{"id":12179,"date":"2022-10-24T03:19:41","date_gmt":"2022-10-24T03:19:41","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/24\/como-o-mar-pode-garantir-a-alimentacao-da-humanidade-no-futuro\/"},"modified":"2022-10-24T03:19:41","modified_gmt":"2022-10-24T03:19:41","slug":"como-o-mar-pode-garantir-a-alimentacao-da-humanidade-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/24\/como-o-mar-pode-garantir-a-alimentacao-da-humanidade-no-futuro\/","title":{"rendered":"Como o mar pode garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da humanidade no futuro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/n1iEd8vC8p2WDXOlxS4EJUIy6RU=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/e\/3\/GBIRwDRHaMBXEjzWmPxA\/ostras-bbc.webp\"><br \/>   Desde que mantidos padr\u00f5es sustent\u00e1veis, alguns especialistas acreditam que o mar poder\u00e1 ser a nova fronteira para alimentar bilh\u00f5es de pessoas e garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o nutritiva no futuro. &#8216;A cria\u00e7\u00e3o de mexilh\u00f5es e de ostras s\u00e3o muito positivas em seus impactos, porque elas podem at\u00e9 ajudar a limpar os ecossistemas costeiros e mitigar problemas&#8217;, explica o professor Chris Armstrong<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nO homem criou a agricultura e, com ela, a chance de domar a natureza para gerar alimentos de maneira mais eficiente. Com ela, veio tamb\u00e9m a pecu\u00e1ria e, assim, aumentamos consideravelmente o total de comida \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da humanidade e pudemos evoluir como esp\u00e9cie de muitas maneiras.<br \/>\nMas se a pr\u00e1tica de cultivar e criar nossos alimentos representou muitos ganhos, tamb\u00e9m trouxe com ela alguns efeitos negativos: de uma dieta nem sempre ideal \u00e0s explos\u00f5es populacionais e a cria\u00e7\u00e3o de elites favorecidas \u2014 a raiz da forma\u00e7\u00e3o das classes sociais j\u00e1 estava ali.<br \/>\nPara alimentar mais e mais pessoas, desenvolvemos produtos qu\u00edmicos para aumentar a produtividade, baseamos o modelo vigente em monoculturas e cria\u00e7\u00f5es intensivas e passamos a cobrar caro do meio ambiente.<br \/>\n Claro que a agricultura e a pecu\u00e1ria t\u00eam sido essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o da vida humana na Terra, mas elas tamb\u00e9m representam hoje um desafio para todos n\u00f3s em plena crise clim\u00e1tica: como produzir mais comida sem causar um colapso?<br \/>\nPara muitos cientistas, a resposta pode estar nas \u00e1guas, muito mais do que no solo.<br \/>\nDada a crescente demanda por comida e as restri\u00e7\u00f5es da expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos em terra, os alimentos provenientes do oceano \u2014 ricos em nutrientes e uma fonte de prote\u00edna \u2014 est\u00e3o prestes a se tornar nossa pr\u00f3xima grande resist\u00eancia para produ\u00e7\u00e3o alimentar capaz de suprir as quase 10 bilh\u00f5es de pessoas que viver\u00e3o no planeta at\u00e9 2050.<br \/>\nUm grupo de especialistas de todo o mundo reuniu-se para analisar essa quest\u00e3o, contando com sua amplitude combinada de conhecimento que abrange economia, biologia, ecologia, nutri\u00e7\u00e3o e pesca.<br \/>\nE tamb\u00e9m a maricultura, termo que come\u00e7a a ganhar maior proje\u00e7\u00e3o, e que diz respeito \u00e0s pr\u00e1ticas de cultivo da vida marinha para alimenta\u00e7\u00e3o humana (o mesmo que a agricultura, mas feita nos mares).<br \/>\nS\u00e3o 22 pesquisadores de distintas partes do mundo que se debru\u00e7aram sobre a quest\u00e3o para publicar uma s\u00e9rie de artigos (o inaugural saiu na prestigiada revista Nature) sobre a alimenta\u00e7\u00e3o que vem do mar.<br \/>\nAlguns pesquisadores acreditam que o mar poder\u00e1 ser mais explorado para fins aliment\u00edcios, sem que isso leve a uma exaust\u00e3o do ambiente marinho<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\n&#8220;Examinamos os principais setores produtores de alimentos na pesca oce\u00e2nica &#8211; selvagem, peixes de maricultura e maricultura de bivalves &#8211; para estimar &#8216;curvas de oferta sustent\u00e1vel&#8217; que levam em conta as restri\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, regulat\u00f3rias e tecnol\u00f3gicas. Sobrepomos essas curvas de oferta com cen\u00e1rios de demanda para estimar a produ\u00e7\u00e3o futura de alimentos do mar&#8221;, diz a apresenta\u00e7\u00e3o do artigo.<br \/>\nHoje, estimam os cientistas, os alimentos provenientes do mar representam apenas 17% da produ\u00e7\u00e3o atual de carne comest\u00edvel no planeta. A pesquisa visa responder quanto de alimentos podemos esperar que o oceano produza de forma sustent\u00e1vel at\u00e9 2050.<br \/>\n&#8220;Os alimentos comest\u00edveis do mar podem aumentar em 21 a 44 milh\u00f5es de toneladas at\u00e9 2050, um aumento de 36 a 74% em compara\u00e7\u00e3o com os rendimentos atuais. Isso representaria 12 a 25% do aumento estimado em toda a carne necess\u00e1ria para alimentar 9,8 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2050&#8221;, concluem.<br \/>\n&#8220;Basicamente, a pergunta que est\u00e1vamos tentando responder era: o gerenciamento sustent\u00e1vel do oceano nos pr\u00f3ximos 30 anos significa que produziremos mais ou menos alimentos?&#8221;, pergunta Christopher Costello, professor de Economia Ambiental e de Recursos da UCSB Bren School of Environmental Science &#038; Management, e principal autor do artigo.<br \/>\nPor muito tempo pensou-se que, para gerenciar o oceano de forma sustent\u00e1vel, ter\u00edamos que extrair menos, o que significaria menos comida do mar. O que os pesquisadores descobriram, no entanto, foi que temos que extrair de forma melhor \u2014 que tenha a sustentabilidade como valor principal.<br \/>\n&#8220;Se feito de forma sustent\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel aumentar os alimentos do mar e em uma propor\u00e7\u00e3o inversa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o dos alimentos baseados em terra&#8221;, detalhou o coautor Ling Cao, membro afiliado do Centro de Seguran\u00e7a Alimentar e Meio Ambiente de Stanford.<br \/>\n&#8220;E isso pode ser feito de uma maneira muito mais ecol\u00f3gica para o clima, a biodiversidade e outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos em terra&#8221;.<br \/>\nPara isso, eles prop\u00f5em a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o de reformas pol\u00edticas, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a extens\u00e3o das mudan\u00e7as futuras na demanda, mas sempre tendo em conta um planejamento pr\u00e9vio \u2014 algo que n\u00e3o tivemos na agricultura e na pecu\u00e1ria em solo, que correspondem pela esmagadora maioria dos alimentos que consumimos.<br \/>\n&#8220;Se esses potenciais de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e3o realizados de forma sustent\u00e1vel depender\u00e1 de muitos fatores, mas queremos come\u00e7ar essa discuss\u00e3o&#8221;, acrescenta Costello.<br \/>\nAutor de um rec\u00e9m-lan\u00e7ado livro que tem sido considerado um dos mais importantes manifestos sobre as pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o dos oceanos (A Blue Deal: Why We Need a New Politics for the Ocean, ainda sem edi\u00e7\u00e3o no Brasil), o professor Chris Armstrong, do Departamento de Pol\u00edticas e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da University of Southampton (Inglaterra), ecoa o coro de que novas pol\u00edticas de explora\u00e7\u00e3o dos mares precisam ser criadas.<br \/>\n&#8220;O oceano j\u00e1 enfrenta muitas amea\u00e7as, e \u00e9 importante que n\u00e3o as tornemos ainda piores. Se vamos adicionar novas ind\u00fastrias oce\u00e2nicas, elas ter\u00e3o que ser do tipo que possam ajudar o oceano a se recuperar, em vez de prejudicar ainda mais sua sa\u00fade&#8221;, afirma, em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<br \/>\nEle cita, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o extensiva de salm\u00e3o e camar\u00e3o que t\u00eam impactos ambientais muito negativos aos mares \u2014 de danos \u00e0 vida marinha e do uso de antibi\u00f3ticos nas \u00e1guas.<br \/>\nMas indica a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de animais que podem nos trazer maiores benef\u00edcios.<br \/>\n&#8220;A cria\u00e7\u00e3o de mexilh\u00f5es e de ostras s\u00e3o muito positivas em seus impactos, porque elas podem at\u00e9 ajudar a limpar os ecossistemas costeiros e mitigar problemas. O mesmo vale para o cultivo de algas marinhas, que tamb\u00e9m pode ajudar a combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, ele afirma.<br \/>\nArmstrong tamb\u00e9m refuta a ideia de que o oceano \u00e9 &#8216;subexplorado&#8217;, como defendem alguns pesquisadores\u2014 ainda que defenda que a oferta de alimentos provenientes do mar possam aumentar de forma ordenada e sustent\u00e1vel.<br \/>\n&#8220;Nossa primeira prioridade deve ser garantir que os ecossistemas oce\u00e2nicos sejam protegidos, n\u00e3o que sejam &#8216;usados&#8217; ao m\u00e1ximo&#8221;, ele ressalta.<br \/>\nCom a demanda global por alimentos aumentando e quest\u00f5es s\u00e9rias se acentuando sobre se a oferta pode aumentar de forma sustent\u00e1vel, o mar pode indicar uma solu\u00e7\u00e3o no horizonte. Claro que expans\u00e3o baseada em terra \u00e9 poss\u00edvel, mas pode exacerbar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a perda de biodiversidade e comprometer a presta\u00e7\u00e3o de outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<br \/>\n&#8220;Concordo que no futuro nos voltemos para novas fontes de alimentos do mar. Sobretudo porque seus impactos ambientais s\u00e3o menores do que as formas convencionais de pesca e piscicultura e de outras maneiras que conhecemos para produzir alimentos para bilh\u00f5es de pessoas&#8221;, conclui.<br \/>\n&#8211; Texto originalmente publicado em  https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-63295626<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que mantidos padr\u00f5es sustent\u00e1veis, alguns especialistas acreditam que o mar poder\u00e1 ser a nova fronteira para alimentar bilh\u00f5es de pessoas e garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o nutritiva no futuro. &#8216;A cria\u00e7\u00e3o de mexilh\u00f5es e de ostras s\u00e3o muito positivas em seus impactos, porque elas podem at\u00e9 ajudar a limpar os ecossistemas costeiros e mitigar problemas&#8217;, explica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-12179","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12179\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}