sal\u00e1rios&#8221;, segundo Laura Giurge, professora de ci\u00eancias do comportamento da London School of Economics and Political Science.<br \/>\n&#8220;E, at\u00e9 certo ponto, os empregadores podem saber disso e, portanto, pedir a esses funcion\u00e1rios dedicados e apaixonados que assumam trabalho adicional ou enfrentem condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis&#8221;, afirma ela.<br \/>\nEsta pr\u00e1tica de explora\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o \u00e9 particularmente proeminente nos setores de cria\u00e7\u00e3o. Uma pesquisa de 2019 demonstrou que os trabalhos mais criativos no Reino Unido, como o de jornalista, estilista de moda, m\u00fasico e designer de jogos, ficavam abaixo da m\u00e9dia salarial anual.<br \/>\nOs empregos em setores de cria\u00e7\u00e3o, como o teatro, costumam pagar sal\u00e1rios abaixo da m\u00e9dia<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nE trabalhar de gra\u00e7a \u00e9 comum: segundo uma pesquisa entre profissionais de cria\u00e7\u00e3o do Reino Unido em 2020, 47% das pessoas com menos de 30 anos de idade afirmaram que haviam feito um est\u00e1gio n\u00e3o remunerado para garantir o emprego dos seus sonhos.<br \/>\nSegundo o mesmo estudo, 60% das pessoas abaixo de 30 anos afirmaram que n\u00e3o haviam sido pagas por todas as horas em que haviam trabalhado no m\u00eas anterior.<br \/>\nUm estudo de 2019 segue o mesmo caminho para explicar por que isso acontece. A pesquisa concluiu que as pessoas consideravam que tratar mal os funcion\u00e1rios \u2014 como pedindo para que eles realizassem tarefas adicionais ou trabalhassem por mais horas sem pagamento \u2014 era mais leg\u00edtimo quando se acreditava que os profissionais eram apaixonados pelo seu trabalho.<br \/>\nAndrew afirma que reconheceu esse fen\u00f4meno logo de in\u00edcio no setor hoteleiro. &#8220;Eles basicamente constroem todos os neg\u00f3cios com base na explora\u00e7\u00e3o de outras pessoas&#8221;, explica ele.<br \/>\nE, apesar da sua realiza\u00e7\u00e3o inicial, a paix\u00e3o que ele tinha pelo trabalho o impediu de pedir demiss\u00e3o por anos. &#8220;Quando comecei no bar, minha ambi\u00e7\u00e3o era chegar \u00e0quele n\u00edvel qualificado pelo Michelin&#8221;, relembra ele. &#8220;Por isso, decidi que o dinheiro n\u00e3o importava, mas \u00e9 claro que importa.&#8221;<br \/>\nEsse desprezo inicial pela seguran\u00e7a financeira \u00e9 algo que Twedell observa com frequ\u00eancia entre seus clientes que buscam uma carreira com mais realiza\u00e7\u00e3o. Muitas vezes, \u00e9 um comportamento que ela, como coach, precisa eliminar.<br \/>\n&#8220;Na verdade, n\u00f3s trabalhamos por dinheiro&#8221;, afirma ela. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 vergonha nisso. A maioria de n\u00f3s trabalha porque precisa do dinheiro.&#8221;<br \/>\nPor isso, em vez de incentivar um cliente a ter um in\u00edcio de carreira arriscado para tornar-se confeiteiro, Twedell pergunta o que o cliente realmente quer, n\u00e3o do seu trabalho, mas da sua vida.<br \/>\n&#8220;Muitas pessoas respondem &#8216;eu quero liberdade, longe do hor\u00e1rio das nove \u00e0s cinco&#8217;. Por isso, elas conseguiam o emprego desejado e percebiam, &#8216;meu Deus, n\u00e3o existe liberdade aqui. Preciso trabalhar ainda mais para ganhar o mesmo que ganhava antes&#8217;.&#8221;<br \/>\nTwedell afirma que, para algumas pessoas, mudar para um emprego mais tradicional e abandonar o emprego dos sonhos pode ser libertador \u2014 algo que Josh Mansker viveu oito anos atr\u00e1s.<br \/>\nMansker passou quatro anos em teatros dos Estados Unidos, trabalhando como iluminador e t\u00e9cnico de som, uma carreira que ele foi inspirado a buscar depois de fazer parte da comunidade dos &#8220;meninos do teatro&#8221; no ensino m\u00e9dio. Mas, aos 23 anos de idade, ele ficou frustrado porque ele e seus colegas ele n\u00e3o estavam conseguindo ganhar muito.<br \/>\n&#8220;Olhei para os colegas que estavam na casa dos 30 e 40 anos de idade e todos eles realmente tinham dificuldades financeiras, lutando para conseguir manter uma fam\u00edlia, o que era algo importante para mim&#8221;, relembra ele.<br \/>\nMansker ent\u00e3o tomou a dif\u00edcil decis\u00e3o de deixar para tr\u00e1s seu emprego dos sonhos e requalificar-se. Ele agora trabalha em Toronto como professor de escola secund\u00e1ria e ganha mais do que algum dia j\u00e1 ganhou no teatro.<br \/>\n&#8220;Tenho todos os benef\u00edcios de ser professor e um \u00f3timo sal\u00e1rio&#8221;, afirma ele. &#8220;O sal\u00e1rio de professor normalmente \u00e9 muito baixo, mas em Toronto n\u00e3o \u00e9 ruim.&#8221;<br \/>\nSeu cronograma de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 combinado com o da sua esposa, que tamb\u00e9m \u00e9 professora. Com isso, o casal pode passar as f\u00e9rias de ver\u00e3o juntos.<br \/>\nUm emprego na sua \u00e1rea de interesse n\u00e3o significa, necessariamente, que as condi\u00e7\u00f5es e os benef\u00edcios ser\u00e3o bons<br \/>\nGETTY IMAGES<br \/>\nPor que as prote\u00e7\u00f5es e a estrutura s\u00e3o importantes<br \/>\nPode parecer excesso de zelo chamar um emprego com hor\u00e1rio de trabalho das nove \u00e0s cinco de libertador, mas, para alguns profissionais, um emprego &#8220;normal&#8221; pode fornecer a estrutura e o apoio que o emprego &#8220;agrad\u00e1vel&#8221; n\u00e3o consegue oferecer.<br \/>\nFoi o caso de Adrian, que trabalhava como caixa em um banco. Depois de ser demitida no in\u00edcio da pandemia, um amigo a ajudou a encontrar uma vaga em uma farm\u00e1cia que oferecia cannabis no seu Estado-natal do Maine, nos Estados Unidos, que legalizou o seu uso medicinal e recreativo.<br \/>\nEsta \u00e9 uma \u00e1rea que a interessa. &#8220;Eu pr\u00f3pria uso cannabis. Muitos dos meus amigos usam, faz parte da rotina da nossa comunidade&#8221;, afirma Adrian.<br \/>\nE ela foi feliz por algum tempo, falando apaixonadamente aos clientes sobre a cannabis e ajudando-os a encontrar os produtos que, em alguns casos, estavam ajudando no tratamento de condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Mas alguns clientes n\u00e3o eram t\u00e3o agrad\u00e1veis.<br \/>\n&#8220;O que realmente me fez sair foram os diversos incidentes com um cliente que me importunava sexualmente, a mim e \u00e0s outras mulheres atendentes [vendedoras da farm\u00e1cia]&#8221;, ela conta. &#8220;N\u00e3o fizeram muito sobre isso. Eles [os empregadores] queriam o dinheiro, ent\u00e3o nada acontecia com ele.&#8221;<br \/>\nDesmoralizada com a experi\u00eancia e cansada depois de dois anos trabalhando por longas horas e na maioria dos fins de semana, Adrian retornou ao mundo banc\u00e1rio, onde ela agora se sente mais protegida contra esses casos e mais bem atendida enquanto funcion\u00e1ria.<br \/>\n&#8220;Agora, no banco, tenho um cronograma de trabalho bem definido e melhores hor\u00e1rios. Eu trabalho das 8 da manh\u00e3 \u00e0s 4 horas da tarde e tenho todos os fins de semana de folga&#8221;, afirma ela.<br \/>\n&#8220;E as licen\u00e7as remuneradas s\u00e3o outro ponto importante. Nas farm\u00e1cias, n\u00e3o h\u00e1 licen\u00e7as remuneradas. Se ficar doente, voc\u00ea n\u00e3o recebe o pagamento daquele dia. N\u00e3o havia nenhum benef\u00edcio. O benef\u00edcio era a erva gr\u00e1tis sempre que ela chegava, o que n\u00e3o era t\u00e3o frequente assim&#8221;, ela conta.<br \/>\nComo desistir do sonho<br \/>\nAdrian levou dois anos para sair do setor pelo qual era apaixonada. Mansker levou quatro e Andrew, seis.<br \/>\nEssa mudan\u00e7a dr\u00e1stica na carreira pode levar tempo e a perspectiva de requalifica\u00e7\u00e3o pode ser apavorante. E, em n\u00edvel pessoal, os profissionais podem ter dificuldades para dissociar-se dos seus empregos. Sem uma carreira &#8220;divertida&#8221;, quem eles s\u00e3o?<br \/>\n&#8220;Os adultos passam a maior parte do tempo no trabalho e n\u00e3o surpreende que as pessoas possam vir a equacionar o que elas fazem com o que elas s\u00e3o&#8221;, afirma Laura Giurge. E pode ser muito dif\u00edcil descartar uma identidade profissional quando ela est\u00e1 t\u00e3o interligada com os interesses e as paix\u00f5es do profissional.<br \/>\nMas, se uma pessoa conseguir reconhecer-se como mais que apenas o seu cargo, sua carreira &#8220;menos interessante&#8221; n\u00e3o precisa ser o fim da sua paix\u00e3o, como Mansker felizmente descobriu.<br \/>\n&#8220;Tenho meio que usado aqui as t\u00e9cnicas de teatro da escola&#8221;, ele conta. &#8220;Temos algum equipamento de teatro, eu tenho muitas c\u00e2meras&#8230; posso ensinar \u00e0s crian\u00e7as as coisas que adoro fazer.&#8221;<br \/>\nEmbora Andrew raramente fa\u00e7a bolos ou sobremesas no seu tempo livre \u2014 o cheiro da confeitaria ainda lhe causa n\u00e1useas \u2014, sua nova carreira como programador de software permite que ele tenha tempo \u00e0 noite e nos fins de semana para buscar suas outras paix\u00f5es.<br \/>\n&#8220;No ano passado, voltei a jogar futebol e, alguns meses depois, entrei em um time&#8221;, ele conta. &#8220;Finalmente consegui um emprego no qual posso realmente fazer as coisas de que gosto.&#8221;<br \/>\nAgora com 31 anos, livre do setor de alimenta\u00e7\u00e3o, com sal\u00e1rio em r\u00e1pido crescimento e, finalmente, bem descansado, Andrew est\u00e1 disposto a treinar outras pessoas para que elas saiam da &#8220;armadilha da paix\u00e3o&#8221; na qual ele se encontrava.<br \/>\n&#8220;Se voc\u00ea j\u00e1 se cansou e quer mudar, voc\u00ea pode&#8230; Se quiser fazer uma mudan\u00e7a, fa\u00e7a, porque voc\u00ea n\u00e3o vai se arrepender.&#8221;<br \/>\nAndrew e Adrian est\u00e3o usando seus nomes do meio por motivos de seguran\u00e7a profissional.<br \/>\nEste texto foi publicado em http:\/\/bbc.co.uk\/portuguese\/vert-cap-63411663<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter um emprego e ser apaixonado por ele \u00e9 \u00f3timo, mas alguns profissionais est\u00e3o deixando os empregos dos seus sonhos, em busca de estabilidade e seguran\u00e7a. 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