{"id":12737,"date":"2022-10-25T22:12:37","date_gmt":"2022-10-25T22:12:37","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/25\/darcy-ribeiro-100-anos-do-visionario-que-lutou-por-indigenas-pela-educacao-e-fugiu-de-uti-para-concluir-livro\/"},"modified":"2022-10-25T22:12:37","modified_gmt":"2022-10-25T22:12:37","slug":"darcy-ribeiro-100-anos-do-visionario-que-lutou-por-indigenas-pela-educacao-e-fugiu-de-uti-para-concluir-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/25\/darcy-ribeiro-100-anos-do-visionario-que-lutou-por-indigenas-pela-educacao-e-fugiu-de-uti-para-concluir-livro\/","title":{"rendered":"Darcy Ribeiro: 100 anos do vision\u00e1rio que lutou por ind\u00edgenas, pela educa\u00e7\u00e3o e fugiu de UTI para concluir livro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/K1XiMhFOVMI1DyZSMX_OZeOJOUk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/j\/t\/ScBPQ0RraMNBqb6JJTkw\/darcy-ribeiro.jpg\"><br \/>   Trajet\u00f3ria do antrop\u00f3logo, etim\u00f3logo, educador, escritor e pol\u00edtico, um dos maiores intelectuais brasileiros do s\u00e9culo 20, \u00e9 celebrada por ocasi\u00e3o de seu centen\u00e1rio de nascimento. Darcy Ribeiro dedicou boa parte da sua vida aos povos ind\u00edgenas<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar)<br \/>\n&#8220;Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crian\u00e7as brasileiras, n\u00e3o consegui. Tentei salvar os \u00edndios, n\u00e3o consegui. Tentei fazer uma universidade s\u00e9ria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos s\u00e3o minhas vit\u00f3rias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.&#8221;<br \/>\nEsse trecho do discurso que o antrop\u00f3logo, etim\u00f3logo, educador, escritor e pol\u00edtico Darcy Ribeiro (1922-1997) proferiu na Universidade Sorbonne, em Paris, quando recebeu o t\u00edtulo de Doutor Honoris Causa, resume a singular e brilhante carreira do intelectual mineiro que n\u00e3o ficou circunscrito aos limites da academia.<br \/>\nNesta quarta-feira (26\/10), sua vida e obra s\u00e3o celebradas e relembradas por ocasi\u00e3o de seu centen\u00e1rio de nascimento.<br \/>\n Ele mesmo costumava dizer que era um homem com muitas vidas. Suas expedi\u00e7\u00f5es acabaram virando livros e filmes, e s\u00e3o vistas hoje por acad\u00eamicos e por seus seguidores como uma das etapas &#8220;vision\u00e1rias&#8221; na sua trajet\u00f3ria.<br \/>\n&#8220;Vision\u00e1rio&#8221; foi a defini\u00e7\u00e3o citada tanto pelo indigenista Toni Lotar, conselheiro da Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar), no Rio de Janeiro, que observou a preocupa\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo com os ind\u00edgenas e o meio ambiente, como pelo professor argentino da Universidade San Martin (Unsam), de Buenos Aires, Andr\u00e9s Kozel, coautor do livro Os futuros de Darcy Ribeiro (Elefante Editora), lan\u00e7ado neste ano.<br \/>\n&#8220;Darcy estudou muitos assuntos que hoje estamos vivendo&#8221;, disse Kozel.<br \/>\nDarcy viveu por anos com povos ind\u00edgenas brasileiros<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar)<br \/>\nSeu amigo e escritor Eric Nepomuceno, que o visitou at\u00e9 os \u00faltimos de seus dias, disse \u00e0 BBC News Brasil por que entende que Darcy foi um intelectual diferente.<br \/>\n&#8220;Darcy foi um desses pouqu\u00edssimos exemplos de intelectual que n\u00e3o fica de longe examinando n\u00fameros e estudando situa\u00e7\u00f5es para depois teorizar solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o, n\u00e3o: ele, que ao lado de Celso Furtado foi o intelectual brasileiro que mais peso e influ\u00eancia exerceu na Am\u00e9rica Hisp\u00e2nica na segunda metade do s\u00e9culo 20, jamais ficou na contempla\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Nepomuceno.<br \/>\n&#8220;Foi \u00e0 luta, foi \u00e0 realidade. Era um vision\u00e1rio, talvez, mas um vision\u00e1rio que foi para as trincheiras batalhar pelo que acreditava&#8221;, complementa.<br \/>\nApaixonado pela quest\u00e3o ind\u00edgena<br \/>\nQuando tinha 24 anos, mudou-se de S\u00e3o Paulo para uma comunidade ind\u00edgena no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Mais tarde, moraria com outros ind\u00edgenas entre o Par\u00e1 e o Maranh\u00e3o.<br \/>\nEram os anos 1940 e 1950, e Darcy, ex-estudante de medicina, queria entender a vida dos povos origin\u00e1rios. N\u00e3o exatamente pelos estudos espec\u00edficos da Medicina, mas por seu interesse pelos povos. Conta que acabou se apaixonando pela quest\u00e3o e ficou amigo dos ind\u00edgenas.<br \/>\n&#8220;Eu fiz uma coisa pelos \u00edndios que foi criar o Parque do Xingu [em Mato Grosso]. Mas eles fizeram mais por mim. Eles me deram dignidade e hoje posso ir a qualquer pa\u00eds do mundo falar de \u00edndio&#8221;, disse.<br \/>\nNo Di\u00e1rios \u00cdndios, ele relata sua experi\u00eancia com os Urubus-Kaapor, na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A conviv\u00eancia com esse povo foi transformada num filme do alem\u00e3o Heinz Forthmann, que Darcy convidou para acompanh\u00e1-lo em algumas expedi\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas.<br \/>\nDarcy Ribeiro ao lado do Cacique Juruna<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar)<br \/>\n&#8220;Darcy identificou que os Urubus-Kaapor eram os \u00faltimos tupinamb\u00e1s, descendentes diretos deles&#8221;, afirmou a antrop\u00f3loga Gisele Jacon de Ara\u00fajo Moreira, que trabalhou sete anos com o intelectual, desde os tempos em que ele foi senador at\u00e9 seu falecimento.<br \/>\nEntre os fatos p\u00fablicos que marcaram a vida pol\u00edtica de Darcy Ribeiro est\u00e1 a presen\u00e7a do cacique xavante Mario Juruna, que teve seu apoio para ser o primeiro ind\u00edgena eleito deputado federal.<br \/>\nJuruna, que foi do Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (PDT), gravava, com um pequeno gravador, todas as declara\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos. Era uma forma de poder cobrar depois que as palavras fossem cumpridas.<br \/>\nEm dezembro de 1994, ent\u00e3o com 72 anos, Darcy ficou internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), no Rio de Janeiro, e quase morreu. Diferentes ind\u00edgenas tribos fizessem rituais por sua cura.<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita<br \/>\nAo chegar \u00e0 casa dos 30 anos, ap\u00f3s sua vida com os ind\u00edgenas e sua aproxima\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os sertanistas Villas-B\u00f4as, Darcy conviveu com o educador An\u00edsio Teixeira e passou a ter paix\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi um defensor contumaz da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita para todos, como um dos lemas fundamentais no Brasil.<br \/>\n&#8220;Se os governantes n\u00e3o constru\u00edrem escolas, em 20 anos faltar\u00e1 dinheiro para construir pres\u00eddios&#8221;, disse num discurso no in\u00edcio dos anos 1980.<br \/>\nDarcy dizia que, sem a educa\u00e7\u00e3o, os colonizadores acabariam vencendo. &#8220;Darcy era soci\u00f3logo, antrop\u00f3logo, escritor, romancista, pol\u00edtico e estadista&#8221;, afirma o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar), Jos\u00e9 Ronaldo Alves da Cunha.<br \/>\nFoi ministro da Educa\u00e7\u00e3o e chefe da Casa Civil no governo de Jo\u00e3o Goulart (1961-1964), derrubado pelo golpe militar.<br \/>\nEntre os legados de Darcy Ribeiro est\u00e3o o Parque Ind\u00edgena do Xingu, o Museu do \u00cdndio e o Memorial da Am\u00e9rica Latina<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar)<br \/>\nNesse per\u00edodo, o projeto inovador da Universidade de Bras\u00edlia, sem segmenta\u00e7\u00e3o por departamentos, regrediu, recorda o presidente da Fundar. Por isso, naquele discurso na Sorbonne, Darcy disse ter &#8220;fracassado&#8221; ao citar a universidade.<br \/>\nCom a ditadura, Goulart e Darcy se exilaram em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, e o intelectual foi convidado para dar palestras em v\u00e1rias universidades da regi\u00e3o. O tempo no ex\u00edlio acabou tendo influ\u00eancia na sua obra.<br \/>\nEra a &#8220;P\u00e1tria Grande&#8221;, dizia ele, express\u00e3o citada por governos de centro-esquerda e de esquerda da Am\u00e9rica do Sul para se referir \u00e0 regi\u00e3o.<br \/>\nVida pol\u00edtica<br \/>\nDarcy foi filiado ao PDT, vice-governador do Rio de Janeiro no governo de Leonel Brizola e senador da Rep\u00fablica quando criou o projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA lei, aprovada em 1996, \u00e9 chamada de Lei Darcy Ribeiro e estabelece pontos para a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de educa\u00e7\u00e3o, para garantir o acesso de toda a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o gratuita e de qualidade, para valorizar os profissionais da educa\u00e7\u00e3o e do dever da Uni\u00e3o, do Estado e dos munic\u00edpios com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A lei continua em vigor.<br \/>\n&#8220;Darcy era um homem pol\u00edtico. E ele fazia a pol\u00edtica no melhor sentido da express\u00e3o&#8221;, disse Jos\u00e9 Ronaldo. Ele se construiu buscando as &#8220;matrizes&#8221; brasileiras, com os ind\u00edgenas, com os movimentos negros, com a educa\u00e7\u00e3o e com a pol\u00edtica.<br \/>\nEx-integrante do Partido Comunista, nos tempos da juventude, onde dizia ter aprendido muito sobre a import\u00e2ncia de conceitos, por exemplo, da educa\u00e7\u00e3o e da reforma agr\u00e1ria, ele n\u00e3o demonstrava convic\u00e7\u00e3o plena no comunismo e acabou se afastando do partido.<br \/>\nEntre seus amigos, j\u00e1 na idade adulta, estava o arquiteto Oscar Niemeyer, comunista declarado, com quem compartilhava interesses de inclus\u00e3o social.<br \/>\nFoi j\u00e1 nos anos 1980, no governo Brizola, que concretizou o projeto dos Centros Integrados de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica (Cieps). Ele acompanhava as obras das escolas, o curr\u00edculo escolar e defendia a cultura local, recorda Gisele Jacon.<br \/>\nO legado de Darcy Ribeiro tamb\u00e9m inclui o Parque Nacional do Xingu (hoje Parque Ind\u00edgena do Xingu), o Museu do \u00cdndio, o Memorial da Am\u00e9rica Latina, a Universidade Nacional de Bras\u00edlia (que, por ideia dele, tem um &#8220;beij\u00f3dromo&#8221;), o Monumento ao Zumbi dos Palmares e o Samb\u00f3dromo do Rio de Janeiro (que, por ele, seria utilizado como escola nos per\u00edodos fora do Carnaval).<br \/>\nFuga do hospital para escrever<br \/>\nUm m\u00eas ap\u00f3s a interna\u00e7\u00e3o na UTI, considerado um paciente terminal, em janeiro de 1995 Darcy foge do hospital para concluir em uma casa de praia em Maric\u00e1 (RJ) seu livro O Povo Brasileiro &#8211; a Forma\u00e7\u00e3o e o Sentido do Brasil, um cl\u00e1ssico sobre a identidade e as muitas diversidades regionais brasileiras e que virou document\u00e1rio.<br \/>\n&#8216;Por que o Brasil n\u00e3o deu certo? Por que perdemos?&#8217; foram as perguntas feitas por Darcy ao escrever &#8216;O Povo Brasileiro&#8217;<br \/>\nFunda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar)<br \/>\n&#8220;Eu n\u00e3o queria morrer sem terminar esse livro. Eu passei 30 anos e 40 dias escrevendo esse livro&#8221;, recordou tr\u00eas meses depois daquela fuga.<br \/>\n&#8220;Das pouqu\u00edssimas brigas s\u00e9rias que tivemos, uma delas foi porque me recusei a ajudar o Darcy a fugir do hospital. Depois estive um sem-fim de vezes com ele na casa de Maric\u00e1, uma praia perto do Rio, onde se abrigou&#8221;, recordou Nepomuceno.<br \/>\nSobre o livro, Darcy contou em 1995 em entrevista ao programa Roda Viva que queria saber &#8220;por que o Brasil n\u00e3o deu certo. Por que perdemos? Por que mais uma vez a direita ganhou? Porque o Brasil n\u00e3o deu certo do ponto de vista do seu povo?&#8221;.<br \/>\nPara ele, o pa\u00eds era algo novo e que merecia ser estudado, compreendido.<br \/>\n&#8220;O Brasil \u00e9 um g\u00eanero novo humano. Fundir heran\u00e7a gen\u00e9tica e cultural \u00edndia, negra, europeia num g\u00eanero humano novo. Numa coisa nova. Nunca houve. Isso \u00e9 a aventura brasileira&#8221;, disse.<br \/>\nEle morreu dois anos depois, em 1997, em Bras\u00edlia, e naqueles dois \u00faltimos anos de vida ainda escreveu a autobiografia Confiss\u00f5es.<br \/>\nOtimismo e inconformismo<br \/>\nPara o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro, o antrop\u00f3logo e educador era otimista, mas sofria muito com o que ele enxergava do futuro. &#8220;Aquilo que o Brasil poderia ser (&#8230;) e ele sofria pelo que o Brasil ainda n\u00e3o era&#8221;, afirmou.<br \/>\nAo mesmo tempo era definido como otimista, Darcy era tamb\u00e9m inconformado ou indignado, como dizia.<br \/>\n&#8220;A classe dominante sempre se deu bem e continua se dando bem. Mas o pov\u00e3o t\u00e1 a\u00ed, com uma fome que \u00e9 espantosa. Por que h\u00e1 fome nesse pa\u00eds?&#8221;, disse e escreveu h\u00e1 quase 30 anos.<br \/>\nEle provocou prantos no discurso que fez no enterro do cineasta Glauber Rocha, em 1981, ao afirmar que, certa vez, o artista chorava e dizia &#8220;o pa\u00eds que n\u00e3o deu certo&#8221;.<br \/>\n&#8220;Glauber chorava a dor que todos os brasileiros deveriam chorar, a dor das crian\u00e7as com fome no Brasil, a dor do pa\u00eds que n\u00e3o deu certo. Glauber chorava a estupidez, a brutalidade, a mediocridade, a tortura.&#8221;<br \/>\nAo buscar entender a humanidade e, especialmente o Brasil, Darcy Ribeiro dizia que buscava e constatava &#8220;beleza&#8221;. Nepomuceno diz que o intelectual deixou um legado imenso, mas lamenta que o Brasil seja um pa\u00eds &#8220;desmemoriado&#8221;.<br \/>\n&#8220;Recorro ao pr\u00f3prio Darcy para chamar \u00e0 lembran\u00e7a os tr\u00eas pontos cruciais de tudo que ele fez, que moveram sua luta perene: educa\u00e7\u00e3o para todos, salvar os ind\u00edgenas e a floresta, reforma agr\u00e1ria. Criar uma sociedade com plena e palp\u00e1vel no\u00e7\u00e3o de seus direitos, distribuir a consci\u00eancia da necess\u00e1ria cidadania. Entender, como defendeu com clareza um de seus amigos, o escritor uruguaio Eduardo Galeano (As Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina), que a hist\u00f3ria n\u00e3o pode se limitar a ser heran\u00e7a, tem de ser constru\u00edda&#8221;, disse.<br \/>\nEste texto foi publicado originalmente em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-63393757<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trajet\u00f3ria do antrop\u00f3logo, etim\u00f3logo, educador, escritor e pol\u00edtico, um dos maiores intelectuais brasileiros do s\u00e9culo 20, \u00e9 celebrada por ocasi\u00e3o de seu centen\u00e1rio de nascimento. Darcy Ribeiro dedicou boa parte da sua vida aos povos ind\u00edgenas Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro (Fundar) &#8220;Fracassei em tudo o que tentei na vida. 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