{"id":11902,"date":"2022-10-22T13:11:57","date_gmt":"2022-10-22T13:11:57","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/22\/a-familia-que-ajudou-a-desvendar-origem-genetica-da-esquizofrenia\/"},"modified":"2022-10-22T13:11:57","modified_gmt":"2022-10-22T13:11:57","slug":"a-familia-que-ajudou-a-desvendar-origem-genetica-da-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/22\/a-familia-que-ajudou-a-desvendar-origem-genetica-da-esquizofrenia\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia que ajudou a desvendar origem gen\u00e9tica da esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/H_JWp4QJjTKgtI_C6wxjTyYJUjY=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/H\/o\/MJ15oKTACZ1ajlRNdBtA\/foto-1-a-familia-galvin-na-academia-da-forca-aerea-dos-eua-1961.jpg\"><br \/>   Em meio \u00e0 beleza agreste de Colorado Springs, nos EUA, Don e Mimi Galvin eram a personifica\u00e7\u00e3o do sonho americano no p\u00f3s-guerra: uma fam\u00edlia feliz com 12 filhos lindos e fisicamente saud\u00e1veis. O problema, por\u00e9m, estava na mente (e nos genes) deles. A fam\u00edlia Galvin na Academia da For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA, 1961<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\nUm dia, em 1972, em Woodmen Valley, um lugar cheio de florestas e terras agr\u00edcolas entre colinas \u00edngremes e planaltos no Estado do Colorado, nos Estados Unidos, duas pessoas sa\u00edram de casa pela porta que levava ao quintal.<br \/>\nDonald, de 27 anos, de olhar profundo, cabe\u00e7a raspada e o in\u00edcio de uma barba por fazer, caminhava com a irm\u00e3 Mary, de 7, de cabelos loiros.<br \/>\nA cena era id\u00edlica: o quintal cheirava a pinho fresco e doce, p\u00e1ssaros voavam sobre o jardim enquanto o animal de estima\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, um cachorro chamado Atholl, montava guarda.<br \/>\nEmbora o irm\u00e3o fosse mais velho, era Mary quem o levava para o topo de uma colina. Ela tinha um plano: queim\u00e1-lo na fogueira, como faziam com os hereges nos filmes que a m\u00e3e deles via.<br \/>\nO irm\u00e3o havia sugerido que fizessem um balan\u00e7o no galho de uma \u00e1rvore, para o qual precisavam de uma corda, mas, uma vez que escolheram um dos pinheiros mais altos, a menina disse a Donald que o que ela queria era amarr\u00e1-lo na \u00e1rvore.<br \/>\nEle concordou sem problemas. Ela trouxe a lenha e a distribuiu ao redor dos p\u00e9s descal\u00e7os do irm\u00e3o.<br \/>\nMeio s\u00e9culo depois, a mesma Mary, que tinha mudado seu nome para Lindsay, contou ao jornalista e escritor Robert Kolker os fatos que marcaram aquele dia.<br \/>\nAo lado da irm\u00e3 Margaret, elas revelaram ao mundo a incr\u00edvel hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia que, por um tempo, foi o retrato perfeito do sonho americano do p\u00f3s-guerra, comandada por um veterano da Segunda Guerra Mundial e sua mulher, uma m\u00e3e que assava bolos e fazia as roupas para os 12 filhos (dez homens e duas mulheres).<br \/>\nMas tudo n\u00e3o passava de fantasia \u2014 at\u00e9 mesmo essa hist\u00f3ria de Mary.<br \/>\nN\u00e3o foi culpa da Mary<br \/>\nDonald n\u00e3o era um irm\u00e3o comum. A vida de Mary tamb\u00e9m estava longe de ser corriqueira.<br \/>\nDonald a reverenciava porque estava convencido de que ela era Maria, a santa Virgem e m\u00e3e de Jesus Cristo. Ele, por sua vez, acreditava ter recebido um diploma em &#8220;exerc\u00edcio espiritual e teologia&#8221; das m\u00e3os de Santo In\u00e1cio.<br \/>\nDonald recitava em voz alta ora\u00e7\u00f5es, como o Credo dos Ap\u00f3stolos e o Pai Nosso, e uma ladainha que ele chamou de Sagrada Ordem dos Sacerdotes. Nomes e frases como &#8220;&#8216;Deo optimo maximo&#8217;, Beneditino, Jesu\u00edta, Ordem do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Maria Imaculada, Ordem dos Oblatos Sacerdotes&#8230;&#8221; eram entoadas dia e noite, sem cessar.<br \/>\nEm seus melhores dias, ele vestia um len\u00e7ol marrom-avermelhado no estilo de um monge. \u00c0s vezes, completava o vestu\u00e1rio com um arco e flecha de pl\u00e1stico. Al\u00e9m disso, fazia caminhadas por horas, \u00e0s vezes parando em lugares com pessoas &#8211; que faziam de conta que n\u00e3o o conheciam ou acabavam intimado ele a ir embora.<br \/>\nEm outros dias, permanecia nu, sentado na sala da casa, em completo sil\u00eancio.<br \/>\n\u00c0s vezes, Mary voltava da escola para encontr\u00e1-lo ocupado com tarefas que s\u00f3 ele conseguia entender, como tirar todos os m\u00f3veis da casa ou jogar sal no aqu\u00e1rio para envenenar os peixes.<br \/>\nA m\u00e3e, por sua vez, se comportava como se tudo fosse normal, mesmo tendo que chamar a pol\u00edcia quando o filho tinha acessos de f\u00faria e  viol\u00eancia.<br \/>\nEnquanto os outros irm\u00e3os encontravam desculpas para ficar longe de Donald, Mary, a mais nova de todos, muitas vezes n\u00e3o tinha escolha a n\u00e3o ser ficar com ele.<br \/>\nE, apesar da pouca idade, sabia que n\u00e3o podia chorar nem reclamar: o irm\u00e3o mais velho n\u00e3o era o \u00fanico com comportamento estranho. Os pais sempre observavam todos os filhos, \u00e0 espera de qualquer sinal preocupante.<br \/>\nNo meio desse pesadelo, a menina de 7 anos teve a ideia do plano de se livrar do irm\u00e3o queimando-o numa fogueira.<br \/>\nMas tudo n\u00e3o passou de um grito de desespero: ela n\u00e3o cogitou matar Donald. Mary n\u00e3o era como os outros, e provaria isso para os pais e para si mesma.<br \/>\nEla n\u00e3o sofria do mal que assolava a fam\u00edlia, mas n\u00e3o conseguia escapar da sombra e dos efeitos de tudo aquilo.<br \/>\nUm tra\u00e7o comum<br \/>\nToda essa hist\u00f3ria \u00e9 apresentada por Robert Kolker no pref\u00e1cio do aclamado livro The Boys of Hidden Valley Road: Inside the Mind of an American Family (&#8220;Os Meninos de Hidden Valley Road: Por Dentro da Mente de uma Fam\u00edlia Americana&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<br \/>\nA obra \u00e9 resultado de horas de entrevistas com os membros da fam\u00edlia Galvin e de leituras de pesquisas e artigos cient\u00edficos.<br \/>\nOs Galvin constitu\u00edram um caso \u00fanico de uma doen\u00e7a desconcertante: a esquizofrenia.<br \/>\nAl\u00e9m de Donald (nascido em 1945), o primeiro a ser acometido pela enfermidade, outros cinco irm\u00e3os sofriam desse dist\u00farbio cerebral que engloba uma ampla variedade de sintomas de maneiras completamente diferentes.<br \/>\nJames (1947-2001), o segundo filho, brigava de forma brutal com Donald e agredia os membros mais indefesos da fam\u00edlia, principalmente as meninas Mary e Margaret;<br \/>\nMatthew (1958), um ceramista talentoso que, quando n\u00e3o estava convencido de que era o m\u00fasico Paul McCartney, acreditava que seus estados de \u00e2nimo influenciavam o clima;<br \/>\nJos\u00e9 (1956-2009), o mais pac\u00edfico dos irm\u00e3os doentes, sempre ouviu vozes de \u00e9pocas e locais diferentes;<br \/>\nPeter (1960), o menino rebelde, man\u00edaco e violento. Durante anos, recusou toda ajuda oferecida;<br \/>\nBrian (1951-1973), a estrela do rock da fam\u00edlia, que manteve os medos mais profundos em segredo \u2014 e, em uma explos\u00e3o de viol\u00eancia, mudou a vida de todos para sempre.<br \/>\n &#8220;Brian foi morar na \u00e1rea da ba\u00eda de San Francisco, se apaixonou, a fam\u00edlia conheceu a namorada e tudo parecia estar indo bem. Mas um dia esse relacionamento terminou, e logo depois ele a matou e cometeu suic\u00eddio&#8221;, lembra Lindsay.<br \/>\n&#8220;Foi uma grande reviravolta. Isso marcou o momento em que a fam\u00edlia n\u00e3o conseguia mais esconder o que estava acontecendo. Eles n\u00e3o podiam mais ficar nas sombras e tiveram que pedir ajuda.&#8221;<br \/>\nOs Galvin n\u00e3o tinham feito isso antes, explica o autor, porque &#8220;sabiam que, no momento em que tornassem p\u00fablico o que estava acontecendo, o destino de toda a fam\u00edlia mudaria \u2014 e o futuro das crian\u00e7as que n\u00e3o estavam doentes seria afetado&#8221;. Eles ent\u00e3o mantiveram a situa\u00e7\u00e3o em segredo enquanto puderam.<br \/>\nFim da linha<br \/>\nMimi, a m\u00e3e, tinha aprendido a fingir que nada do que ocorria era estranho.<br \/>\n&#8220;Fazer qualquer outra coisa seria o mesmo que admitir que ela n\u00e3o tinha controle real sobre a situa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o conseguia entender o que estava acontecendo na pr\u00f3pria casa, e muito menos como controlar o problema&#8221;, analisa Kolker.<br \/>\n&#8220;Mimi tomou muitas decis\u00f5es que tiveram consequ\u00eancias brutais, que machucaram muitas das crian\u00e7as. Mas, por outro lado, ela defendeu heroicamente os filhos doentes.&#8221;<br \/>\n&#8220;Em outra fam\u00edlia, eles poderiam acabar na rua e esquecidos&#8221;, avalia o escritor.<br \/>\nEla tamb\u00e9m teve que cuidar do marido, que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).<br \/>\nA fam\u00edlia inteira foi celebrar o doutorado do pai em 1969<br \/>\nArquivo pessoal via BBC<br \/>\n&#8220;Voc\u00ea pode at\u00e9 se perguntar por que ela n\u00e3o buscou ajuda de um m\u00e9dico &#8211; mas se pensar em como especialistas tratavam pessoas como problemas mentais na \u00e9poca, \u00e9 poss\u00edvel compreend\u00ea-la. \u00c9 a\u00ed que se come\u00e7a a entender como a fam\u00edlia estava presa, perdida e confusa.&#8221;<br \/>\nDurante muito tempo, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas mais comuns se limitavam a dois caminhos, informa o autor.<br \/>\n&#8220;Um grupo de m\u00e9dicos entendia que a esquizofrenia era um problema gen\u00e9tico e tentavam cur\u00e1-la com terapias de choque el\u00e9trico e lobotomias&#8230; eram colocados em hospitais psiqui\u00e1tricos de onde nunca mais sairiam.&#8221;<br \/>\n&#8220;Outra parcela dizia: &#8216;A culpa \u00e9 dos pais, ent\u00e3o vamos tirar todas as crian\u00e7as de casa, colocar as saud\u00e1veis \u200b\u200bem abrigos e as doentes em hospitais psiqui\u00e1tricos, para que nunca mais sejam vistas&#8217;.&#8221;<br \/>\nEssa segunda op\u00e7\u00e3o devastou Mimi.<br \/>\n&#8220;Fiquei arrasada&#8221;, revelou ela a Kolker. &#8220;Eu achava que era uma boa m\u00e3e. Assava um bolo e uma torta todas as noites. Sempre tinha gelatina com chantilly.&#8221;<br \/>\nDo sil\u00eancio ao livro<br \/>\nO que ent\u00e3o, ap\u00f3s todos esses anos, levou os Galvin a querer tornar p\u00fablicos os detalhes de uma hist\u00f3ria que havia sido mantida em sil\u00eancio por tanto tempo?<br \/>\n&#8220;As duas irm\u00e3s fizeram muita terapia para se recuperar dos traumas de inf\u00e2ncia e sentiram que a experi\u00eancia delas poderia ser \u00fatil para outras pessoas&#8221;, diz Kolker.<br \/>\nAl\u00e9m disso, Mimi j\u00e1 estava na casa dos 90 anos. A fam\u00edlia ent\u00e3o pensou: &#8220;\u00c9 agora ou nunca&#8221;.<br \/>\nNo entanto, o interesse n\u00e3o era apenas contar o que aconteceu. &#8220;Eles tamb\u00e9m estavam genuinamente curiosos em saber se a fam\u00edlia Galvin acabou contribuindo de alguma forma com a ci\u00eancia&#8221;, acrescenta Kolker.<br \/>\n&#8220;Eles sabiam que cientistas haviam estudado o caso deles, e que em algum momento foram vistos como um caso de grande import\u00e2ncia, e achavam que algu\u00e9m como eu poderia averiguar se isso teve alguma consequ\u00eancia.&#8221;<br \/>\nO &#8220;perfil&#8221; gen\u00e9tico da esquizofrenia tem desafiado o diagn\u00f3stico de casos at\u00e9 hoje, explica o autor.<br \/>\nOs pesquisadores sabem que um dos maiores fatores de risco para a doen\u00e7a \u00e9 a hereditariedade, mas a enfermidade n\u00e3o parece ser transmitida diretamente de pais para filhos.<br \/>\nPsiquiatras, neurobi\u00f3logos e geneticistas achavam que havia uma muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no DNA que provocava a enfermidade, mas n\u00e3o conseguiram encontr\u00e1-la.<br \/>\nEm virtude do grande n\u00famero de casos, os Galvin ofereceram uma oportunidade rara: estudar seis indiv\u00edduos que compartilham uma linhagem gen\u00e9tica id\u00eantica, j\u00e1 que foram concebidos pelo mesmo pai e pela mesma m\u00e3e.<br \/>\nA partir da d\u00e9cada de 1980, toda a fam\u00edlia passou a ser objeto de pesquisas. O material gen\u00e9tico deles foi analisado pelo Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade do Colorado, pelo Instituto Nacional de Sa\u00fade Mental e por mais de uma farmac\u00eautica.<br \/>\nAgora sabemos que amostras do material gen\u00e9tico dos Galvin formaram a base de estudos cient\u00edficos que ajudaram a entender melhor a esquizofrenia.<br \/>\nAo analisar os DNAs deles e compar\u00e1-los com amostras gen\u00e9ticas da popula\u00e7\u00e3o em geral, os pesquisadores ficaram ainda mais pr\u00f3ximos de fazer avan\u00e7os significativos no diagn\u00f3stico, no tratamento e at\u00e9 na preven\u00e7\u00e3o da esquizofrenia, observa o escritor.<br \/>\nPor muito tempo, os Galvin n\u00e3o tinham ideia de que poderiam estar ajudando outras pessoas e do quanto a contribui\u00e7\u00e3o deles tinha sido promissora.&#8221;<br \/>\n&#8220;Isso foi o que os deixou mais felizes&#8221;, lembra Kolker.<br \/>\nA partir dos estudos com o DNA dos irm\u00e3os, foi poss\u00edvel descobrir que a esquizofrenia possui realmente um fundo gen\u00e9tico. Isso enfraqueceu de vez as teorias de que a doen\u00e7a teria algo a ver com a educa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 forma como foram criados pelos pais.<br \/>\nA fam\u00edlia recebeu essas informa\u00e7\u00f5es com al\u00edvio e satisfa\u00e7\u00e3o. De repente, Mimi se disp\u00f4s a falar mais sobre o passado.<br \/>\nV\u00ednculo inoxid\u00e1vel<br \/>\nPara o escritor, o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o foi que &#8220;os seis irm\u00e3os sem a doen\u00e7a mental encontraram seu caminho e levaram uma vida normal&#8221;.<br \/>\n&#8220;Nenhum deles acabou como sem-teto ou viciado em drogas.&#8221;<br \/>\n&#8220;Como voc\u00ea passa por uma inf\u00e2ncia t\u00e3o complicada e encontra o pr\u00f3prio caminho no mundo? E como voc\u00ea reavalia o relacionamento com a fam\u00edlia?&#8221;, questiona.<br \/>\n&#8220;O simples fato de querer continuar a fazer parte daquele grupo depois de experi\u00eancias t\u00e3o traum\u00e1ticas me surpreendeu. Por que eles n\u00e3o foram embora na primeira oportunidade e nunca mais voltaram?&#8221;, pontua.<br \/>\n&#8220;Todos desenvolveram maneiras de permanecer conectados uns aos outros.&#8221;<br \/>\n&#8220;Com Lindsay, por exemplo, pude ver como suas atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia foram mudando.&#8221;<br \/>\n&#8220;Primeiro, ela quis ir embora, depois, veio a raiva. Na sequ\u00eancia, desejava resgatar alguns dos irm\u00e3os que ainda precisavam de ajuda e, finalmente, ela se estabeleceu em um papel de cuidadora muito semelhante ao que a m\u00e3e desempenhou por muitos anos&#8221;, diz o autor.<br \/>\n&#8220;Quando ela era crian\u00e7a, n\u00e3o queria que os irm\u00e3os existissem. Agora, ela passa boa parte da vida cuidando deles.&#8221;<br \/>\nLindsay viveu d\u00e9cadas tentando entender a pr\u00f3pria inf\u00e2ncia \u2014 e esse projeto continua de p\u00e9.<br \/>\nEla aprendeu que a chave para entender a esquizofrenia \u00e9 que essa chave continua distante e vaga.<br \/>\nH\u00e1 uma lista de sintomas, v\u00e1rias formas de apresenta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e indicadores que se modificam de acordo com cada paciente.<br \/>\nOs psiquiatras dizem genericamente que a doen\u00e7a causa &#8220;afrouxamento das associa\u00e7\u00f5es e pensamento desorganizado&#8221;.<br \/>\nNo entanto, quase ningu\u00e9m pode explicar por que, quase meio s\u00e9culo depois do dia em que ela e o irm\u00e3o subiram a colina, Donald continua recitando a ladainha religiosa \u2014 ou por que, por quase tanto tempo, manteve a ideia fixa de que era filho de um polvo.<br \/>\nMas assim que Donald v\u00ea a irm\u00e3 mais nova chegar \u00e0 institui\u00e7\u00e3o onde vive, se levanta, pronto para sair. Ele sabe que, quando Lindsay o visita, \u00e9 para lev\u00e1-lo para ver a fam\u00edlia.<br \/>\n&#8211; Este texto foi publicado originalmente em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-63276349<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 beleza agreste de Colorado Springs, nos EUA, Don e Mimi Galvin eram a personifica\u00e7\u00e3o do sonho americano no p\u00f3s-guerra: uma fam\u00edlia feliz com 12 filhos lindos e fisicamente saud\u00e1veis. O problema, por\u00e9m, estava na mente (e nos genes) deles. A fam\u00edlia Galvin na Academia da For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA, 1961 Arquivo pessoal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11903,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":{"0":"post-11902","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11902\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}