{"id":11664,"date":"2022-10-21T14:09:55","date_gmt":"2022-10-21T14:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/21\/crise-dos-misseis-de-cuba-o-evento-que-quase-levou-a-guerra-nuclear-entre-eua-e-urss\/"},"modified":"2022-10-21T14:09:55","modified_gmt":"2022-10-21T14:09:55","slug":"crise-dos-misseis-de-cuba-o-evento-que-quase-levou-a-guerra-nuclear-entre-eua-e-urss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comandogeraldanoticia.com.br\/index.php\/2022\/10\/21\/crise-dos-misseis-de-cuba-o-evento-que-quase-levou-a-guerra-nuclear-entre-eua-e-urss\/","title":{"rendered":"Crise dos M\u00edsseis de Cuba: o evento que quase levou \u00e0 guerra nuclear entre EUA e URSS"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/lkvfrDHyeBlbF9qGwb7WlDfwQd0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/a\/d\/71TXKPR6CgGc2M6AES0w\/thumbnail-image001-75-.jpg\"><br \/>   H\u00e1 60 anos o mundo esteve muito pr\u00f3ximo de um apocalipse nuclear por causa das rivalidades entre Washington e Moscou. Relembre os principais momentos da crise. Montagem feita pela BBC mostra l\u00edderes de R\u00fassia, Estados Unidos e Cuba<br \/>\nBBC<br \/>\nNa noite de 22 de outubro de 1962, o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, aparece na televis\u00e3o com uma express\u00e3o s\u00e9ria no rosto.<br \/>\nMilh\u00f5es de pessoas esperam ansiosamente pelo discurso. M\u00fasica com ritmo de marcha militar d\u00e1 o tom de seriedade para o an\u00fancio.<br \/>\n &#8220;Boa noite, meus compatriotas&#8221;, diz o presidente.<br \/>\nSua voz calma n\u00e3o consegue esconder sua preocupa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 poucos dias, seus assessores o informaram que em Cuba, a 140 quil\u00f4metros da costa norte-americana, sovi\u00e9ticos e cubanos est\u00e3o construindo componentes bal\u00edsticos para m\u00edsseis nucleares.<br \/>\nO perigo de uma guerra at\u00f4mica entre as maiores pot\u00eancias da \u00e9poca parece iminente e chegou a hora de falar abertamente ao mundo.<br \/>\n&#8220;Qualquer m\u00edssil lan\u00e7ado de Cuba contra qualquer na\u00e7\u00e3o do Hemisf\u00e9rio Ocidental ser\u00e1 considerado um ataque da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica contra os Estados Unidos, exigindo uma resposta retaliat\u00f3ria total contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica&#8221;, advertiu Kennedy.<br \/>\nAmericanos, cubanos e sovi\u00e9ticos se prepararam para um confronto que por v\u00e1rios dias se acreditou inevit\u00e1vel.<br \/>\nO terror tomou conta dos cidad\u00e3os. Os supermercados estavam lotados e as prateleiras, esvaziadas pela compra \u00e0s pressas, tomada pelo p\u00e2nico. Aqueles que podiam pagar constru\u00edram abrigos e os estocaram com os suprimentos que acreditavam serem necess\u00e1rios para sobreviver a um impacto at\u00f4mico.<br \/>\nNunca tantos milh\u00f5es de pessoas estiveram t\u00e3o perto de uma aniquila\u00e7\u00e3o massiva e instant\u00e2nea devido \u00e0s rivalidades entre Washington e Moscou. Entre o capitalismo e o comunismo.<br \/>\nA crise de outubro de 1962, tamb\u00e9m conhecida como Crise dos M\u00edsseis em Cuba, foi o momento mais tenso da Guerra Fria.<br \/>\nSessenta anos ap\u00f3s este acontecimento, a BBC rev\u00ea como foram os dias de terror em que o planeta esteve perto da Terceira Guerra Mundial num conflito nuclear sem precedentes.<br \/>\nA antessala da crise<br \/>\nAp\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a URSS, aliados vitoriosos contra o fascismo, mergulharam em uma competi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica pelo dom\u00ednio global.<br \/>\nA rivalidade tamb\u00e9m levou a uma corrida armamentista at\u00f4mica na qual os EUA estavam em vantagem. Em 1962, os EUA j\u00e1 haviam instalado na Turquia uma s\u00e9rie de m\u00edsseis bal\u00edsticos com ogivas nucleares com capacidade de atingir o territ\u00f3rio sovi\u00e9tico em poucos minutos em caso de confronto.<br \/>\nV\u00e1rios pa\u00edses estiveram de alguma forma envolvidos na luta entre Washington e Moscou. Cuba foi um deles.<br \/>\nAp\u00f3s o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro em 1959, a ilha se aproximou da URSS e passou a ser percebida pelos Estados Unidos como uma amea\u00e7a ideol\u00f3gica bem debaixo do seu nariz influenciada por seu maior rival.<br \/>\nA revolu\u00e7\u00e3o socialista liderada por Fidel Castro logo afastou Cuba e os Estados Unidos<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es entre Havana e Washington se deterioraram em ritmo fren\u00e9tico. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, o governo de Fidel realizou uma onda de nacionaliza\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria que prejudicou grandes empresas americanas.<br \/>\nOs Estados Unidos, sob o governo de Dwight Eisenhower, responderam buscando derrubar o regime socialista, especialmente com um forte embargo econ\u00f4mico e o financiamento de grupos armados contrarrevolucion\u00e1rios.<br \/>\nEm 1961, ap\u00f3s o fracasso da invas\u00e3o da Ba\u00eda dos Porcos, em Cuba, por um ex\u00e9rcito de cubanos exilados treinados pela CIA, os EUA redobraram os esfor\u00e7os contra a revolu\u00e7\u00e3o cubana.<br \/>\n&#8220;A Opera\u00e7\u00e3o Mongoose foi criada nos EUA com a inten\u00e7\u00e3o de causar uma insurrei\u00e7\u00e3o que colocaria Cuba \u00e0 beira do desastre, mas ficou claro que as chances de um movimento interno desmoronar a revolu\u00e7\u00e3o eram praticamente nulas&#8221;, explica Oscar Zanetti, pesquisador da Academia de Hist\u00f3ria de Cuba, \u00e0 BBC Mundo (servi\u00e7o da BBC em espanhol).<br \/>\n&#8220;Assim, em mar\u00e7o de 1962, foi imposta a op\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o direta dos Estados Unidos com o uso de todos os meios militares necess\u00e1rios&#8221;, acrescenta Zanetti.<br \/>\n A pequena Cuba precisava se defender da amea\u00e7a do pa\u00eds mais poderoso do mundo, e a URSS, ent\u00e3o sob a lideran\u00e7a de Nikita Khrushchev, estava disposta a apoi\u00e1-la.<br \/>\n&#8220;Proteger Cuba tornou-se uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional para a URSS. Se Cuba fosse invadida e a URSS n\u00e3o fizesse nada, os sovi\u00e9ticos seriam vistos como aliados n\u00e3o confi\u00e1veis \u200b\u200bdo Terceiro Mundo &#8220;, disse Philip Brenner, especialista nas rela\u00e7\u00f5es Cuba-EUA, \u00e0 BBC Mundo.<br \/>\nCuba e a URSS rapidamente se aliaram sob a mesma ideologia no in\u00edcio dos anos 1960<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nAssim, durante o ver\u00e3o de 1962, Moscou e Havana come\u00e7aram a instalar secretamente dezenas de plataformas de lan\u00e7amento de m\u00edsseis trazidos da URSS.<br \/>\nO &#8220;segredo&#8221; durou at\u00e9 14 de outubro. Naquele dia, um avi\u00e3o de reconhecimento dos EUA sobrevoando Cuba notou uma paisagem diferente do habitual.<br \/>\nMontadas entre as palmeiras estavam plataformas de lan\u00e7amento de m\u00edsseis capazes de atingir Washington e outras cidades americanas e causar morte e destrui\u00e7\u00e3o semelhantes ou piores do que Hiroshima e Nagasaki em 1945.<br \/>\nA crise de outubro tinha acabado de estourar.<br \/>\n14-22 de outubro: O mundo \u00e0s portas de um conflito nuclear<br \/>\nCertamente, aquele 14 de outubro de 1962 foi um domingo tranquilo para a maioria dos americanos, mas n\u00e3o para o piloto Richard Heyser.<br \/>\nEste homem estava pilotando o avi\u00e3o espi\u00e3o U-2 sobre Cuba nas primeiras horas daquela manh\u00e3. Sua miss\u00e3o era verificar as suspeitas e informa\u00e7\u00f5es que os EUA tinham sobre a presen\u00e7a de armas sovi\u00e9ticas na ilha.<br \/>\nSeis minutos de voo foram suficientes para tirar as primeiras 928 fotos que comprovavam a manuten\u00e7\u00e3o do armamento.<br \/>\nNo dia seguinte, o Centro de Interpreta\u00e7\u00e3o Fotogr\u00e1fica Nacional da CIA come\u00e7ou rapidamente a an\u00e1lise das imagens, identificando os componentes de m\u00edsseis bal\u00edsticos de m\u00e9dio alcance em um campo de San Crist\u00f3bal, na prov\u00edncia de Pinar del R\u00edo, no oeste da ilha.<br \/>\nImagens feitas pelos EUA das plataformas de m\u00edsseis em Cuba em 1962<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nMais voos de reconhecimento confirmaram outros locais de montagem.<br \/>\nQuando soube disso em em 16 de outubro, a primeira coisa que Kennedy fez foi convocar um seleto grupo de assessores, conhecido como Comit\u00ea Executivo do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional (Excomm, na sigla em ingl\u00eas), para decidir sobre uma resposta estrat\u00e9gica.<br \/>\n&#8220;Seu secret\u00e1rio de Defesa, Robert McNamara, apresentou-lhe tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: a pol\u00edtica de &#8216;aproximar-se de Castro e Khrushchev&#8217;, um bloqueio naval de navios sovi\u00e9ticos que transportam armas para Cuba e uma &#8216;a\u00e7\u00e3o militar dirigida contra Cuba'&#8221;, diz Peter Kornbluh, diretor do Projeto de Documenta\u00e7\u00e3o de Cuba do Arquivo de Seguran\u00e7a Nacional dos EUA.<br \/>\nO grupo de assessores de Kennedy desenvolveu v\u00e1rias estrat\u00e9gias sobre como lidar com a descoberta dos m\u00edsseis em Cuba<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nO presidente decide seguir com a segunda op\u00e7\u00e3o para ganhar tempo e negociar uma solu\u00e7\u00e3o com Khrushchev e uma &#8220;aproxima\u00e7\u00e3o clandestina&#8221; com Fidel.<br \/>\nSe tivesse escolhido atacar Cuba, especialistas dizem que o conflito nuclear teria sido desencadeado.<br \/>\nDurante uma semana o mundo viveu praticamente inconsciente do perigo e das negocia\u00e7\u00f5es entre Washington-Havana-Moscou, das quais dependiam milh\u00f5es de vidas.<br \/>\n22 de outubro: Kennedy faz pronunciamento p\u00fablico<br \/>\nO presidente norte-americano se senta na frente das c\u00e2meras em 22 de outubro e parece pronto para responder com for\u00e7a a qualquer ataque, mas v\u00e1rios analistas dizem que por tr\u00e1s dessa fachada est\u00e1 um homem flex\u00edvel cujo objetivo \u00e9 impedir o apocalipse nuclear.<br \/>\nEle fala com determina\u00e7\u00e3o e coragem, mas tamb\u00e9m com cautela. Uma palavra mal escolhida pode ser mal interpretada, levar a um acidente e causar uma cat\u00e1strofe.<br \/>\nPor isso, quando anuncia que interceptar\u00e1 qualquer carregamento adicional de armas da URSS para Cuba, ele se refere \u00e0 opera\u00e7\u00e3o como uma &#8220;quarentena estrita&#8221; em vez de um &#8220;bloqueio&#8221; \u2014 que seria realizado com um cintur\u00e3o de navios ao redor de Cuba.<br \/>\nKennedy durante o discurso que revelou ao mundo a possibilidade de um conflito nuclear entre os EUA e a URSS<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\n&#8220;Mesmo que fosse um bloqueio de fato, Kennedy usa a palavra quarentena porque um bloqueio \u00e9 considerado um ato de guerra&#8221;, explica Brenner.<br \/>\nKennedy tamb\u00e9m torna p\u00fablicas suas ordens para continuar e aumentar a vigil\u00e2ncia sobre Cuba, considerar um ataque a qualquer na\u00e7\u00e3o do Hemisf\u00e9rio Ocidental como um ataque contra os Estados Unidos, refor\u00e7ar a base naval de Guant\u00e1namo e convocar uma reuni\u00e3o de emerg\u00eancia do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<br \/>\nFinalmente, o presidente tamb\u00e9m exorta seu colega Khrushchev a &#8220;parar e eliminar essa amea\u00e7a clandestina, imprudente e provocativa \u00e0 paz mundial&#8221;.<br \/>\nNo mesmo dia de seu discurso, Kennedy enviou uma carta a Khrushchev afirmando que os EUA n\u00e3o permitiriam que mais armas fossem enviadas a Cuba e conclamou os sovi\u00e9ticos a desmantelar bases de m\u00edsseis j\u00e1 conclu\u00eddas ou em constru\u00e7\u00e3o e retirar armas enviadas ao territ\u00f3rio cubano.<br \/>\nOs dias seguintes foram os mais sombrios da crise.<br \/>\n23-26 de outubro: O mundo se prepara para o conflito<br \/>\nEm 24 de outubro, o bloqueio naval foi instalado para impedir a chegada de v\u00e1rios navios sovi\u00e9ticos que estavam a caminho. No mesmo dia, Khrushchev respondeu a Kennedy que o &#8220;bloqueio&#8221; era um &#8220;ato de agress\u00e3o&#8221; e que ordenaria que os navios n\u00e3o parassem.<br \/>\nDurante os dias 24 e 25 de outubro, no entanto, alguns navios foram retirados da linha de quarentena. Outros foram detidos pelas for\u00e7as navais dos EUA, mas n\u00e3o continham armas e foram autorizados a prosseguir.<br \/>\nDepois que Kennedy tornou p\u00fablica a crise dos m\u00edsseis, os Estados Unidos, Cuba e a URSS se prepararam para o caso de uma nova escalada<br \/>\nGETTI IMAGES\/via BBC<br \/>\nEnquanto isso, mais voos de reconhecimento dos EUA perceberam que as bases de m\u00edsseis sovi\u00e9ticas em Cuba estavam perto de sua fase operacional. Se em 14 de outubro n\u00e3o havia m\u00edssil pronto, nos 12 dias seguintes ocorreu uma r\u00e1pida habilita\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8220;At\u00e9 28 de outubro, havia 12 m\u00edsseis operacionais, com planos de instalar cerca de 30 m\u00edsseis de m\u00e9dio alcance e outros 30 de m\u00e9dio alcance&#8221;, diz Brenner.<br \/>\nNaqueles dias, Fidel alertou os cubanos sobre o risco de invas\u00e3o e cerca de 300 mil homens armados foram mobilizados.<br \/>\nAp\u00f3s o an\u00fancio p\u00fablico de Kennedy, o governo de Fidel colocou cerca de 300 mil soldados de prontid\u00e3o para um conflito que parecia inevit\u00e1vel<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nPela primeira vez em sua hist\u00f3ria, os Estados Unidos declararam DEFCON (Condi\u00e7\u00e3o de Defesa) n\u00edvel 2, o maior alerta antes de um confronto nuclear.<br \/>\nEm 26 de outubro, Kennedy disse a seus assessores que apenas um ataque dos EUA a Cuba teria chance de desmantelar os m\u00edsseis, mas insistiu em dar mais tempo \u00e0 via diplom\u00e1tica.<br \/>\nA crise parecia estagnada quando naquela mesma tarde surgiu uma informa\u00e7\u00e3o importante.<br \/>\nO correspondente da rede americana ABC, John Scali, informou \u00e0 Casa Branca que um agente sovi\u00e9tico lhe havia passado a possibilidade de que os sovi\u00e9ticos removessem os m\u00edsseis da ilha caribenha se os Estados Unidos prometessem n\u00e3o invadir Cuba.<br \/>\nEnquanto a Casa Branca avaliava a validade desse vazamento, Khrushchev enviou uma carta emocionada a Kennedy. Ele estava conversando com ele sobre a trag\u00e9dia que seria um holocausto nuclear e prop\u00f4s uma solu\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que Scali havia vazado.<br \/>\n27 de outubro: O s\u00e1bado negro<br \/>\nA mensagem de Khrushchev chega na noite de sexta-feira, 26 de outubro, em Washington, bem depois da meia-noite em Moscou.<br \/>\nAs autoridades americanas est\u00e3o exaustas. Eles passaram noites dormindo em seus escrit\u00f3rios. Agora est\u00e3o convencidos de que as palavras do presidente sovi\u00e9tico s\u00e3o aut\u00eanticas e que a resolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista.<br \/>\nMas as esperan\u00e7as duram pouco.<br \/>\nQuando o Excomm se re\u00fane no s\u00e1bado de manh\u00e3, eles recebem a not\u00edcia de que Khrushchev estabeleceu um novo conjunto de condi\u00e7\u00f5es. Agora ele tamb\u00e9m pede a retirada dos m\u00edsseis J\u00fapiter que os Estados Unidos mant\u00eam na Turquia.<br \/>\n&#8220;Parecia um acordo rec\u00edproco, mas na realidade era um ultimato. A Turquia era aliada da Otan e retirar os m\u00edsseis sob uma amea\u00e7a da URSS poderia destruir a alian\u00e7a&#8221;, explica Brenner.<br \/>\nAs exig\u00eancias de Khrushchev comprometeram a posi\u00e7\u00e3o de Kennedy. A tens\u00e3o estava aumentando novamente.<br \/>\nAssim, \u00e0 medida que as autoridades americanas determinam como proceder, ocorre o temido erro de c\u00e1lculo.<br \/>\nUm avi\u00e3o de reconhecimento americano U-2 \u00e9 abatido por m\u00edsseis sovi\u00e9ticos em Cuba. Seu piloto \u00e9 morto instantaneamente. A \u00fanica fatalidade da crise dos m\u00edsseis.<br \/>\nOs generais dos EUA recomendam atacar imediatamente.<br \/>\n&#8220;E os Estados Unidos estavam preparados. Reuniram soldados suficientes no sul da Fl\u00f3rida e avi\u00f5es suficientes para atacar&#8221;, diz Brenner.<br \/>\nAlgum tempo depois, o secret\u00e1rio de Defesa de Kennedy, McNamara, reconheceria em entrevista que achava que a &#8220;bela tarde&#8221; de s\u00e1bado, enquanto caminhava pelos jardins da Casa Branca, seria a \u00faltima que veria em sua vida.<br \/>\nAltos funcion\u00e1rios da Casa Branca foram instru\u00eddos a se abrigar com suas fam\u00edlias em uma \u00e1rea secreta em Maryland para sobreviver no caso de uma guerra nuclear. Nada parecia impedir o resultado fatal.<br \/>\n28 de outubro &#8211; O fim do pesadelo<br \/>\nOs analistas de guerra geralmente definem essas situa\u00e7\u00f5es extremas como &#8220;escalar para desescalar&#8221;: levar advert\u00eancias ao extremo para for\u00e7ar acordos.<br \/>\nMas ent\u00e3o havia muitas d\u00favidas sobre como interpretar Khrushchev. Todos estavam desesperados e Kennedy e seu conselho acreditavam que n\u00e3o tinham escolha a n\u00e3o ser o confronto militar.<br \/>\n\u00c9 quando interv\u00e9m o ex-embaixador na URSS Llewellyn Thompson, cuja longa experi\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o com comunistas lhe deu a capacidade de antecipar com precis\u00e3o os movimentos contradit\u00f3rios de Khrushchev.<br \/>\n&#8220;Thompson diz a Kennedy que o l\u00edder sovi\u00e9tico est\u00e1 em uma encruzilhada e ele precisa oferecer uma sa\u00edda&#8221;, conta Brenner.<br \/>\nThompson recomenda abordar Khrushchev e prometer n\u00e3o invadir Cuba em troca da retirada dos m\u00edsseis. Informe-o tamb\u00e9m que retirar\u00e1 os m\u00edsseis da Turquia em segredo e sem torn\u00e1-lo p\u00fablico como parte da negocia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs Estados Unidos monitoraram a retirada e o desmantelamento de bases de m\u00edsseis em Cuba<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nO procurador-geral Robert Kennedy ent\u00e3o se reuniu secretamente com o embaixador sovi\u00e9tico nos Estados Unidos, Anatoly Dobrynin, e indicou que os Estados Unidos planejavam remover os m\u00edsseis J\u00fapiter da Turquia de qualquer maneira, e o fariam em breve, mas que isso n\u00e3o poderia fazer parte do processo de qualquer resolu\u00e7\u00e3o p\u00fablica da crise dos m\u00edsseis.<br \/>\nNa manh\u00e3 seguinte, em 28 de outubro, Khrushchev declarou publicamente que os m\u00edsseis sovi\u00e9ticos seriam desmontados e retirados nas pr\u00f3ximas semanas.<br \/>\nRetirada dos m\u00edsseis sovi\u00e9ticos em novembro de 1962<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nA crise dos m\u00edsseis era hist\u00f3ria e o segredo do acordo dos m\u00edsseis turcos foi mantido por 25 anos.<br \/>\n&#8220;A capacidade de pensar com empatia sobre o que Khrushchev precisava acabou com a crise&#8221;, explica Brenner.<br \/>\nAs consequ\u00eancias da crise<br \/>\nEnquanto Kennedy e Khrushchev vendiam a resolu\u00e7\u00e3o da crise como um triunfo diplom\u00e1tico para o al\u00edvio de seus cidad\u00e3os, a decep\u00e7\u00e3o se instalava no governo cubano.<br \/>\nO historiador Zanetti relata que Cuba foi exclu\u00edda das negocia\u00e7\u00f5es e que suas exig\u00eancias foram ignoradas.<br \/>\n&#8220;O governo cubano considerou que, embora o acordo tenha eliminado o perigo de uma guerra nuclear, n\u00e3o oferecia as garantias necess\u00e1rias para a seguran\u00e7a de Cuba e a paz no Caribe&#8221;, disse.<br \/>\n&#8220;[Fidel] Castro prop\u00f4s cinco pontos que inclu\u00edam o levantamento do bloqueio econ\u00f4mico, o fim da promo\u00e7\u00e3o de atividades subversivas na ilha pelos EUA e a retirada da Base Naval de Guant\u00e1namo&#8221;, acrescenta o acad\u00eamico.<br \/>\nKhrushchev e Kennedy morreram d\u00e9cadas antes da Guerra Fria<br \/>\nGETTY IMAGES\/via BBC<br \/>\nAp\u00f3s este epis\u00f3dio, o pr\u00f3prio Fidel reconheceu que as rela\u00e7\u00f5es entre Cuba e a URSS foram afetadas por algum tempo.<br \/>\nA diplomacia entre Havana e Washington continua condicionada em parte pelos turbulentos acontecimentos da d\u00e9cada de 1960. O embargo econ\u00f4mico ainda est\u00e1 em vigor, assim como o governo socialista, e apesar dos esfor\u00e7os feitos durante o governo de Barack Obama, as rela\u00e7\u00f5es bilaterais parecem longe de normalizar.<br \/>\nPor sua vez, ap\u00f3s a crise de outubro, Washington e Moscou estabeleceram uma linha telef\u00f4nica direta, conhecida como &#8220;telefone vermelho&#8221;, para evitar que tais tens\u00f5es se repetissem.<br \/>\nA Guerra Fria durou at\u00e9 1991 com a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS. Kennedy foi assassinado em 1963. Khrushchev morreu em 1971, aos 77 anos. Nem viu o fim do conflito que quase levou o mundo ao desastre.<br \/>\nEste texto foi publicado em https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-63309793<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 60 anos o mundo esteve muito pr\u00f3ximo de um apocalipse nuclear por causa das rivalidades entre Washington e Moscou. Relembre os principais momentos da crise. Montagem feita pela BBC mostra l\u00edderes de R\u00fassia, Estados Unidos e Cuba BBC Na noite de 22 de outubro de 1962, o presidente dos Estados Unidos, John F. 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