September 26, 2020

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    A tara pela sociedade perfeita ao longo do tempo… Featured

    Não é raro achar pessoas – que se dizem especialistas – que confundem globalização com globalismo, ao falarem de assuntos práticos como Brexit, dentre outros. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já foi vítima disso, mesmo diante de bons discursos, em que mostrava fontes.

    Não é raro também achar pessoas que, em que pese a farta documentação existente e as obras publicadas na área de ciência política e filosofia política, passem a propagar que tudo não passa de uma teoria da conspiração.

    No entanto, a “tara”, o “fetiche”, a “busca” pela “sociedade perfeita” sempre se fez presente em obras que formataram o pensamento político da modernidade e seus engenheiros-sociais. O globalismo tem isso.

    Isto se dá muito antes, muito antes mesmo, da compreensão do socialismo científico do senhor Karl Marx e de sua visão do ser ontológico arrigada em crenças materialistas, com a subversão do pensamento de Hegel para o uso da dialética.

    Desde a interpretação dada a Platão ou até mesmo na Esparta mostrada por Bertrand Russell – em seu primeiro volume da História da Filosofia Ocidental – que essa “sociedade perfeita” permeia os pensamentos de ideólogos que juram ter a fórmula pronta para o mundo e assim implantar o Paraíso na Terra.

    Como diz Thomas Sowell, em O Conflito de Visões, são intelectuais da inteligência dominante que se acreditam com uma visão irrestrita e que passam a desprezar toda a complexidade humana.

    Como tão bem demonstra o filósofo Olavo de Carvalho (e aqui construo com minhas palavras), nada chega a superfície da política cotidiana, ou até mesmo da mais ampla, sem antes não ter passado pela cultura.

    O corpo intelectual brasileiro – no sentido gramsiciano – foi infectado por isso e se coloca em uma espécie de “panteão” que acaba ficando a serviço do globalismo.

    Este globalismo surge como a tentativa de destruir soberanias nacionais, fraudar democracias por meio de mecanismos internacionais que impõe suas agendas políticas de baixo para cima.

    Esses mecanismos vão das ONGs até a ONU, por exemplo. Todos com a influência de metacapitalistas cujo expoente mais visível talvez seja George Soros.

    Por sinal, a Editora Armada lançou uma boa obra que toca no assunto e demonstra o funcionamento da coisa: Do Partido das Sombras ao Governo Clandestino do americano americano David Horowitz.

    Horowitz conheceu como tudo funciona por dentro e mostra tudo no que diz respeito a Soros. Mas, não é apenas Soros. No Brasil, o escritor Alexandre Costa nos brinda com duas obras de suma importância: Introdução a Nova Ordem Mundia e O Brasil e a Nova Ordem Mundial. Neste último, tive a honra de escrever o prefácio.

    Todavia, aconselho o amigo leitor a ir além para compreender como muitas obras ao longo da História foram formatando essa concepção de mundo homogênico com base em utopias. No campo da política e da filosofia, elas não são raras.

    Temos, por exemplo, A Paz Perpétua de Kant, que é uma das grandes inspirações da ONU. Não estou aqui a julgar os interesses do autor, mas sim mostrando o efeito prático. Afinal, podemos colocar nessa lista até mesmo Utopia do grandioso Thomas Morus.

    Não podemos deixar de fora socialistas utópicos pré-Marx, como Saint-Simon e Charles Fourier. Indo mais longe, temos A Cidade do Sol de Tomaso Campanella, que ao revelar a sociedade perfeita acaba por mostrar uma verdadeira tirania com ações injustificáveis, como o completo controle das famílias e dos seres humanos por parte do poder coercitivo estatal.

    Campanella ainda tenta – após a obra – responder aos críticos por meio de “Artigos”. O mínimo de inteligência perceberá a tragédia anunciada de se deixar inspirar por tais coisas.

    Citando novamente Thomas Sowell, precisamos ter a consciência da nossa visão restrita. E este é o ponto no qual os conservadores batem: a incapacidade de planejar a sociedade perfeita e o perigo de inflar direitos dando poder demais ao Estado, que passa a regular cada detalhe da vida privada, destruindo uma moralidade objetiva, desrespeitando tradições e visões religiosas e se impondo como solucionador de todos os problemas.

    Numa metáfora: primeiro eles criam o vírus e depois prometem a cura ao construírem uma tirania. Assim são as ideologias, que nada mais são que conjuntos de ideias a travestirem um fim político.

    Em nome dessas ideias, as consciências individuais são substituídas pelas causas e os piores atos justificados pelo futuro que não vem. Quanto mais distante o futuro prometido, maior a fé de que a ideologia vai trazê-lo. Uma cenoura de burro. Um paradoxo eterno.

    O pensador Michael Oakeshott, de certa forma, ataca isso em sua obra quando reflete sobre o conservadorismo e, de forma brilhante, dissocia o conservador do reacionário, pois não se pode ser pautado por uma igual utopia que ao invés de olhar para o futuro idealiza o passado como um todo.

    A reflexão sobre as conquistas e erros presentes na História deve ser no sentido posto por Ortega y Gasset, quando fala da busca pelo que não se banha no rio do tempo, que é o que faz com que os clássicos sejam sempre clássicos.

    Razão pela qual, em tempos atuais, esses clássicos ainda possuem muito a nos dizer. É como ler A Conspiração Aberta de H.G Wells e não se espantar com a proposta contida ali. É impossível sair da obra achando que tudo é apenas uma teoria da conspiração. É o que está no cerne das distopias que tomaram a realidade como ponto de partida, como ocorre em 1984 de George Orwell.

    O tal “Grande Irmão” nunca teve tanta tecnologia ao seu dispor e tantos mecanismos de controle.

    Isto é mostrado por Pascal Bernardin em Maquiavel Pedagogo.

    O estudioso que se interessa pelo tema pode sim construir as pontes entre essas obras mais atuais e aquelas de séculos passados que motivaram a mentalidade revolucionária.

    As tentativas de um Leviatã poderoso e onipresente seguem. Bem provável que isso nunca deixe de existir. Daí, o preço da liberdade ser a eterna vigilância. Daí a mentalidade revolucionária ser sempre tão perigosa, pois tenta substituir tudo – em um processo de desconstrução – pelo futuro que almeja. Este, mesmo sendo inalcançável, vai deixando suas tragédias pelo caminho, como os milhões de mortos do comunismo e do nazismo.

    Não comparo aqui o cerne das ideologias comunistas e nazistas, mas – assim como faz Richard Overy em Os Ditadores – mostro-as como irmãs gêmeas que brigam entre si. Tudo fruto das concepções revolucionárias que, como crava Raymond Aron, se torna o ópio dos intelectuais. Contrariá-los é pedir para ter a reputação assassinada ou ser julgado como um teórico da conspiração.

    Qualquer um que ameace essa classe falante sentirá o peso disto, como se faz aqui no Brasil, com o pensador Olavo de Carvalho. É claramente uma campanha sistêmica contra ele, que despreza suas obras, para construir um espantalho em cima de frases soltas sem sequer contextualizá-las.

    Meus caros, a melhor dica a ser dada nesse ambiente é: estude, estude muito. Estude como se sua vida dependesse disto. No final, depende.

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