{"id":12987,"date":"2022-10-26T16:10:47","date_gmt":"2022-10-26T16:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/26\/argentina-1985-como-foi-o-julgamento-historico-que-revelou-horrores-da-ditadura\/"},"modified":"2022-10-26T16:10:47","modified_gmt":"2022-10-26T16:10:47","slug":"argentina-1985-como-foi-o-julgamento-historico-que-revelou-horrores-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/26\/argentina-1985-como-foi-o-julgamento-historico-que-revelou-horrores-da-ditadura\/","title":{"rendered":"&#8216;Argentina, 1985&#8217;: como foi o julgamento hist\u00f3rico que revelou horrores da ditadura\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/2Ibt1rNPov4klNcxe4ubJkar0wM=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/e\/H\/yxwqkWRyGwwIuikUhqpw\/argentina-1985-foto1.jpg\"><br \/>   Filme conta a hist\u00f3ria do julgamento das juntas militares que governaram o pa\u00eds ap\u00f3s o golpe, realizado menos de dois anos ap\u00f3s o retorno da democracia. Ricardo Dar\u00edn e Peter Lanzani interpretam os protagonistas do drama &#8220;Argentina 1985&#8221;<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nPoucos dias antes de 22 de abril de 1985, o juiz Ricardo Gil Lavedra encontrou um colega no Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a de Buenos Aires e, depois de conversarem sobre assuntos corriqueiros, o outro magistrado perguntou incr\u00e9dulo a ele: &#8220;Me diz uma coisa, voc\u00eas realmente v\u00e3o fazer esse julgamento?&#8221;<br \/>\n&#8220;Esse julgamento&#8221; sobre o qual o colega de Gil Lavedra perguntava n\u00e3o tinha outros precedentes na hist\u00f3ria do s\u00e9culo 20 al\u00e9m do julgamento de Nuremberg, que ocorreu entre 1945 e 1946, sobre os crimes do nazismo, e de um julgamento de 1975 contra coron\u00e9is gregos que lideraram o golpe de Estado no pa\u00eds em 1967.<br \/>\nNa Argentina, tratava-se de julgar em um tribunal civil os nove l\u00edderes das tr\u00eas primeiras juntas militares que governaram o pa\u00eds ap\u00f3s o golpe de Estado de 1976, por crimes que iam desde homic\u00eddio e tortura at\u00e9 priva\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima de liberdade. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos estimam que 30 mil pessoas desapareceram durante aqueles anos.<br \/>\ng1 j\u00e1 viu: &#8216;Argentina, 1985&#8217; explica para novas gera\u00e7\u00f5es como foi ditadura e mostra &#8216;her\u00f3is sem capa&#8217;<br \/>\n A hist\u00f3ria do julgamento chegou \u00e0s telonas com o filme Argentina, 1985, do diretor Santiago Mitre, que estreou nos cinemas argentinos em setembro deste ano, e j\u00e1 foi exibido em festivais como o de Veneza e San Sebasti\u00e1n (neste \u00faltimo, ganhou o pr\u00eamio do p\u00fablico). No Brasil, est\u00e1 dispon\u00edvel no Amazon Prime Video.<br \/>\nO contexto em que o julgamento ocorreu n\u00e3o foi muito prop\u00edcio a n\u00edvel local \u2014 a democracia argentina rec\u00e9m-recuperada ocupava h\u00e1 um ano e meio a Casa Rosada \u2014, nem na regi\u00e3o, como lembra o promotor Luis Moreno Ocampo \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC.<br \/>\n&#8220;No Chile, (Augusto) Pinochet tinha todo o poder; o Uruguai, por referendo popular, se recusou a investigar seus militares; havia oficiais militares em muitos governos da regi\u00e3o, e a Argentina \u2014 como sempre oscila entre o abismo e o topo \u2014 fez algo totalmente inesperado.&#8221;<br \/>\nPor isso, nem sequer os seis ju\u00edzes que iriam presidir as audi\u00eancias tinham certeza de que conseguiriam finalizar o processo:<br \/>\n&#8220;No pr\u00f3prio Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a, nos olhavam como aberra\u00e7\u00f5es, e isso nos gerava uma grande incerteza, n\u00e3o sab\u00edamos se conseguir\u00edamos realizar o julgamento&#8221;, conta Gil Lavedra, que tinha 36 anos na \u00e9poca e era o mais jovem dos seis magistrados.<br \/>\nOs depoimentos<br \/>\nAssista ao trailer do filme &#8220;Argentina, 1985&#8221;<br \/>\nMoreno Ocampo lembra que o julgamento fez parte de um processo que havia come\u00e7ado nas elei\u00e7\u00f5es de 1983, quando a quest\u00e3o dos &#8220;desaparecidos&#8221;, as v\u00edtimas da ditadura cujos corpos n\u00e3o apareciam, se tornou parte da campanha eleitoral que levou Ra\u00fal Alfons\u00edn \u00e0 presid\u00eancia.<br \/>\nAlfons\u00edn criou a Comiss\u00e3o Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), que compilou os depoimentos de sobreviventes e familiares de v\u00edtimas da ditadura, e tentou fazer que os pr\u00f3prios militares julgassem os ex-comandantes, mas acabou sendo a justi\u00e7a civil \u2014 aplicando o C\u00f3digo de Justi\u00e7a Militar \u2014 o cen\u00e1rio do julgamento.<br \/>\n&#8220;Optamos pelo C\u00f3digo de Justi\u00e7a Militar porque possibilitava um julgamento oral e isso tamb\u00e9m dava a melhor prote\u00e7\u00e3o para o tribunal, ou seja, todos podiam ver o que estava acontecendo&#8221;, diz Gil Lavedra.<br \/>\nE o que aconteceu \u00e9 que a crueza dos depoimentos de mais de 800 testemunhas foi registrada todos os dias pelos mais de 500 jornalistas que cobriram o julgamento, e isso \u2014 nas palavras dos protagonistas \u2014 permitiu o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica que havia se mostrado reticente.<br \/>\nMoreno Ocampo, cuja fam\u00edlia tinha uma parte civil e uma parte militar, lembra como sua m\u00e3e, que havia apoiado a ditadura, ligou para ele um dia depois de ouvir v\u00e1rios depoimentos e disse: &#8220;Ainda gosto (do ex-presidente militar Rafael) Videla, mas voc\u00ea est\u00e1 certo: ele tem que ser preso&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os testemunhos para n\u00f3s que cobrimos o julgamento foram tremendos&#8221;, diz o jornalista Marcelo Pichel.<br \/>\n&#8220;Todos os dias era como se um pr\u00e9dio tivesse ca\u00eddo em cima de voc\u00ea. Voc\u00ea sa\u00eda de l\u00e1 meio destru\u00eddo, n\u00e3o havia risadas, n\u00e3o havia nada. Em um vel\u00f3rio, por exemplo, se conta uma piada, ali n\u00e3o havia chance de piada alguma. Tudo o que foi dito era tomado pelo que era&#8230; terr\u00edvel.&#8221;<br \/>\nCada um que teve acesso \u00e0s audi\u00eancias se lembra do depoimento que mais o marcou. Para Pichel, jornalista da publica\u00e7\u00e3o &#8220;El Diario del Juicio&#8221;, criada especificamente para cobrir o julgamento, as declara\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes eram impactantes porque se referiam a pessoas que ele conhecia pessoalmente, outras pela aberra\u00e7\u00e3o das torturas: &#8220;Me lembro do caso do depoimento da fam\u00edlia de Floreal Avellaneda. Tudo o que aconteceu com crian\u00e7as e mulheres do\u00eda mais. O caso dele fala de uma crueldade que superou tudo o que se poderia esperar, que se imaginava na Arg\u00e9lia dos franceses ou na Nicar\u00e1gua de (Anastasio) Somoza: eram bestas, nem sequer animais, e ainda me d\u00f3i lembrar disso&#8221;.<br \/>\nLe\u00f3n Arslani\u00e1n, o juiz que presidiu o tribunal e, portanto, leu a senten\u00e7a, ainda guarda em sua mem\u00f3ria o depoimento de Adriana Calvo de Laborde, que havia sido sequestrada quando estava gr\u00e1vida e prestes a dar \u00e0 luz:<br \/>\n&#8220;Ela teve o filho, foi tratada da pior maneira, arrancaram a placenta dela, a jogaram no ch\u00e3o, for\u00e7aram ela nua a lavar todo o lugar&#8221;, diz ele \u00e0 BBC News Mundo.<br \/>\n&#8220;Nunca nos acostumamos de ouvir hist\u00f3rias horr\u00edveis, n\u00e3o importa o n\u00famero de depoimentos&#8221;, observa Gil Lavedra.<br \/>\n&#8220;Por exemplo, no final das audi\u00eancias, em agosto, quando j\u00e1 ach\u00e1vamos que t\u00ednhamos uma certa coura\u00e7a, veio um (depoimento) terr\u00edvel do Hospital Posadas de Gladys Cuervo, uma enfermeira que foi brutalmente torturada, e voltamos a nos comover como no primeiro dia.&#8221;<br \/>\nMas como foi para as testemunhas prestarem depoimento no julgamento?<br \/>\nPara Marcelo Pichel, os ju\u00edzes fizeram o seu trabalho, os promotores foram uma esp\u00e9cie de &#8220;mission\u00e1rios&#8221; encarregados da parte mais sens\u00edvel do processo, mas &#8220;quem deu valor foram as testemunhas&#8221;.<br \/>\nMiriam Lewin, que foi sequestrada aos 19 anos e passou por dois centros de deten\u00e7\u00e3o clandestinos \u2014 o centro Virrey Cevallos e a Escola de Mec\u00e2nica da Marinha (ESMA) \u2014 lembra que nem todos achavam que as condi\u00e7\u00f5es eram adequadas para testemunhar no tribunal.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o sab\u00edamos se haveria repres\u00e1lias contra n\u00f3s, n\u00f3s que sobrevivemos aos centros clandestinos hav\u00edamos sido fichados e identificados pela intelig\u00eancia militar, e a verdade \u00e9 que a Justi\u00e7a n\u00e3o nos ofereceu seguran\u00e7a, nenhum tipo de cust\u00f3dia, por isso alguns n\u00e3o testemunharam.&#8221;<br \/>\nEla conta que foi aconselhada a n\u00e3o ficar em sua casa e a deixar temporariamente o trabalho nos dias anteriores e posteriores ao depoimento \u2014 &#8220;e isso mostrou que a pr\u00f3pria promotoria entendeu que est\u00e1vamos vulner\u00e1veis&#8221;.<br \/>\nO filme Argentina, 1985 gira em torno do trabalho do Minist\u00e9rio P\u00fablico. O promotor principal era Julio C\u00e9sar Strassera, seu vice era Luis Moreno Ocampo, e \u2014 nas palavras deste \u00faltimo \u2014 eles foram apoiados por um grupo muito particular.<br \/>\n&#8220;Era uma equipe de jovens, porque eu tinha 32 anos, mas na equipe de assistentes, o mais velho tinha 27 e os outros 20, 21 anos. Sete rapazes, dos quais dois eram advogados. Ainda hoje quando nos reunimos, nos perguntamos como fizemos isso.&#8221;<br \/>\nPara Miriam Lewin, o Minist\u00e9rio P\u00fablico forneceu o isolamento que as testemunhas precisavam antes e depois de depor, porque \u2014 como ela mesma descreve \u2014 o cen\u00e1rio do tribunal no Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a era assustador.<br \/>\n&#8220;Era muito imponente, a plataforma sobre a qual os ju\u00edzes estavam, a sala inteira cheia de gente, a \u00e1rea da imprensa, o fato de que nas minhas costas estavam os nove comandantes-em-chefe, os principais respons\u00e1veis daquele governo ileg\u00edtimo que havia assassinado milhares de pessoas, a verdade n\u00e3o contribu\u00eda para a estabilidade emocional, apesar de que obviamente o Minist\u00e9rio P\u00fablico havia tentado tranquilizar as testemunhas que finalmente decidiram falar.&#8221;<br \/>\nEmbora nem sempre, como lembra Moreno Ocampo, os interesses de alguns coincidiam com a dor de outros:<br \/>\n&#8220;Lembro de um dos rapazes da promotoria recebendo uma senhora que explica a ele que o oficial que levou seu filho devolveu a ela os restos mortais numa sacola, alguns ossos e um documento que confirmava que haviam sequestrado aquela pessoa, o que era muito raro, e enquanto ela chorava, o rapaz dizia a ela: &#8216;Senhora, seu caso \u00e9 \u00f3timo&#8217;, porque est\u00e1vamos obcecados em provar os fatos.&#8221;<br \/>\n&#8216;Nunca mais&#8217;<br \/>\nAp\u00f3s os depoimentos das testemunhas em agosto, setembro e outubro, vieram os meses das argumenta\u00e7\u00f5es da promotoria e dos advogados de defesa.<br \/>\nNa mem\u00f3ria dos protagonistas do julgamento, assim como no filme, a figura de Julio C\u00e9sar Strassera e seu discurso final ocupam um lugar de destaque.<br \/>\n&#8220;Eu tinha o general Videla a um metro e meio de dist\u00e2ncia e (Emilio) Massera a tr\u00eas metros, ent\u00e3o foi um momento \u00fanico porque senti que est\u00e1vamos falando em nome da sociedade argentina e poder\u00edamos dizer na cara dessas pessoas o que haviam feito&#8221;, diz Moreno Ocampo.<br \/>\n&#8220;E depois Julio, que realmente se transformava no tribunal, , encerrou sua argumenta\u00e7\u00e3o de uma forma que foi maravilhosa e que emocionou a todos, quando ele disse: &#8216;Senhores ju\u00edzes, nunca mais&#8217;, o tribunal vibrava, e as pessoas choravam. Foi incr\u00edvel.&#8221;<br \/>\nPara Arslani\u00e1n, o promotor Julio Strassera \u2014 interpretado pelo ator Ricardo Dar\u00edn no filme \u2014 teve, como dizem os franceses, o physique du role para assumir a fun\u00e7\u00e3o que desempenhou nesse julgamento oral:<br \/>\n&#8220;Era um homem culto, e o cigarro havia dado a ele um tom de voz que era extraordinariamente prop\u00edcio ao que ele estava fazendo.&#8221;<br \/>\nSantiago Mitre, diretor do filme Argentina, 1985, disse \u00e0 BBC News Mundo que quando come\u00e7ou a pesquisar sobre Strassera, &#8220;come\u00e7aram a aparecer muitos ingredientes porque ele era uma pessoa muito particular e poderia se transformar em um personagem muito atraente em um filme, essa personalidade um pouco explosiva que ele tinha com seu humor meio estranho.&#8221;<br \/>\nAl\u00e9m das caracter\u00edsticas do promotor, falecido em fevereiro de 2015, o cineasta considerou outro aspecto ao focar nos jovens integrantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico: sua audi\u00eancia.<br \/>\nO filme e a mem\u00f3ria<br \/>\n&#8220;H\u00e1 gera\u00e7\u00f5es na Argentina que nasceram dando a democracia como algo certo. E eles n\u00e3o se lembram, n\u00e3o s\u00f3 do julgamento, como mal se lembram da ditadura, e acham que \u00e9 algo pr\u00e9-hist\u00f3rico&#8221;, afirma Mitre \u00e0 BBC News Mundo.<br \/>\nPara o diretor, no pa\u00eds sul-americano se v\u00ea \u2014 como em outras partes do mundo \u2014 muitos jovens reproduzindo discursos bastante reacion\u00e1rios e quase reivindicadores de governos ditatoriais.<br \/>\n&#8220;A imagem de Strassera com sua equipe de jovens, a forma como organizou a investiga\u00e7\u00e3o tendo que recorrer aos jovens porque a maioria dos oficiais da Justi\u00e7a n\u00e3o acreditava ou n\u00e3o queria o julgamento por apatia ou por medo ou por adscri\u00e7\u00e3o em algum caso, me pareceu muito inspiradora, principalmente considerando que esse filme tinha que falar com esses jovens que lembram pouco da ditadura.&#8221;<br \/>\n&#8220;Se algu\u00e9m v\u00ea este filme e ouve o testemunho de Adriana Calvo de Laborde, me parece que \u00e9 dif\u00edcil que volte a relativizar a democracia&#8221;, conclui o diretor.<br \/>\nPara Marcelo Pichel, &#8220;o filme pode ajudar, mas n\u00e3o basta, o fundamental \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\n&#8220;H\u00e1 uma batalha cultural que est\u00e1 se perdendo com o tempo. A sociedade n\u00e3o consegue responder. A Alemanha continua falando de nazismo nas escolas. E acredito que aqui a educa\u00e7\u00e3o deve explicar o que aconteceu durante a ditadura porque \u00e9 a \u00fanica maneira de n\u00e3o repetir&#8221;, avalia o jornalista.<br \/>\nEm 9 de dezembro de 1985, os ju\u00edzes leram a senten\u00e7a de 709 casos apresentados durante o julgamento. Videla e Massera foram condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua; Orlando Agosti foi condenado a quatro anos e seis meses de pris\u00e3o; Roberto Viola, a 17 anos; e Armando Lambruschini, a oito anos; Omar Graffigna, Fortunato Galtieri, Jorge Anaya e Basilio Lami Dozo foram absolvidos.<br \/>\nAnos depois, alguns dos condenados receberam indultos, e alguns dos absolvidos foram condenados, em casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos que continuam at\u00e9 hoje na Argentina.<br \/>\nEste texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63387423<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filme conta a hist\u00f3ria do julgamento das juntas militares que governaram o pa\u00eds ap\u00f3s o golpe, realizado menos de dois anos ap\u00f3s o retorno da democracia. 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